Frango com chips de quiabo e angú de milho verde

Como boa mineira, adoro frango com quiabo! Quando moramos em Brasília era um dos pratos que eu mais fazia em virtude da facilidade de encontrar um bom frango caipira, artigo raro aqui em Sampa.

Essa aqui é uma versão deste clássico mineiro. Em lugar de fazer o frango ensopado fiz assado com uma crosta de pimenta bode e salsinha. Com o quiabo eu fiz chips e para acompanhar um angú de milho verde e saladinha de tomate com cebola.

Fiz em causa própria para um almoço delícia em companhia da Evane, Hamilton e da Wilma. Não sobrou nenhum naco prá contar a história. Mas eu atesto: ficou delícia!

Frango assado com chips de quiabo e angú de milho verde

 

Ingredientes (4 porções)

Frango

  • 4 sobrecoxas de frango caipira ou orgânico
  • 5 colheres (sobremesa) manteiga sem sal
  • 1 cebola brunoise
  • 3 dentes de alho brunoise
  • 1/2 garrafa de vinho branco seco
  • 2 pimentas bode brunoise (cubos mínimos)
  • 1/2 maço de salsinha brunoise
  • sal e pimenta do reino a gosto

Chips de quiabo

  • 12 quiabos partidos ao meio no sentido do comprimento

Angu de milho verde

  • 8 espigas de milho verde
  • 1 colher (sopa) de manteiga sem sal
  • 1 xícara de leite integral

Modo de fazer

Frango

Faça uma marinada com a cebola, alho, o vinho, metade da salsinha e pimenta do reino a gosto (não coloque sal agora, só no momento de levar ao forno). Deixe as sobrecoxas na marinada por 2 horas.

Misture a pimenta bode com metade da salsinha, acrescente pimenta do reino e sal à gosto para fazer a crosta.

Retire as sobrecoxas da marinada, seque-as com um papel toalha e então passe sal levemente na superfice de cada uma delas.

Passe cada uma das sobrecoxas na crosta e disponha em um refratrário. Coloque uma colher de manteiga sobre cada pedaço de frango e uma colher diretamente no refratário.

Tempere a marinada com sal e junte-a ao refratário com cuidado de não jogar diretamente sobre as sobrecoxas para não estragar a crosta.

Cubra o refratário com papel alumínio e leve para assar em forno pré aquecido na temperatura alta por 25 minutos. Passado este tempo, retire o papel alumínio para que as sobrecoxas dourem.

Enquanto a carne doura, transfira (com o auxílio de uma concha) praticamente toda a marinada para uma panela pequena e leve ao fogo baixo para que reduza até obter um molho dourado. Reserve.

Chips de quiabo

Disponha os quiabos com a polpa virada para baixo em uma frigideira antiaderente (sem nenhum óleo ou azeite) e leve-a ao fogo mínimo até que a polpa do quiabo fique marrom escura, caramelizada. Reserve.

Angu de milho verde

Com uma faca solte os grãos de milho da espiga, adicione o leite e triture-os com o mixer (ou bata no liquidificador). Passe a mistura por uma peneira e então leve ao fogo com a manteiga mexendo sempre até que fique na consistencia de angu mole. Ajuste o sal e reserve.

Montagem

Em um prato disponha o angu, sobre ele as sobrecoxas e então os chips de quiabo. Regue com a redução da marinada.

Sirva com uma saladinha de tomate com cebola temperada com limão e azeite, a acidez perfeita para completar os sabores do prato.

Harmoniza com…por Marina Novaes (na Pick’up ) e Marcelo Pedro (no Copo)

Tudo o que Você Podia Ser – Roberta Sá

Flores do Clube da Esquina (2008)

Quando se fala em comida mineira, frango com quiabo é uma das primeiras coisas que passam pela a cabeça. Para mim equivale a pensar em música que representa Minas Gerais. Na hora penso no Milton Nascimento com todos os afetos, cheiros, sabores e lembranças. É uma mistura de nostalgia e sentimento.

E o Frango assado com chips de quiabo e angú de milho verde é um releitura bem gostosa daquele clássico. Assim como a Roberta Sá cantando “Tudo o que Você Podia Ser”, faixa que abre o disco Clube da Esquina (1972) de Milton Nascimento e Lô Borges, obra prima da música brasileira. A cantora potiguar, nesta coletânea que homenageia o disco, dá uma roupagem deliciosa na música com um arranjo samba-suingue que já é sua marca registrada.

Minha recomendação para harmonizar com o neo frango com quiabo é um vinho rosé. Os rosés já estiveram em alta nos anos 60 e 70 com o famosíssimo Mateus Rosé, com a garrafinha bojuda e o rótulo com o belo palácio de Mateus. Não é um grande vinho, mas por ser levemente frisante, servido fresquinho pode ser ótimo como aperitivo num dia quente. Mas os que vieram depois dele, foram taxados de vinhos de baixa qualidade, docinhos, levinhos, muito por causa dos péssimos Lambruscos italianos. Mas nos últimos anos vários produtores sérios vem fazendo ótimos vinhos rosés, com varietais como Malbec e Syrah. Recomendo um que tomei ano passado produzido pela vinha Montes a partir de uvas Syrah, o Cherub, que é ótimo.