Comida Honesta – Paraty para todos!

Esse post aqui é diferente, faz parte da categoria Comida Honesta, que era meu blog antiguinho, pré-Cozinha da Matilde, onde eu postava dicas de lugares bacanas para comer bem, sem doer no bolso. É a primeira postagem Comida Honesta que faço aqui. Espero que gostem!

Paraty… foi nosso porto alegre desde sempre, íamos ao menos 3 vezes ao ano. Sempre fechávamos nossas férias com uns dias em Paraty. Foi lá que passamos nossa lua de mel e cada vez que eu avistava o portal de entrada meu coração disparava, e depois, na hora de ir embora, ficava apertadinho…

Mas o fato é que nas ultimas duas idas à Paraty sentimos que a cidade não nos queria mais. Tudo deu errado, as coisas simplesmente “não rolaram”. Resolvemos dar um tempo e acabamos conhecendo a casinha da Barra do Sahy, que virou nosso novo porto alegre litoraneo.

Continuamos curtindo Paraty. É apenas um bode passageiro… um dia ela volta a se abrir prá gente e então voltaremos a nossas caminhadas noturnas por suas vielas e aos fins de tarde no Morro do Forte…

Até lá, aqui estão nossas de Paraty, que sempre passamos aos amigos e que achei bacana para um post!

Parati para mim!

O melhor de Paraty é ser uma cidade hibrida: histórica e à beira mar! Tem a pegada praia e também montanha. Isso faz com que seja legal ir até lá em qualquer época do ano, mesmo nos dias frios e nublados. Existe uma cidade linda por ser descoberta, além da praia.

Na minha opinião o melhor programa paratiense é sair a esmo, batendo perna pelas ruas do centro histórico, deixar-se perder por vielas, parar aqui e ali pra um dedo de prosa, olhar uma lojinha, tomar uma cachaça, um café… enfim… fazer nada com muito charme!

Pousadas

Sempre que possível preferíamos ir a Paraty na baixa temporada, no inverno. A cidade fica mais vazia e aconchegante e em geral faz calor durante o dia o suficiente para pegar uma praia. Em julho e agosto a cidade está cheia de estrangeiros, já que é alta temporada para eles (férias).

Nesta época, fora de temporada, achamos mais legal não reservar pousada antes, gostamos de arrumar pouso ao chegar lá. Entramos de pousada em pousada e escolhemos a mais bacana.

Mas se quiser reservar antes, essas 3 aqui são muito boas:

- Pousada Recanto das Andorinhas - Virou nossa predileta nos ultimos tempos. A dona é uma graça, a pousada é linda o café da manhã ótimo! Eles têm quartos que aceitam cachorros e o jardim central é muito bonito.

- Pousada Morro do Forte - Fica em frente à entrada do Morro do Forte. É muito boa e tem um bom preço. O café da manhã é um pouco chutado, mas mesmo assim vale a pena. Se possível, pergunte sobre a disponibilidade do quarto do sotão (é o quarto onde os donos moraram), é lindo e graaande!

– E, para quem quer algo muito especial e não extorsivo, a dica é o Lê Gite de Indaiatiba. Passamos nossa lua de mel lá. Para quem quer sossego é o lugar ideal, fica a doze quilômetros de Paraty, sentido Angra, no Sertão da Graúna.

Além da pousada, é um dos melhores (senão o melhor) restaurante da região. Fica em um local paradisíaco, mas não é cara. Tem três bangalôs, que ficam no meio da mata, cada um com um caminho individual iluminado por tochas que dá em uma cachoeira com piscina natural e sauna. Tem ainda uma raia de piscina com água de cachoeira e fundo de pedras.

O café da manhã é um capítulo a parte, folhado de maçã francês feito na hora (assim como todos os pães), e a melhor omelete que já comi na vida, feita com ovos caipiras.

Restaurantes

Paraty tem um problema sério, tem muito estabelecimento bonitinho, mas ordinário, muita atenção. Os seguintes restaurantes são honestos e bons:

Le Gite de Indaiatiba – caso não opte por ficar na pousada deles, fica a dica: reserve ao menos um dia para almoçar no Gite. Em geral fazíamos isso na volta da praia de Mambucaba, em Angra. Tome uma caipinha de frutas, acompanhada dos patês da casa (tem um chutney de banana que é maravilhoso), curtam a cachoeira e depois saboreiem a comida do Olivier e da Valéria (sugiro o peixe com manga e pimenta – de sobremesa não percam a Tarte Tatin, com sorvete de canela). É importante ressaltar que o restaurante é um pouco caro, mas vale a extravagância de um dia iesquecível. Se chegar no final da tarde ainda pode pegar uma sauna…

- Punto Divino – o dono é italiano e faz uma comidinha italiana muito honesta. As massas são deliciosas, a pizza é bem boa, gosto das saladinhas, em especial a de rúcula, que usa rúcula fresca, de horta. O preço é muito bom.

- Thai Brasil – Já falei dele aqui nas Recomendações da Casa – Tailandês excelente e bem barato! Esse é imperdível, as donas são umas fofas, mãe e filha alemãs, na verdade eu voltaria a Paraty apenas para visitá-las! Elas mudaram de lugar:  na Rua Noel Rosa, n. 9, Portal das Artes Paraty – RJ

- Arpoador – a melhor moqueca, sem sombra de dúvida!

– Sorveteria Miracolo – Está entre os melhores sorvetes que já tomei na vida, os de fruta, especialmente, são de fato, um milagre, deliciosos. Experimentem os de goiaba, coco, banana e o de coco com ameixa… É também um ótimo lugar para um cafézinho.

- Barraca Cheiro de Camarão – IMPERDÍVEL – barraca da Márcia, fica na praia do Corumbê, comida super honesta, um PF de peixe frito sequinho com arroz, feijão, saladinha no capricho, moqueca, camarão.

Dica da dica: faça um passeio pela estrada de Cunha, é linda, e procurem pelos restaurantezinhos que tem no caminho, comidinha caseira, fogão à lenha, beira do rio… deliciosos! Tem um especial, o Restaurante da Clélia, que anda meio decadente, mas é bem simpático e fica em lugar lindo, na beira do rio.

Compras

- Ateliê Lúcio Cruzz – meu predileto, coisas lindas, vários artistas. Fica na Rua Dona Geralda.

- Traço Atelier – Rua da Praia – comprei aí uma peça bem legal, um toco de madeira pintado com mulheres, lindo.

- Tapetes de retalho no tear, são lindos e baratos, tem em qualquer lojinha, uma boa para compra-los é uma grande que fica na Rua da Praia. Panelas de barro também, são boas e baratas.

– Artesanato do quilombo – fica na estrada em frente à Trindade, mas em geral uma negra gordona fica vendendo à noite no centro de Paraty. As galinhas de palha que uso aqui são feitas no quilombo.

- Artesanato dos índios – ficam nas calçadas vendendo cestos e bichinhos de madeiras muito bonitos. Sempre fico de coração cortado de ver eles, os donos desta terra, passarem perrengue…

- Camisetas – as mais bonitas em minha opinião são as da Talismã e da Tangerina que está com uma série linda com aquarelas de canoas e baleeiras de Paraty.

- Barquinhos de madeira – são um charme. Perto do Lúcio Cruzz tem um ateliê só de barquinhos (pergunte onde fica), tem pintados e não pintados, e tem uns bem legais que são cortados ao meio para serem pendurados na parede. Tenho uma coleção e como são baratinhos costumo trazer de presente para todo mundo.

– A Casa da Cultura de Paraty além de linda e de ter sempre eventos bacanas, tem uma loja de artesanatos maravilhosa, eles trazem o trabalho dos pescadores, de quem mora longe.

- Casa do artesão – fica próxima à feira de artesanto – tem bons artesãos que expõem ali. Um deles faz uns espíritos santo lindos, tenho vários.

Passeios

Sair de barco um dia pela baía de Paraty é obrigatório na minha opinião. Mas atenção: nada de arrumar um barco grande cheio de gente, o mais bacana é alugar um pequeno e ir sóou com poucos amigos. Negociem com o barqueiro para passar o dia, fechem o preço. Veja bem, há que se negociar, a concorrência é grande.

Eu e o Má pegamos sempre o mesmo, coisa de nostalgia… é o Mimi, barco do Mestre Hildo (que já se aposentou). É o mais lento de todos, vão ser ultrapassadas por todos os outros, mas isso pode ser um atrativo… e tem mais, o rapaz que pilota o Mimi para onde a gente pede, é simpático e na dele. Na hora de negociar discuta bem onde quer ir, antes que os caras façam o passeio padrão.

No barco peçam uma paradinha na Ilha da Cotia, lindinha, tem uma caipirinha bacana. Umas paradas próximas a rochedos para um mergulho, uma entrada no saco de Paraty Mirim (se o tempo deixar), e outra paradinha em frente à casa do Amir Klink (somos fãs dele).

E o melhor: na volta, peçam para parar para comer na Ilha Catimbau, é uma das melhores comidas de Paraty: frutos do mar na plancha, um vinagrete de polvo maravilhoso. E além da comida boa, a ilha é minúscula, de muito bom gosto, e vcs podem ficar comendo e nadando, o restaurante fica em um deck em cima do mar, você pode nadar com os peixinhos… paraíso na terra.

Para o passeio de barco levem frutas e água mineral, pois assim vcs agüentam segurar a fome até umas 16:00 horas e então parar no Catimbau na volta para Paraty. Cheguem no cais por volta das 10:00 horas. O passeio de dia todo custa por volta de R$ 200,00.

Cachaça Maria Isabel a Maria Isabel faz a melhor cachaça de Paraty, é a cachaça que dão de presente para os participantes do FLIP. Muito boa, não fico sem a reserva especial. Para saber mais sobre a cachaça e o processo leia logo abaixo a harmonização, Marcelo dá uma aulinha!

Mas o melhor é conhecer a Maria Isabel… é ela que planta a cana e faz sua cachaça. Ela é uma mulher culta, inteligente com muita história para contar… e seu alambique fica em um lugar paradisíaco (foto acima), vale conhecer…

E ela recebe hóspedes em seu pequeno paraíso. Já ficamos hospedados lá. Fica a 7,4 km do trevo de Paraty em direção ao Rio de Janeiro, primeira entrada de terra à direita (depois da estrada que leva à Igreja N. Sr.a. dos Remédios no Bairro Corumbê), manter sempre às esquerdas nas bifurcações, seguir mais 1,3 km (024- 9999.9908).

- Praia de Mambucaba – Indo para Angra, fica na Vila de Trabalhadores da Eletronuclear, praia maravilhosa, super limpa, com ondas gostosas. Como é a Vila, só entram 100 carros de fora por dia. Ao lado dela, em direção a Paraty, fica outra praia deliciosa, quase deserta. Na volta de Mambucaba, vale uma passada pelo Lê Gite para almoçar.

- Picinguaba – fica bem antes de Paraty, ainda no estado de São Paulo, é uma Vila de pescadores muito lindinha. Nós já passamos umas férias em um casa alugada lá – tem uma ceramista muito talentosa que faz e vende peças lindas.

- Praia Brava de Trindade – Sem exagero: é uma das praias mais bonitas que fui. É rasgada  por um riacho de água doce que desagua no mar. É uma praia forte, com muitas ondas (em alguns pontos é muito forte, cuidado), e quase deserta. Não tem nenhuma barraquinha, o ideal é levar água e frutas para agüentar a manhã toda…

Fica na estrada de Trindade, um pouco antes de chegar na primeira praia, tem um porém, para chegar a ela tem uma trilha de uns 20 minutos que na volta é só subida, dá pra ir na boa mas tem que ter um mínimo de preparo, sedentários não agüentam. Mas aí tem um truque: dá para ir de barco de Trindade, depois é só marcar com o barqueiro o horário da volta. Pra quem curte praia é um achado. Um dia ainda vou fazer um lual com os amigos lá, passar a noite comendo peixe assado…

– Um pouco antes de Picinguaba (indo em direção ao rio), do lado esquerdo da pista, tem placas indicando a Casa da Farinha. É um moinho antigo, lindo, com uma cachoeira sensacional. Aproveitem para comprar a famosa e deliciosa farinha.

- Paraty Mirim – indo em direção à Sampa, vale dar uma escapadinha até Paraty Mirim, vila linda, com uma igrejinha bucólica na beira do mar.

IMPERDÍVEL – Em Paraty um dos nossos passeios prediletos é subir o Morro do Forte no fim de tarde, e então descer a rampa de pedra que fica lá em cima até a beira do mar para assistir o pôr do sol (na verdade, o sol se põe atrás, mas ficando na pedra, vc vê todos os reflexos que mudam as cores da muralha)… lindo, é possível observar todas as correntes marítimas.

Harmoniza com… por Marina Novaes (na Pick’up ) e Marcelo Pedro (no Copo)

 


Paraty, pedacinho do paraíso e também um destino popular aqui em casa. A viagem de carro merece um som especial, e como o post é diferente, a harmonizaçao é uma seleção de músicas, tipo trilha mesmo:

1. Move on up – Curtis Mayfield. Para entrar no clima.
2. As curvas da estrada de Santos - Roberto Carlos. Para ouvir com o vento batendo no rosto.
3. More than this - Roxy Music.
4. Do Leme ao Pontal – Tim Maia. Chegando no Rio de Janeiro, “que beleza”.
5. Nuvem Cigana – Milton Nascimento & Lô Borges. Pó, Poeira, Ventania. Eu vivo em qualquer parte do seu coração.
6. Lugar Comum – João Donato. Para ouvir no fim de tarde, na beira do bar.
7. Clariô – Gal Costa. Céu azul, manhã cedinho idéia boa.
8. The Tide is High – Blondie. Maré alta ou baixa, um reggae, é sempre praiano.
9.Quem mandou (pé na estrada) – Jorge Ben e Gilberto Gil. Paraty além de romântico, deixa a dúvida: “fico ou ponho o pé na estrada?”
10. Day tripper – Nancy Sinatra. Um bilhete só de ida!
11. Movin’ On up - Primal Scream. My life shines on

 

Paraty, além de ser um dos lugares mais encantadores para nós, também é sinônimo de cachaça, pinga, canjibrina, e tantas outras denominações que a bebida destilada nacional brasileira recebe em cada região do país. Está até na letra de uma música famosa na voz de Carmen Miranda: “Vestiu uma camisa listrada e saíu por aí, em vez de tomar chá com torradas ele tomou Paraty…” Pois bem, Paraty no século XVIII além de ser um dos principais portos de exportação do ouro das Minas Gerais também era conhecida pela qualidade de seus alambiques e da sua cachaça. Ainda hoje existem passeios por praias que tem ruínas de engenhos de cana-de-açúcar, que além de produção de melaço, rapadura e açúcar, também produziam cachaça da melhor qualidade. Daí ter-se tornado sinônimo de cachaça boa, a cachaça de Paraty.

Portanto, nada harmoniza melhor com a cidade do que uma boa cachaça. Claro que hoje em dia muitos produtores artesanais sucumbiram à produção industrializada, mas em Paraty existe uma maravilhosa alambiqueira, a Maria Izabel, que produz artesanalmente em seu Sítio Santo Antônio, de frente para a Ilha do Araújo na baía de Paraty, desde a cana-de-açúcar, o fermento artesanal e natural, sem adição de enzimas ou outros produtos químicos usados na produção de escala industrial, até a destilação em um lindo alambique de cobre, que utiliza lenha e apenas a gravidade do aclive do terreno para produzir na minha opinião, a melhor cachaça que já tomei. Melhor até que a Anísio Santiago (ex-Havana) de Salinas, que com sua qualidade e minúscula produção elevou a cachaça a valores de destilados mais famosos, como whisky escocês, ou cognac francês.

A produção da Maria Izabel é pequena, como deve ser o resultado do trabalho de uma artesã, o que torna seu preço mais elevado do que uma cachaça mais vulgar e de produção industrial ou sem o esmero, mas vale cada centavo. A sua Reserva Especial, que corresponde ao meio do coração da destilação, portanto a melhor, mais perfeita e redonda parte da cachaça, corresponde a apenas 5% de sua produção. Esta Reserva especial só é vendida lá no sítio Santo Antônio pela própria Maria Izabel, em garrafas de 750 ml. Mesmo em bares e restaurantes de Paraty que vendem a cachaça Maria Izabel (preste muita atenção, porque são poucos que realmente a têm), não existe a Reserva especial. Ela é perfeita, redonda, não queima nem um tiquinho, tem sabor característico e perfume de cana, envelhecida por meses em barris de carvalho, mas sem exagero nas notas de madeira. Deve ser tomada purinha, antes ou depois da refeição.

As demais cachaças, envelhecidas em outras madeiras, como jequitibá, são ótimas também, mas se você as provar depois da Reserva, vai achá-las menores. Portanto, ao visitar a Maria Izabel, comece por elas e termine com a Reserva. Além de também serem muito boas purinhas, são ótimas para fazer caipirinhas. Ou você é daqueles que ainda acha que para caipirinha qualquer cachaça industrializada e baratinha serve? Depois não reclame da ressaca…

E a Maria Izabel, que vem de uma família ligada a fabricação e cachaça, tambéem produz a cachaça azul, destilada com folhas de mixirica, sem envelhecimento em tóneis de madeira. Ela é mais alcoólica por não sofrer evaporação, tem um leve tom azulado, muito bonito, quando visto contra a luz, e tem um perfume cítrico delicioso. É perfeita para uma receita de camarões flambados na cachaça com molho de creme fresco e raspas de mixirica, servidos com tagliatele.