Pé na estrada 1 – as primeiras do Uruguai

por Marcelo Pedro

Há algum tempo tenho sido fonte de orientações e dicas de restaurantes e viagens a amigos e colegas de trabalho. Provavelmente devo a fama de guia de turismo e gastronomia ao fato de gostar muito de viajar, e fazê-lo com frequência maior que dos meus amigos, e de ser casado com a Léti, cuja fama de boa cozinheira é ubíqua entre eles. Portanto, irei transformar em posts para compartilhar aqui algumas dicas que escrevi para vários amigos. Espero que vocês curtam como eu quando viajei, e quando as escrevi.

Para iniciar, dicas de um país e uma cidade que amamos, o Uruguai e Montevidéu. Talvez em um futuro breve vocês queiram nos visitar por lá, em nossa aposentadoria. Como disse o ex-presidente José “Pepe” Mujica, na Conferência Rio+20: “Somos um país muito pequeno, de 3,5 milhões de pessoas e umas 13 milhões de vaquinhas muy buenas.E é pra lá que eu vou!

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1. No Mercado do Porto, que hoje só tem restaurantes e bares, não perca tempo com nenhum outro restaurante. Fique no El Palenque e não sente nas mesas, sente no balcão, em frente à parrilla. Parece um sushi bar, mas de churrasco. Coma o bife ancho com hueso, o assado de tira e a picanha. Tem também miúdos, que adoramos, como chinchulines, chotos, molejas e morcillas. Pelo menos experimente algum deles. Tem frutos do mar também, e cordeiro, mas ainda não conseguimos prová-los, porque a carne é boa demais. Vale a pena pedir os legumes pra acompanhar, especialmente as cebolas assadas, pimentões e o melhor de todos, a batata doce cor de laranja, boniato, com açúcar caramelado a ferro, como um créme brulé. Ficamos amigos do parrillero, o Santiago, super simpático. Tem um tiozinho figura, mas ele fica mais do lado dos frutos do mar.

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2. Para refeições rápidas tem a Cervezaria La Passiva, na Sarandi (rua principal da Ciudad Vieja) e na Av. 18 de Julio. É tipo fast food, mas com pegada uruguaia, ou seja, vieja! Com garçons e garçonetes com cara de garçons de décadas passadas, menu extenso, muita mayonesa, ensaladarussa, fritas… mas o melhor é o Chivito: sanduba de filé, ovo, presunto, queijo, salada. Peça o Canadense, que tem Bacon. O normal, dá pra dividir. No prato dá pra umas 3 a 4 pessoas. Também tem boa torta pascualina (ovo e acelga) pros vegetarianos.

3. Na praça da matriz, em frente ao La Passiva, tem uma feira de antiguidades ótima no sábado. Vale a pena, porque antiguidade boa e que funciona é lá mesmo.

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4. Hospede-se na Ciudad Vieja, em hostel. Tem ótimos hostels, como o que ficamos, Posada al Sur, com quarto de casal e banho privado. Mas tem outros bonitinhos. Dê um google. A vantagem é que muita coisa legal está na ciudad vieja, inclusive o Mercado do Porto, o Museu Torres Garcia. E você passeia por tudo a pé. Dizem que pros lados do porto mesmo e da rambla é meio perigoso depois das 22h. Mas pra quem mora em SP, é só não bobear com câmera e cara de turista.

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5. Outra opção é ficar no Centro, próximo a 18 de Julio. Dá pra ir a qualquer lugar de bus e tem muitas linhas que vão até a Plaza Independencia, entrada da ciudad vieja, sede do governo e do Teatro Solís. Se quiserem ficar num bairro mais chique, meio jardins nosso, fique em Pocitos. Mas é bem mais longe, e terão que pegar transporte sempre.

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6. Na ciudad vieja, na calle 25 de mayo tem a melhor confeitaria típica uruguaya chamada Confiteria 25 de mayo! Eles adoram doces, mediaslunas recheadas com dulce de leche ou geléias. Compre uma porção e vão comer na rambla ao fim da tarde, com Mate, programa tipicamente uruguayo.

7. A rambla é sensacional, são quase 30Km de calçadão beirando o rio de la Plata, que ali está mais pra mar, com 400Km de largura. As praias não encantam, mas é muito agradável andar a pé ou de bike. Aluguem e façam um passeio, do centro até o parque Rodó, um caminho bem plano.

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8. Seguindo pela calle Sarandi na ciudad vieja em direção à rambla, chega-se a escollera Sarandi, um enorme pier que avança dentro do rio de la Plata e onde dezenas de montevideanos vão pescar. Tem um bar próximo a entrada da escollera onde servem bebidas, petiscos e vendem iscas para a pescaria, com paredes cobertas de fotos de pescadores e seus troféus. Fomos na época da pesca da corvina negra. Vá ao final da tarde, e curta um pôr do sol de cair o queixo no Rio de la Plata.

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9. No parque Rodó, tem um parquinho de diversões, onde tem uma barraca de churros incríveis. Fininhos, crocantes, só com açúcar e canela, sem doce de leite.

10. Em Pocitos, na praça Biarritz, tem uma feira livre aos sábados. Vale a pena ir pra comprar frutas, queijos, frios e fazer um picnic. Tem padaria perto, pra comprar pão.

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11. Nos bairros de El Sur e Palermo vale a pena andar sem rumo de dia, só pra se sentir na década de 50. Dizem que a noite tem tango e candombe (o samba dos uruguayos), mas nós nunca achamos. E como somos diurnos, em geral andávamos o dia todo e dormíamos cedo. Reparem nos bares, que são misto de boteco, restaurante e padaria. Ao final da tarde e noite, os locais frequentam seus pontos favoritos. Muito pitoresco.

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12. No domingo tem que ir à feira das rua Tristán y Narvaja. Feira livre, roupas, antiguidades, camelôs. Ocupa umas 8×6 quadras, ou mais. Super colorida e cheia, exceto se chover!

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13. Esqueça Punta del Este, é coisa de novo rico argentino e brasileiro. Fora que é um deserto no inverno. A única coisa boa de lá é a fábrica de Dulce de leche La pataia, o melhor do Uruguai. Mas compre no supermercado na capital.

14. O vinho uruguaio é ótimo e surpreendente. Nos últimos anos novas vinícolas, ou bodegas, surgiram e levaram a vitivinicultura uruguaia para muito além do duríssimo Tannat. Há várias bodegas em Canelones, município da Grande Montevidéu. Vá à Bodega Bouza de táxi (dá meia hora e custa uns R$ 40,00),  que tem um restaurante ótimo (o melhor cordeiro que já comi). Faça reserva pela internet para uma visita guiada e degustação no almoço. Mas não seja pão duro, gaste um pouco mais e faça a degustação superior (só os melhores vinhos). E compre o Monte Vide Eu, o top deles que custa entre US$ 50.00 ou 60.00 (mas aqui é mais de 100.00!), um ótimo corte de 50% Tannat, 25% Merlot e 25% Tempranillo.

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15. Colonia del Sacramento é muito bonitinha. Vale a pena dormir uma noite lá. Cuidado com os restaurantes pega turista no centro histórico. Saem ônibus a cada meia hora ou de hora em hora da rodoviária, perto do estádio centenário. São 2h e pouco. Também dá pra alugar carro. As estradas são boas e bem sinalizadas. Lá também tem tolerância zero com álcool, cuidado!

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Enfim, Montevidéu é pra turismo contemplativo, sem pressa, lá é tudo meio devagar, ritmo de velhinho!

PS- E quando formos a Cabo Polônio volto aqui com novas dicas!