Na Cabeceira 45 – Marvada Pinga – Cachaça Imaculada

marvada pingaMarvada Pinga – Cachaça Imaculada

“Farinha de Suruí, fumo de Baependi e cachaça de Parati. É só comer, beber, pitar e cair.” (Conde  D’)

Faz tempo que tenho esse DVD, comprei em Parati pelas mãos da Maria Isabel, que além de ser uma amiga querida (e de fazer umas das melhores cachaças do país) também está no filme, como não poderia deixar de ser. É um “Pingomentário”, de Alejandro Gedeon e Lia Zagury, e já começa contando que a história da cachaça não foi escrita, mas está nas entrelinhas da história do povo brasileiro.

Segundo o filme, nossa pinguinha chegou por aqui em 1531, em São Vicente, pelas mãos de Martim Afonso. A produção acabou subindo sentido ao Rio de Janeiro, e em Parati teve um dos seus primeiros pólos produtores, tanto que o nome da cidade já foi sinônimo da branquinha (alguém aí se lembra da letra de Camisa Listrada? “Em vez de tomar chá com torrada, ele tomou parati”). Apesar do histórico, triste constatar que esta época passou e hoje em dia existem poucos engenhos em Parati, um deles é o da Maria e prometo um post todinho sobre ela aqui.

Mas o filme não fica apenas em Parati (cidade que amo), longe disso. Vai fundo no assunto, viaja pelo Brasil e explica tudo sobre terroir, regiões produtoras, processo de produção, fermentação, destilação, envelhecimento (o mito dos barris de carvalho), as diferenças entre as branquinhas artesanais e as industrializadas, além de entrevistar historiadores, sociólogos, pingófilos e pinguços!

Gostei tanto que em uma das minhas visitas ao Rio fiz questão de conhecer “Seu” Oswaldo, figuraça do filme, considerado o maior cachaceiro do Rio, dono da Casa da Cachaça, boteco frequentado pelo cartunista Jaguar (que também está no filme), onde tomei umas acompanhadas de pickles de jiló e assuntei para o movimento da Lapa no fim de tarde, passeio que recomendo!

O filme fala também do preconceito que envolve a bebida, que já foi proibida e até hoje é sinônimo de quem tem problemas com álcool. Ou alguém aí já ouviu falar em conhaqueiro ou whiskeiro como alcunha para bêbado? É pinguço ou cachaceiro mesmo, não é? E sabe por quê? Cachaça é muito barata e popular, acessível a qualquer um, daí o preconceito arraigado, reforçado por nossa síndrome de colônia, que só valoriza o que vem de fora. Deve-se a este pré-conceito o fato de nossa bebida nacional não brilhar muito na gringa, já que atributos não lhe faltam para conquistar mercados e corações.

Por fim, convida a conhecer a cachaça para acabar com o preconceito e assim reconhecer seu valor. Então bora lá, ficar PHD no assunto pra poder bater no peito e encher a boca quando o assunto é a marvada! E fica a dica do Seu Oswaldo: O gelo conserva os defuntos, o álcool conserva os vivos! Quem bebe não tem doença nenhuma! ;)