Frango caipira com pequi e tomate – o prato preferido da cozinheira!

Receita de Frango com pequi e tomate do episódio Minas e Goiás – os pratos favoritos da cozinheira – do programa Receitas Brasil da Sony

Desde 2005, quando voltamos de Brasília e eu não encontrei mais frango caipira de verdade à venda, que eu não comia/fazia essa versão aqui com pequi e tomate, meu prato favorito desde a primeira vez que comi, em Tocantins, trinta anos atrás.

Foi do meu pai a ideia de acrescentar ao frango com pequi alguns tomates pequenos e muito vermelhos que encontrou à venda no mercado municipal de nossa cidade, Pedro Afonso. Esse dia ficou cristalizado na memória. Ainda hoje quase posso ver as bacias de tomatinhos na banca com formatos diferentes e que deviam ser plantados por ali mesmo, junto com melancias nas hortas da beira do rio.

O resultado ficou tão bom que acabou incorporado aos pratos da casa. Até hoje me lembro de como achei perfeita a acidez leve do tomate, na medida certa para quebrar a oleosidade do pequi e “abrir” o sabor do prato, que ganha leveza e se eleva na boca até a gente enterrar os dentes na polpa carnuda do pequi e voltar ao chão.

Achei meu pai genial! E foi ali, acredito eu, que me dei conta pela primeira vez de que podíamos alterar e até criar receitas.

Muitos anos depois, quando fomos morar em Brasília, e me deparei com a ampla oferta de frango caipira e pequi à venda nas feiras locais, resgatei a receita que repeti inúmeras vezes nos almoços de fim de semana e confirmei, de uma vez por todas, o favoritismo do prato em meio a tantos outros sabores queridos.

E a verdade é que, talvez não seja apenas o sabor o que me agrada tanto neste prato, mas o fato de traduzir o que eu sou e a saudade que sinto de um lugar que só existe aqui dentro: confortável, acolhedor, com sol quente e cheiro de cerrado.

 

Frango caipira com pequi e tomate

 

Ingredientes

Os pequis eu sempre consigo encontrar aqui em Sampa no fim do ano (quando é época deles); e como são sazonais, aproveito para comprar uma saca de 25 kg e então congelo as porções na medida para cada refeição.

O frango caipira é o mais complicado… a gente até acha uns pseudocaipiras à venda no supermercado, mas cá entre nós… estão muito mais pra “country” que caipira, basta olhar a consistência da carne, a pele, para perceber que não tem nada a ver com um frango caipira de verdade. Por falar nisso, na sexta vai ter post aqui sobre o assunto, e as diferenças entre um e outro. Se você tem interesse pelo tema, não perca.

  • 1 frango caipira
  • 1 cebola brunoise (cubos mínimos)
  • 1 colher (sopa) de óleo de canola
  • 4 dentes de alho brunoise (cubos mínimos)
  • + ou – 15 caroços de pequi pré-cozidos em água por aproximadamente 20 minutos (reserve a água do cozimento)
  • 8 tomates bem maduros partidos em 4
  • 5 pimentas bode
  • salsinha picadinha (separe os talos picadinhos também)
  • sal a gosto

 Modo de fazer

Sue a cebola no óleo com uma colher (sobremesa) de sal. Acrescente duas pimentas bode partidas ao meio e os talos da salsinha. Junte o alho.

Junte os pedaços de frango e deixe que dourem. Quando começarem a grudar na panela, acrescente dois copos de água e, com o auxílio de uma colher, limpe o fundo da panela, roubando toda a cor que se acumulou ali para a carne do frango. Deixe reduzir o líquido, e quando a carne estiver grudando, acrescente de novo mais 2 copos de água, e assim sucessivamente. Repita este processo 6 vezes.


A esta altura do campeonato o frango já pegou uma cor incrível e, de quebra, todo o sabor dos aromáticos.

Hora de tomates e pequis irem pra panela.

Refogue bem e, então, acrescente a água do cozimento do pequi até um pouco mais da metade da panela (se for necessário, complete com água pura). Junte as pimentas restantes, tampe a panela e deixe cozinhar por aproximadamente 30 minutos.

O resultado deve ser um caldo grosso, marrom avermelhado… se for necessário, destampe a panela e deixe reduzir o caldo mais um pouco. Ajuste o sal.

Polvilhe com a salsinha picada, sirva com angu, saladinha de alface e arroz branco… e se for do seu agrado, também vai bem acompanhado por um refogadinho de guariroba ou quiabo com jiló!

Bom apetite, e não se esqueça de deixar os caroços do pequi secarem para depois retirar a deliciosa castanha que fica guardadinha lá dentro, protegida por um exército de espinhos afiados!

Harmoniza com… por Marina Novaes (na Pick’up ) e Marcelo Pedro (no Copo)

The Fifth Dimension – Age of Aquarius/Let the sunshine in
Disco: The Age of Aquarius

Escrevi este texto e tava guardando do lado esquerdo do peito, dentro do coração, debaixo de 7 chaves. E se o Frango Caipira com Pequi e Tomate é o prato da cozinheira, tomara que a harmonização tenha ficado à altura:

Conheço uma moça que chora quando ri. Não só quando dá uma risadona, mas quando exprime um sentimento puro. Uma vez presenciei os olhos dela cheios de lágrimas depois de um baita elogio do marido. Acho que por ser uma pessoa intensa, parece que em tudo o que ela se mete, escolhe, ou trilha, tem que ser inteira, honesta. Às vezes ela se decepciona com pessoas ou situações, mas é porque ela leva ao pé da letra o “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. (E quando isso acontece… vixe, a pessoa é deletada sem chance de recuperar na lixeira).

Eu mesma, vez ou outra, sinto isso também. Eu me emociono tão fácil, às vezes também fico tão feliz que choro. E quando isso acontece, eu fico querendo que o tempo congele, de tão gostoso que é. Imagina se isso acontece sempre com você? Eu já tinha falado isso pra ela, mas estes dias ela me contou que uma amiga de infância, que não via há décadas, disse que quando lembrava dela pensava na “menina que chorava quando ria”. Confirmada a intensidade, inteireza e honestidade de ser. E adiciono também alegria e leveza, predicados que tenho prezado muito.

E esta moça também é dada a se emocionar com música. Um pouco badauera, diga-se de passagem, adoooora uma letra-cabeça, mas como tudo na sua vida, tem bom gosto. Já passamos muito tempo ouvindo música, sabemos quase todas as letras da Rita Lee de cor, entendemos todo o disco “Ogum, Xangô”, do Jorge Ben e Gilberto Gil, e até fizemos uma festa porque queríamos dançar “Over and Over” do Hot Chip (mas não nos encontramos na pista, vamos ter que fazer outra festa!).

Mas a música que mais lembro dela, (nem é tão boa assim, ela deve saber disso) é “Aquarius/Let the Sunshine In”, que é uma junção de duas canções do musical Hair (1967). E o mais gostoso é ouvir e dançar. Mas tem que ser uma dança assim sem ritmo, com as mãos pra cima na hora que fala “This is the dawning of the age of Aquarius/Age of Aquarius/ Aquarius……….Aquariuuuuuuuuuuuus”. A música fala da crença astrológica de que o mundo, ao entrar na Era de Aquário, irá experimentar uma época de amor, paz, democracia e humanidade. Aiaiaiai, acho que quando esta Era chegar, a moça vai viver chorando, rindo e dançando!

Sou um dos poucos que gosta do cheiro, da cor e do sabor que o pequi dá aos pratos, mas não sou muito fã de roer a polpa do caroço. Acho sem graça, uma vez que a cor, aroma e sabor são liberados no cozimento. Para quem nunca comeu pequi, seu sabor e aroma são intensos, algo entre pungente e floral/frutado, marcantes mesmo. Difícil a tarefa de harmonizar com uma bebida. Portanto, minha dica para esta iguaria goiano-mineira é optarmos pela tradição. Uma dose de cachacinha para abrir o apetite, de preferência de alambique mineiro artesanal, mas de qualidade (as da cidade de Salinas e Januária, do norte de MG são excelentes). E nada mais brasileiro do que acompanhar este prato com uma cervejinha lager gelada (as nossas pilsen mais comerciais são lager, mas muito aguadas, fraquinhas). Indico uma cerveja lager premium, ou seja, que não usa outros cereais não maltados como milho e arroz, que tomei outro dia e achei muito boa: Bauhaus premium lager beer, fabricada em Frutal-MG. É leve, refrescante, mas com sabor de malte bem marcado, amargor mediano, bom corpo, que não vai brigar com o sabor e aroma do frango com pequi, e desce muito redonda. Saúde!