Caminho de Cora Coralina – trecho a trecho

No site e no instagram do Caminho de Cora tem uma proposta de trechos dia a dia, desde a saída de Corumbá, até a chegada em Goiás. Nós alteramos esse roteiro roteiro, mudamos um pouco a saída e quebramos alguns trechos muito longos, como o de São Francisco a Jaraguá (37km!!!), fazendo em duas partes. Você pode escolher a opção que mais se ajusta a seu tempo e disposição.

Segue nossa caminhada trecho a trecho

Dia 1 – trecho 1  – da saída em Corumbá até a Missão Vida (após o Salto do Corumbá) – 17km ao todo

Na avenida principal de Corumbá, onde fica o comercio, tem uma panificadora do Ranis, onde é possível comprar o passaporte do Caminho e tomar café da manha com pão de queijo quentinho desde as 5h da manha. Saímos de lá de café tomado, o que fez que a gente nem tocasse em nosso lanche naquele dia, fica a dica.

O Caminho sai de frente da Rodoviária de Corumbá, tem um portal com uma placa de madeira indicando que ali começa o Caminho de Cora. Nós achávamos que o caminho saía de frente da Igreja, erramos. Depois passamos da rodoviária, tivemos que voltar. Nessas, andamos 1,5km até achar o portal.

O primeiro quilometro ainda é na cidade, mas logo caímos em uma estradinha de terra pequenas fazendas, sítios, muito agradável. Já no comecinho achamos pés de mama-cadela (brosimum gaudichaudii) carregados e cajuzinhos do cerrado (anacardium humile) e assim fomos coletando frutos e nos divertindo. Duas cachorras das redondezas nos acompanharam por um bom trecho e com isso todas as corujas buraqueiras fizeram algazarra em nossa passagem.

Esse trecho é bem tranquilo do ponto de vista físico. Tem uma subida no inicio, mas nada muito íngreme. Depois de 10km, ele termina no asfalto e é ai que a coisa fica chata.

São 7km de asfalto até o Missão Vida, o que nos deixou muito cansados e com muito calor, já que esse trecho é no fim do trajeto, com  o sol alto. Também tem o medo que sentimos de andar na beira da rodovia com carros e caminhões passando em alta velocidade. Acabamos parando no Salto do Corumbá, 3 km antes do Missão Vida, de onde chamamos o amigo que ficou de nos resgatar naquele trecho.

Pelo trajeto oficial do Caminho, no primeiro dia os peregrinos iriam até o salto e lá seria o pouso (tem um resort no lugar, com toda estrutura), nós que já conhecemos o Salto, nos organizamos para voltar e dormir em Piri.

No Salto tem uma lanchonete bacana, logo após a portaria, ainda na beira do asfalto. Foi lá que paramos, nos refrescamos no banheiro, tomamos água de coco, comemos empadinha. É uma boa pausa pra quem está caminhando e, juntando com a café da manha na padaria, esse trecho acaba sem necessidade de levar lanche, apenas água.

Resumo do trecho

Trilha leve por estradinhas rurais, no final complica por conta do asfalto que acaba caindo em um horário de muito sol. Cachoeira no fim do trecho, no Salto do Corumbá.

Necessário levar água, e se você não é uma pessoa gulosa (rsrsrs) não precisa levar lanchinho, pois tem opção de comprar lanches no começo e no fim do trecho.

Dia 2 – trecho 2  – saída da Missão Vida (após o Salto do Corumbá) até a casa do Bismarque no morro dos Pireneus (ao lado da cachoeira do Abade) – 23km ao todo

Esse trecho é lindo, com muitas vistas impactantes, como a que é possível ver de cima do Pico dos Pireneus, ponto mais alto do Caminho de Cora e do estado de Goiás, com 1.365 metros de altitude.

O trecho se inicia na entrada para a Missão Vida, logo em frente a portaria tem uma entrada que cai em uma fazenda, onde há uma pequena estrada que vai até o pico. Logo de cara tem uma subida de cerca de 6km, por isso o ideal é começar esse trecho realmente cedo, por volta das 5h, evitando o sol quente na subida. Já fizemos esse trecho duas vezes, a primeira com sol, e foi bem sofrida, dessa ultima vez agora, para o Caminho, começamos bem cedo e estava chovendo, foi infinitamente mais fácil.

Esse primeiro trecho fica na divisa das duas bacias hidrográficas importantes, a do Tocantins e a do Prata, e o interessante é que a do Tocantis nasce no sul e corre para o norte e a do Prata nasce no norte e corre para o sul, formando o que o Bismarque chamou de Yin e Yang.

A estradinha da subida passa atrás do Morro Cabeludo, que é uma formação rochosa muito peculiar e bonita. Depois da descida do Pico você ficará de frente para o morro, que é o atrativo pirenopolino que “compete” com o jardim de Maytrea da Chapada dos Veadeiros. Portanto, aproveite a vista de tirar o fôlego!

Depois da subida existe um vai e volta para o Pico dos Pireneus. É possível pular esse vai e volta e começar a descer direto, mas você vai perder a linda vista da Capela construída no pico, de onde é possível ver varias cidades até Brasília.

No caso de ficar sem água, embaixo do Pico fica a sede dos guardas do parque, então é possível pedir água ou ajuda nesse ponto em  caso de alguma dificuldade. Nós aproveitamos uma estrutura de concreto em frente a sede para servir de mesa e  fazer um bom lanche.

Saindo do Pico as marcações estão apagadas e não achamos a trilha que o Bismarque indicou e que ficria a cerca de 1,5km da casa dos guarda parque. Acabamos entrando pela estradinha da cachoeira do Sonrisal, mas se fossemos pela trilha faríamos uma economia de 1,5km e teríamos um caminho mais bonito. Uma pena, mas já combinamos com o Bismarque de ajudar no reforço das marcações.

A estradinha do Sonrisal é muito bonita. Passa ao lado de formações rochosas lindas, do mesmo tipo do Morro Cabeludo. Também é nela que estão as ruínas da cidade cenográfica construída para o filme O Tronco, na década de setenta.

E é nessa estradinha que normalmente coletamos mangaba (hancornia speciosa) e murici (byrsonima crassifólia), são muitos pés (a partir de outubro até dezembro). Também vão encontrar goiabas, gabirobas (campomanesia sp) e cajuzinhos. Na época da seca todo o percurso é enfeitado por chuveirinhos do cerrado (paepalanthus polyanthus), mini quaresmeiras e uma variedade incrível de flores, inclusive muitas orquídeas na beira da cachoeira.

O trecho também tem muita canela de ema (vellozia squamata), o que indica que ali é mata nativa, uma vez que a canela de ema cresce apenas 1cm ao ano e os pés que estão ali são grandes, têm ao menos 100 anos. Outra planta que tem muito é o chapéu de couro, também conhecido por bate caixa, uma vez que as folhas duras viram uma espécie de tambor, onde é possível tirar um som.

Depois dessa trilha em meio a uma vegetação tão linda, você vai chegar na cachoeira do Sonrisal, que tem esse nome por conta dos vários poços (6 no total) que caem um no outro formando uma escada de espuma de quem vê de baixo pra cima. É uma cachoeira gratuita, escondida (não existem indicações pra ela) frequentada principalmente pelo povo da região, já que poucos turistas sabem da sua localização, daqueles tesouros pirenopolinos!

Saindo da Sonrisal tem uma subida íngreme e daí começa a descida que vai dar na casa do Bismarque ao lado do Abade. Esse trecho é todo por estradinhas, pequenas picadas entre o cerrado e a mata ciliar que acompanha o rio.

E se você curte cachoeira, tem mais uma escondida no caminho! É a cachoeira da onça. Depois da subida, você vai começar a descer e então vai chegar em um pequeno riacho que deverá atravessar e se você seguir o curso da água (saindo um pouco do caminho) logo encontra a cachoeira, que fica escondida no meio das arvores.

Retomando o caminho, você vai seguir pelo meio do cerrado em uma trilha bonita que vai terminar em um colchete de arame, onde há indicação para o sitio Lavrinhas para quem vai dormir no Bismarque (nesse caso vai ter um X indicando que o Caminho não é por ali). Caso não vá dormir no Bismarque, siga as setas até chegar na Reserva Ecológica Caraívas, o caminho segue por ali até Pirenópolis.

Resumo do trecho

Trecho com muito sobe e desce, mistura de estradas pequenas e trilhas no meio do parque. Trecho longo (superior a 20km), necessário bom preparo físico. Mais de um lugar pra banho durante o percurso, como as cachoeiras do Sonrisal, da Onça, do Abade e ainda  a cachoeira privativa do Bismarque, para quem vai pousar lá.

Necessário levar água e comida, não tem onde comprar.

Dia 3 – trecho 3  – saída do Bismarque (ao lado do Abade) até o centro histórico de Pirenópolis (saímos ao lado de casa! <3) – 19km ao todo

Esse é o trecho de maior imersão com a natureza do Caminho. É feito praticamente só de trilhas, algumas muito estreitas no meio do cerrado. É lindo, tem uma energia única. Paramos mais de uma vez e sentamos no chão apenas pra sentir e ouvir o cerrado, poucas vezes na vida nos sentimos tão integrados com a natureza como ali.

Além da imersão no cerrado, tem muitas mirantes pelo caminho, uma vez que é a descida do morro. E também muito cajuzinho, descemos coletando e comendo.

Durante o percurso existem poucas subidas, a maior é logo no começo, margeando uma cerca logo depois de sair da estradinha que vem do Bismarque, ao lado do Caraivas.

O que de fato pega nesse trecho é a descida cascalhada. Se por uma lado não é necessário muito preparo cardiorrespiratório, por outro seus joelhos serão demandados como nunca. Portanto, vá devagar e com muita atenção onde pisa do começo até o fim.  O bastão de caminhada faz toda a diferença pra andar esse pedaço.

É um trecho com vários locais de banho. Além do Abade (com um pequeno desvio) chega na cachoeira das Andorinhas, outra que é gratuita e frequentada por pirenopolinos. Na Andorinhas tem a “geladeira”, uma espécie de caverna com água muito gelada, deliciosa pra um bom mergulho depois da descida. Ativa toda a musculatura.

Pra saber onde fica a cachoeira, basta prestar atenção na descida ao bando de andorinhas que sobrevoa a área em um lindo balé. Fato que a gente só percebe se está vindo lá de cima do morro. É daqueles presentes que a natureza dá pra gente.

Pra quem não quer desviar do caminho pra um banho nas Andorinhas, basta seguir a marcação que vai passar por um riacho gostoso, que foi onde nos refrescamos.

A partir dali a trilha segue margeando o riacho e vai dar no Refúgio Avalon, do seu José Carlos, que apoia com entusiasmo o Caminho com muitos mimos para os peregrinos. Ele assumiu a marcação na área e ainda acrescentou um numero de telefone em caso de emergências. Quando chegamos ao Refugio (que é lindo!) o pessoal que trabalha lá nos recebeu com um sorriso no rosto e não nos deixaram ir embora sem descansar e tomar um delicioso suco de limão com ervas aromáticas (super gelado), o que deu o gás que a precisamos pra terminar o trecho.

Se vc chegar cedo, ainda é possível tomar um banho na cachoeira do Refugio e conhecer o lindo jardim sensorial de ervas aromáticas e medicinais que eles mantém, todo adaptado para pessoas com deficiência visitarem, com canteiros altos e placas em braile. Embora normalmente o refugio cobre entrada para visitação, para os peregrinos é de graça. Ficamos muito felizes de ver a adesão do Sr. José Carlos ao Caminho, é um carinho que abraça a gente.

Saindo do Avalon pegamos uma estradinha que vai dar já no asfalto perto de Pirenopolis, em frente ao restaurante Pedreiras. Pra quem está muito cansado, é possível pedir carona ou resgate ali. Pra quem vai seguir, a trilha vai acompanhar o rio das Almas passando pela Pedreira.

Atravessando a estrada de asfalto, o Caminho segue por uma estradinha passando por um camping até a Pedreira municipal, de onde é extraída a pedra Pirenópolis, principal fonte de renda da cidade e um triste quadro de degradação ambiental.

O trecho pela pedreira é de cerca de 2km e termina na ponte pênsil que vai dar na trilha que segue o Rio das Almas. Uma trilha linda em meio à mata ciliar, que passa por vários pontos bons para banho, entre eles o poço do Lageado e a Ramalhuda, frequentados apenas por locais. O trecho, de 19km, vai terminar na meia ponte que deu o nome à cidade no passado (Nossa Senhora do Rosário da Meia Ponte).

Pra quem curte barzinhos, restaurantes, boemia, vale se programar pra chegar a Piri no fim de semana e aproveitar a vida da cidade, que é muito turística e linda.

Resumo do trecho

Trecho em meio ao cerrado com pouco contato humano, descida do Morro dos Pireneus. Demanda muito do joelho devido às descidas cascalhadas, muita atenção para não se lesionar. Exige preparo físico.

Trecho com muita fruta, muitos pontos pra banho. Precisa levar água e comida pois não tem onde comprar. De comida não precisa de muita coisa, já que é possível terminar o trecho até as 14h no máximo e chegar em Pirenópolis com seus bares e restaurantes.

Dia 4 – trecho 4  – saída de Pirenópolis até o pouso do Seu Quinzinho pouco antes do povoado de Caxambú – 30km ao todo

Esse é o trecho mais longo que fizemos e uma vez que quebramos o trecho de São Francisco a Jaraguá em dois, vai ser o maior do Caminho, mesmo incluindo a metade que falta.

Corre por estradas vicinais de fazendas antigas, pequenas, que vivem em sua maioria em autossuficiência. É um trecho muito bonito que evocou memórias perdidas e muita nostalgia das fazendas da infância. Acabamos chamando esse pedaço de museu a céu aberto, não apenas pelo patrimônio resguardado, construções e o modo de  implantação das fazendas, mas principalmente pelo patrimônio imaterial que é a maneira de viver preservada por aquelas famílias.

Observe o modelo das casas, galinheiros, os pomares ao lado das sedes e o pé de Flamboyant marcando curral. Relembra o passado colonial e são resultado da vida rural que se estabeleceu na região após o curto ciclo do ouro. Um modelo preservado pelo esquecimento e distancia, mas que agora, com o fortalecimento da monocultura e desse agro super pop, vem sofrendo um processo de gentrificação tal qual acontece em grandes metrópoles. O Caminho de Cora é, portanto, uma oportunidade única de conhecer tudo isso enquanto ainda existe e quem sabe (sou otimista) vai ajudar na preservação.

Nesse dia saímos de casa e fomos até a pequena Casa dos Biscoitos que fica no Alto da Lapa, por onde passa o Caminho de Cora. A Casa é apoiadora do Caminho e é um dos lugares onde é possível comprar e carimbar o passaporte. O café da manha é ótimo com biscoito de queijo e um bombocado delicioso (vale comprar uma matula pra levar).

Depois do café subimos a avenida paralela à Lapa e fomos pelo asfalto até a entrada de terra que leva a Caxambu e ao Seu Quinzinho. O Caminho corre mais ou menos paralelo à GO 431.

Logo na entrada da estrada de terra pegamos o caminho pro lado esquerdo e estava errado, voltamos e retomamos à direita onde encontramos a marcação, distante da bifurcação. Em outros pontos do trecho também ficamos em duvida sobre a marcação e acabamos andando um pouco mais para fazer ajustes.

Existe um ponto para banho por volta de 17km de caminhada, em um riacho onde corre uma roda d’água. Foi onde paramos para almoçar e nos refrescar, lugar muito gostoso.

Dali seguimos até a Fazenda Caiçara que fica ao pé da Serra de Caxambu, onde fomos recebidos por porteira fechada e uma placa pouco amistosa que dizia que os peregrinos deveriam avisar previamente que iriam passar pela Fazenda… como nenhum celular pegava, acabamos pulando a porteira, mesmo com medo de encontrar um cachorro bravo. Quando chegamos ao topo da serra acabamos conhecendo os donos da fazenda, e ao contrario da placa hostil, foram super acolhedores, nos deram água e convidaram pra um banho na piscina natural que estão construindo, provando mais uma vez que o ser humano é um bicho de muitas facetas.

A partir da Fazenda Caiçara, que está a 24km de caminhada, é que a coisa pega. Você já está cansado, o dia ainda esta muito quente (chegamos por volta das 13h) e justo os últimos 6km são para subir e descer o morro do caxambu. A propriedade do Seu Quinzinho fica do outro lado.

Pensa em uma pirambeira. É maior. Parecia que não acabava nunca. Subia, subia, subia e quando você achava que já tinha subido tudo, subia mais. Demandou muito preparo cardiorrespiratório, e todos nós superaquecemos, a água não foi suficiente, acabou no começo da subida. O que salvou foi justamente o pessoal da fazenda Caiçara no pico do morro, com água e piscina.

Temos duas sugestões pra vencer a serra:

  1. fazer como orienta o Bismarque, sair super cedo, chegar no pé da serra cedo como chegamos e ficar ali até abaixar o sol, por volta das 16h pra então enfrentar os 6km finais, ou
  2. fazer um pouso na Fazenda Caiçara, acordar no dia seguinte e subir a serra, passar o dia no rancho da família lá em cima, curtindo a piscina e descer pro Quinzinho no fim do dia para o pouso.

Não fizemos nenhuma das duas e chegamos acabados no Quinzinho, o que também foi legal, porque nos estiramos na varanda e fomos super mimados com comida boa, frutas, sucos, banho de bica. Uma baita recompensa!

Como já contamos, o trecho termina na Fazenda do Seu Quinzinho do “Pontiel”, Sr. Joaquim Pontieri, sua esposa Cleuza e as filhas Roberta e Renata (que moram no povoado de Caxambu, mas tem ajudado os pais desde que começaram a receber os peregrinos como um dos pousos do caminho). A fazenda e a família são uma teteia, dá vontade de passar uma temporada.

Durante o percurso muito cajuzinho, cagaita, muita manga e na descida da serra um goiabal nativo (pena que só estavam floridas), mas a Cleusa contou que faz muito doce com as goiabas de lá na temporada.

Resumo do trecho

Passa por fazendas antigas de gado de leite e corte. Construções antigas, muitas frutas na primavera e um lugar pra banho durante o trajeto, sem considerar a piscina natural em cima da serra.

Demanda um bom preparo cardiorrespiratório nos 6km finais, subida da serra de caxambu, e também demanda preparo muscular por conta da extensão, do trecho, o mais longo.

Necessário levar água e comida, não tem onde comprar.

Dia 5 – trecho 5  – do pouso do Seu Quinzinho pouco antes do povoado de Caxambú até o povoado de radiolândia, no pouso do Tiago – 23km ao todo

Saímos do Quinzinho depois de um farto café e após de andar 4km chegamos no povoado de Caxambú, onde paramos pra tomar água e descobrimos uma biscoiteira local que serve café e vende biscoitos para os caminhantes. A parada rendeu boa prosa, nesse que é um dos povoados mais bonitinhos de Pirenopolis e que tem uma tradicional e gigantesca fogueira no São João, a maior da região para orgulho dos moradores.

Seguimos do povoado novamente por estradinhas que passam por fazendas, tal qual o trecho anterior. Novamente estão lá os flamboyants na beira do pasto marcando cada uma delas.

Uma diversão nesses trechos de fazendas é observar os bois no pasto, pra ser mais honesta, ser observado por eles, que param tudo e olham pra gente sem piscar. Muitos saem de onde estão e vem correndo pra nos acompanhar, sempre olhando. Como são todos iguais, olhando ao mesmo tempo, é engraçado. Nos lembraram as gaivotas de Procurando Nemo.

Por volta de 13km de caminhada pegamos um trecho chato de asfalto da BR 153 de aproximadamente 3km, que vai até uma banca de coco na beira da estrada. Ao lado  fica a estradinha de terra para Radiolândia.

Esse trecho de asfalto, feito no calor do meio dia, foi demais para duas companheiras de caminhada que ficaram na banca de coco, de onde chamamos o Tiago do pouso em Radiolândia para resgatá-las e seguimos pela estradinha por mais 7km, dando um total de 23km.

Esse final foi tranquilo, com pouca elevação, novamente passando por pequenas fazendas. Muitas frutas pelo caminho, especialmente cajuzinho, mutamba e também algumas mangueiras. O percurso acaba na rua principal de Radiolândia e a gente já se refresca com uma cervejinha no mercadinho do Tiago, em frente à igreja.

O único pedaço com marcação ruim foi o do asfalto que mostra a saída e só reaparece na entrada da estradinha depois da banca de coco. Percebemos que as marcações nos trechos de asfalto duram muito menos, pedindo atenção redobrada nesses pedaços.

Resumo do trecho

Passa por fazendas antigas de gado de leite e corte. Muitas frutas na primavera, e dois lugares pequenos pra se refrescar durante o trajeto.

Trecho relativamente leve, com pouco sobe e desce. O maior desafio é o pedaço no asfalto e o fato de ter vindo do dia mais longo de caminhada (Caxambu).

É possível conseguir água logo no começo, no povoado de Caxambu, onde também é possível comprar quitandas como pão e biscoito de queijo pra levar.

Após 15/16km de caminhada tem a banca de coco na beira do asfalto onde é possível conseguir água.

_ O trecho 6 que vai de Radiolândia a São Francisco nós pulamos para cuidar das bolhas, fomos direto para o trecho 7, um dia depois. _

Dia 6 – trecho 7  – de São Francisco até o entroncamento para Palestina, antes de Jaraguá – 22km ao todo

O trecho sai de frente da Associação do caminho de Cora, na praça principal de São Francisco, que é uma cidade histórica como Pirenópolis, com casario muito bonito. A Associação esta sediada em um desses prédios históricos, onde também está o Museu das Cavalhadas de São Francisco, ambos na residência do Sr. José Roberto, que preside a associação e tem muito a dizer sobre goianidade e a história da região.

Saindo de São Francisco, os primeiros 6km foram no asfalto (GO 529) até chegar na estradinha de terra que vai à Jaraguá. Começa com subida, mas como pegamos o trecho bem cedo (ainda estava escuro) não sentimos tanto, estava fresco com poucos veículos e logo chegamos na entrada.

Como todo trecho de asfalto, esse também estava com as marcações apagadas. Tem uma ultima indicação na saída da cidade, e só vai ter outra na entrada da estrada de terra (vimos pelo instagram do Caminho que estavam reforçando as marcações de São Francisco depois que passamos por lá).

O caminho acompanha o Rio Pari que corre logo abaixo da estrada, mas infelizmente não tem lugares para banho sem desvios. Como nos trechos anteriores, aqui também passamos por fazendas pequenas e algumas plantações, como um grande abacaxizal, dos muitos que têm em Jaraguá, que é a capital do abacaxi e produz um dos melhores do país.

O trecho cruza a Ferrovia Norte Sul e não tem muitas elevações, é praticamente plano, o que facilita a caminhada. Por outro lado, tem pouca sombra em boa parte dele e apenas dois cursos d’água pequenos, que serviram apenas para molhar o rosto e jogar um pouco na cabeça.

Apesar do calor, fizemos o percurso bem rápido, começamos as 05h30 e terminamos as 10h30, foi um recorde apesar das bolhas nos pés (que chegaram no limite justamente aí).

Originalmente esse trecho vai até Jaraguá. Acontece que os 10 últimos quilômetros são de subida íngreme para chegar na cidade (onde seria o pouso) e no dia seguinte o caminhante tem que voltar os 10km do dia anterior para chegar exatamente no ponto onde paramos e dali seguir para Palestina. Ou seja, é um vai e volta desnecessário e com muita subida.

Esse pedaço é um dos gargalos do Caminho. Originalmente o trajeto seria outro, subiria por dentro do Parque Estadual da Serra de Jaraguá que é muito bonito, sairia na cidade e dali voltaria descendo os 10km de subida, fazendo um circuito sem vai e volta. Para viabilizar o trajeto dessa maneira é necessária a construção de uma ponte para pedestres sobre o Rio Pari. Infelizmente ela ainda não existe, mas é uma das demandas da Associação do Caminho e estamos na torcida para que se realize.

Nós fomos até esse ponto aqui: Próximo a Unnamed Road, Jaraguá – GO, 76330-000

https://goo.gl/maps/bQstGbF9dVBPdq5p6 daí um amigo nos resgatou e outro iria nos levar de novo ao mesmo ponto no dia seguinte para retomarmos a caminhada, infelizmente as bolhas não deixaram a gente continuar e tivemos que adiar o que faltava do Caminho.

Resumo do trecho

Como os anteriores passa por fazendas antigas. Muitas frutas na primavera, e dois lugares pequenos pra se refrescar durante o trajeto.

Trecho relativamente leve, com pouco sobe e desce.

Não há agua ou comida a venda no trecho, necessário levar. Caso não tenha um resgate como tivemos é necessário fazer o trecho completo, até Jaraguá, o que significa mais 10km de subida.