Garfo & Foco: Pequi or not Pequi

“Das tuas lágrimas nascerá uma planta que se transformará numa árvore copada. Ela dará flores cheirosas que os veados, as capivaras e os lobos virão comer nas noites de luar. Depois, nascerão frutos. Dentro da casca verde, os frutos serão dourados como os cabelos de Uadi. Mas a semente será cheia de espinhos, como os espinhos da dor de teu coração de mãe. Seu aroma será tão tentador e inesquecível que aquele que provar do fruto e gostar, amá-lo-á para jamais o esquecer. Como também amará a terra que o produziu. Todos os anos, encherei, generosamente, sua copa de frutos, que os galhos se curvarão com a fartura. Ele se espalhará pelos campos, irá para a mesa dos pobres e dos ricos Quem estiver longe e não puder comê-lo sentirá uma saudade doida de seu aroma. Nenhum sabor o substituirá. Ele há de dourar todos os alimentos com que se misturar e, na mesa em que estiver, seu odor predominará sobre todos. Ele há de dourar também os licores, para a alegria da alma”. A Lenda do Pequi de Marieta Teles Machado

Pergunte a um goiano: – Você gosta da sua mãe? – Gosto! – Dos seus filhos? – gosto! – E de pequi? – Vixe!!!

É mais ou menos esta relação de amor que sinto por essa frutinha do cerrado. Tudo no pequi me encanta, a começar pela árvore forte, uma sobrevivente de cascas grossas e os troncos retorcidos que luta contra altas temperaturas, seca e queimadas. Sobrevivência é com ele mesmo. Vive e deixa viver. Generoso, combate a fome, tem alto teor nutritivo, é rico em óleos, vitamina A e proteínas, ajuda no tratamento de asmas e bronquites e tem sido estudado por suas propriedades antioxidantes e por proteger o organismo de pacientes com câncer dos efeitos nocivos da quimioterapia.

O fruto é lindo, verde e amarelo como que para atestar seu legítimo sangue brazuca. Para utilizá-lo é preciso retirar a casca de fora, verde (muito parecida com o abacate) para chegar ao caroço amarelo ouro, revestido de polpa. Depois de cozido o pequi deve ser roído, soltando a polpa delicadamente com os dentes com cuidado para não morder, pois no meio ele é cheio de pequenos espinhos vermelhos que por sua vez protegem a castanha, que fica guardadinha no meio do fruto e que a gente tira com um palito depois de cortá-lo ao meio.

Mas é mesmo na panela que o pequi brilha! Vedete da culinária goiano/mineira empresta seu sabor e perfume intensos para muitos preparos. Os pratos mais famosos são o arroz e a galinhada com pequi, mas também fica bom com carne, puro e há quem coma cozido apenas em água e passando o fruto pelo açúcar… Eu gosto de qualquer jeito, fico eufórica quando sinto o perfume espalhado pela casa, mas com frango caipira e tomates como meu pai fazia em Tocantins é o meu preferido (e que logo vai virar post aqui).

A coleta é uma festa. Os frutos caem durante a noite (não podem ser apanhados, precisam amadurecer e cair) e pela manhã a criançada sai em busca dos maiores em uma competição divertida. Eu era tão fanática que já comia alguns crus e nem esperava chegar em casa (mas não faça isso que não é gostoso, apenas o paladar de criança de roça agüenta… rsrsrs) e enquanto colhe você aproveita para sentir o cheiro de mato e sol do cerrado.

E quem não tem cerrado no fundo do quintal para se dar ao luxo de um passeio de manhã cedo em busca dos frutos maduros, pode dar um pulinho no mini CEASA, ao lado da Zona Cerealista e comprar uma saca in natura. Estamos em plena época. Aí é só levar para a casa, tirar da casca e congelar: pequi o ano inteiro em Sampa!

Essa sessão foi feita apos uma incursão minha e de Gabi pelo mini Ceasa quando preparávamos o Role Garfo & Foco. E para saber o que a Gabi achou desta sessão e do pequi, acesse Dia+Positivo.