Pé na estrada 2 – (I left my heart in) San Francisco

Por Marcelo Pedro

(notas em itálico por Letícia! )

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Gostamos muito de San Francisco e sempre mandamos esse pequeno roteiro com nossas dicas favoritas para todos os amigos que estão indo pra  lá e agora compartilhamos aqui com vocês:

O Hotel San Remo, onde já ficamos 2 vezes, em San Francisco é ótimo, estilo europeu, quartos pequenos mas de muito bom gosto, banheiros compartilhados, bem limpos, prédio todo de madeira, sobrevivente do grande terremoto, no bairro de North Beach. Fica pertinho do Fisherman’s Wharf, do ponto inicial dos bondinhos (cable cars). Vale a pena.

(O San Remo é cheio de plantas em vasos e formam uma espécie de teto verde pelos corredores, dá a sensação de estar em um grande jardim de inverno. Ao lado do San Remo um beco fofo, o Water Alley também cheio de plantas em grandes tambores.)

North Beach é o bairro da geração beatnik, intelectual, outrora dos imigrantes italianos, e hoje tem muitos chineses. Por isso há muitos restaurantes italianos, pizzarias que valem a pena. Comemos foccacias, excelentes, da Liguria Bakery.

O negócio é tocado pela 3ª geração da família Soracco e, apesar do nome padaria, só vende foccacia (uns 4 ou 5 tipos) aos pedaços, embrulhados em papel manteiga, em cash e entregues com peculiar desdém da proprietária. Mas são deliciosas! Especialmente a mais simples, de tomate e cebolinha. Fica em frente a Washington Square Park, na esquina da Stockton com a Filbert St.

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Na Washigton Square tem todo dia de manhã dezenas de velhinhas e velhinhos chineses praticando Tai Chi, Gong Li e outras danças chinesas. Minha dica, portanto, é, vá a Liguria Bakery, compre uma foccacia e sente-se num banco para apreciá-los enquanto toma o desjejum.

(Em frente à Liguria tem o Mama’s Café que serve um portentoso café da manhã, que tentamos insistentemente ir em nossas duas estadas, mas nunca conseguimos por conta das filas imensas… a dona do Liguria com seu peculiar bom humor, resmunga e maldiz o sucesso da vizinha, o que só faz a gente ficar com mais vontade ainda de ir. Quem conseguir, por favor, volta aqui pra contar!)

A 2 quadras da Ligúria pegue a Greenwich St. e suba a Telegraph Hill, para ir a Coit Tower. É uma caminhada tranquila, com vistas incríveis e jardins secretos, casas e prédios charmosos. No topo está a Torre em estilo art Déco, cercada de um belo jardim com belas vistas, desde que você suba antes do Fog!

Dentro da Coit há murais pintados em 1933 por estudantes e professores do California School of Fine Arts, o primeiro projeto para empregar artistas da política do New Deal. Os temas são a agricultura, o comércio e a indústria da Califórnia naquela época pós Depressão e pré II Grande Guerra, mas também os trabalhadores, de onde se observa uma temática esquerdista, quase marxista pros padrões estadunidenses.

Pode-se subir até o topo por um elevador, onde a vista e o vento são de arrepiar. Ao descer, saia pelo lado oposto ao que subiu, e você passará pelos mais incríveis jardins.jardins-secretos-em-san-francisco-secret-gardens-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)honeycomb-colmeias-san-francisco-california-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)

(Além dos caminhos que acabam sempre no céu que o Má conta aqui, são esses jardins secretos espalhados por toda a cidade o que mais me encanta em São Francisco. Caixas de abelha, livros para empréstimo, esculturas lindamente posicionadas ao longo dos caminhos e muitas outras delicadezas deixadas ali pra agradar quem passa. Estes, no entorno da Coit Tower são incríveis e a gente ainda fica escutando a zoeira das maritacas que vivem ali e já viraram até documentário!)

Ao lado do hotel San Remo fica nosso restaurante favorito em San Francisco, Taqueria San Jose. Uma taqueria muito simples mas com comida de primeira. Ficamos impressionados. Peça vários taquinhos, é um melhor que o outro e são pequenos. Tem também um refri de tamarindo muito bacana que a Léti adora, chama-se Jarrito. O casal de donos, Aurora e Henrique é muito simpático e encantado pelo Brasil, que conhecem pelas novelas. Puxe um dedo de prosa que vale a pena!  2257 Mason St., São Francisco, CA 94133 – 415-749-0826

(A Taqueria é sensacional mesmo, a alegria já começa com as salsas/molhinhos que acompanham uma cestinha de nachos que a gente ganha a cada U$6 consumidos, a verde de abacate e tomatilho é sensacional, ardida e delicada ao mesmo tempo, de comer de colherzinha! Além das carnes convencionais fazem tacos de lingua, bochecha, tripa, um melhor que o outro para quem gosta como eu. Recomendo também experimentar o Pozole, que na minha opinião é a versão mexicana do Pho vietnamita e que eles fazem com perfeição, é de emocionar!)

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Na Columbus Av. com a Broadway fica a livraria City Lights, ícone da geração beatnik. Fundada em 1953 pelo poeta Lawrence Ferlinguetti, é uma livraria e editora independente, especializada em literatura internacional, artes e políticas progressistas. Além de vender livros, também tem pôsteres muito legais, obviamente com Jack Kerouac e outros beatniks famosos, leituras de poesia e lançamento de livros, além de permitir que você sente e folheie os livros por quanto tempo quiser. Imperdível!

(Você aí, que ama ler e tem coração esquerdista libertário, prepara o lencinho! Finalize a emoção com um trago no Vesúvio, é o dia perfeito da viagem pra ficar de pilequinho!)

O Vesuvio Café, localizado na Columbus Av. ao lado da livraria City Lights, foi frequentado por Neal Cassady (o Dean Moriarty do romance On the Road), Kerouac e outros beatniks. É super pitoresco, com decoração que remete à Belle Époque parisiense e se define como o Saloon internacionalmente mais conhecido de San Francisco. Bem estilo bar/pub, com boas cervejas locais nas torneiras, bartenders figuras e frequentadores personagens. Tem um beco ao lado com grafites bem legais.

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Visite o Bairro de Mission, é latino, muito bacana. Lá tem uma série de murais incríveis, vale fazer um tour por todos eles. E próximo a eles tem uma série de lojas de design muito legais.

(Procure pelo Clarion Alley, é o equivalente em Mission da Bat Caverna aqui na Vila Madalena, uma galeria de arte urbana a céu aberto. Sempre cheio de gente bacana, nos fins de semana sempre acontece shows, encontros, festinhas!)

Vá num domingo à tarde ao Parque Dolores lá em Mission e curta o clima Woodstock. Também é perto de lá um restaurante muito bacana que visitamos, o Gracias Madre, uma comida vegetariana mexicana de primeira, o milho assado é muito bom!

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Parece bem turistão, mas visitamos o cemitério onde filmaram Vertigo, e é muito bonito. Fica dentro de Mission San Francisco de Assis. 

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Se quer um rango mais chicoso vá ao Fleur de Lis, do Hubert Keller, e se quer visitar um restaurante da história da gastronomia estadunidense, vá até Berkeley, ao Chez Panisse, da Alice Water – Confesso que não fomos ao Fleur de Lis, e que nossa ida ao Chez Panisse frustrou nossas expectativas, mas isso é uma longa história…

Um restaurante mais casual e que adoramos, com ótima comida de pegada italiana e um lindo forno a lenha, é o Cotogna, no 490, Pacific Av. Vale muito a pena, mas tente sentar no balcão em frente ao forno e aprecie o trabalhos dos cozinheiros.

Se joga, mas se joga mesmo em Chinatown, é linda, cheia de coisas bacanas. Procure por um salão de chá pequeno e bacana, mas não deixe mesmo de ir a um restaurante de dim sun muito legal, que se chama New Asia, muito barato, gigante e puramente chinês… a diversão começa na espera, só com famílias chinesas! 772 Pacific Ave (at Stockton St) San Francisco, CA 94133 (415) 391-6666.

Há também uma padaria com fila na porta, Good Mong Kok Bakery, onde você pode escolher uma infinidade de pãezinhos recheados e dim sums, e mesmo se você comprar muito vai gastar menos de US$ 10.00! Fica no 1039 Stockton St. Tentamos algumas vezes, mas pelo horário ou lotação não conseguimos ir ao House of Nanking (Kearny St. perto da Columbus Av.) Mas pelo que ouvimos e lemos, deve ser muito bom. Vão e depois nos contem como é!

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O passeio de bike pela Golden Gate vale a pena, e chegando a Sausalito procure pela feira de orgânicos, onde almoçamos um belo piquenique com produtos de lá! Alugue a bike em North Beach e siga em direção ao Forte Mason pelo Fisherman’s Wharf, depois siga pela Marina Green e Crissy Field Park. É passeio do dia todo!

Para voltar de Sausalito, pegue o Ferry e desembarque no Ferry Building no Embarcadero. Você passa ao lado de Alcatraz, tira umas fotos e tá bom. Por que as pessoas fazem fila para ir até uma prisão, visitar celas vazias?

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vários mercados dos produtores, com muitos produtos orgânicos e locais. Talvez o mais bacana seja o Ferry Plaza Farmer’s Market no Ferry Building Market Place, aos sábados e domingos. Fica no Embarcadero e vale a visita, inclusive das lojas de dentro que funcionam a semana toda.

(A delicia desses mercados é a conversa com os produtores enquanto a gente fotografa e compra coisinhas gostosas para os piqueniques dos próximos dias. A Hidden Star Orchards produz extratos de frutas vermelhas sem açúcar e prensados a frio que ficamos fãs, o melhor xarope de frutas que já comi na minha vida e eles despacham para o Brasil!

Também fiquei apaixonada pelas nozes negras, super saborosas e duríssimas, que a Glashoff Farms produz e vendia junto com geleias e os melhores pickles que já comi. Segundo Carmem que cuida da banca, sua irmã, quando os faz distribui as pimentas aleatoriamente e os sortudos ganham bocadas super picantes. A mala veio carregada com as delicias das irmãs!

Também fizemos a festa com os vegetais fresquinhos que o Justin produz no Lonely Mountain Farm, trocamos cartões e tudo mais, já que ele aceita visitantes em troca de trabalho em uma espécie de WWOOF informal, e é claro que ficamos super interessados!)

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O Castro nem precisamos recomendar, né? É emocionate. A Léti chorou muito no monumento ao Milk e em frente ao Twin Peaks, primeiro bar gay de janelas abertas. Fora que chegar de bonde e parar naquela bandeirona de arco-íris é muita emoção.

(Onde funcionava a Castro Camera no 575 da Castro Street, hoje existe uma loja da Human Rights Campaign, além de estar em um lugar histórico é o melhor lugar pra comprar presentinhos lindos pr@s amig@s e camisetas bacanérrimas em causa própria! :) O GLBT History Museum é bem pequeno mas vale a visita, é muito bacana ver a linha do tempo da visibilidade gay nos EUA. Lindeza!).

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Vá de bonde (os street cars, todos de bondes de várias cidades dos EUA e do mundo, restaurados) até o Castro. Sai do Fisherman’s Wharf, perto do Embarcadero, passa pela Market street (centro da cidade, tipo downtown) que é muito bacana. Compre uma espécie de bilhete único, que vale para quantas viagens forem necessárias em ônibus, street car e cable car. Tem de 3 e 7 dias, vale a pena!

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Um passeio imperdível, que deve ser feito num domingo, é ir assitir ao culto de meio dia na Igreja de St. John Coltrane, igreja afiliada à Igreja Ortodoxa Africana fundada pelo Arcebispo Franzo King e sua esposa, Reverenda Mãe Marina King. Não é simplesmente uma igreja evangélica gospel afro-estadunidense. Os clérigos são todos músicos de jazz, incríveis, e o culto de quase 2 horas e meia é uma baita jam session, quebradeira pura. Tudo porque John Coltrane, um dos maiores saxofonistas do jazz, encontrou Jesus e assim conseguiu reabilitar-se de seu vício em álcool e otras cositas. E sua iluminação ocorreu na época em que lançou talvez sua obra-prima, o álbum A Love Supreme, que completou 50 anos da sua gravação em dezembro de 2014.

A igreja fica na Filmore Street 1286, num salão de um hotel ou flat, não estranhe. Apesar de ser um lugar acanhado, tem lindas imagens de santos, inclusive do patrono da Igreja St. John Will I Am Coltrane, feitas pelo artista Deacon Mark Dukes, onde todos são representados como pessoas negras. Simplesmente emocionante: Aleluia!

(Imagem do Noisey)

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Pertinho da igreja de St.John fica Japantown (Nihonjin Machi), bairro de imigrantes japoneses, que já teve 160.000 japoneses e descendentes antes da II Grande Guerra, mas que se dispersaram após a “renovação urbana” – lá você pode conhecer o lado obscuro dos campos de concentração de japoneses na Califórnia.

Hoje é bem menor que Chinatown e está meio que restrito ao Japan center, um centro comercial com lojas de produtos Japa, livrarias de mangás, mas onde comemos o melhor Rámen ever no Suzu Noodle House. 1581 Webster Street Kinokuniya Mall Ground Floor.

Perto de Japan Town, na Alamo Square, estão as seis irmãs – Painted Ladies (http://en.wikipedia.org/wiki/Painted_ladies) conjunto de seis casas vitorianas lindas que sobreviveram aos terremotos todos. Na praça havia um jardim inusitado: o jardineiro começou a recolher os sapatos esquecidos no parque e a plantar neles, se você olhar os álbuns no Facebook da Léti tem um só desse jardim, se chama Planta do pé. É uma graça e a vizinhança do Parque também é linda, vale um rolê.

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No mais, o bairro hippie do Haight com o famoso cruzamento da Haight e Ashbury é meio manjado, tem jeito de pega turista, mas tem várias lojas legais, brechós incríveis e inclusive a Amoeba, imensa loja de discos (CDs, DVDs, Vinis) principalmente de Indie Rock e gravadoras independentes. Tem até uma clínica de Marijuana Medicinal dentro!

Alugue uma bike na Haight Street e vá pedalar no Golden Gate Park até a sua outra extremidade e veja a praia com o Oceano Pacífico. Lindo pra ver o fim de tarde, e quem sabe um por do sol, se não tiver Fog! Dentro desse parque há dois museus, o De Young Museum, de arte moderna e contemporânea, que é legalzinho, mas cujo prédio é mais interessante que o acervo. Após visitar as salas, suba ao último andar e desfrute de uma incrível vista de 360º. Mas o mais legal é o California Academy of Sciences, super interativo, com um gigantesco aquário marinho tropical e uma floresta tropical com pássaros e borboletas de verdade, soltos e voando por tudo. É basicamente um museu de História Natural, para Nerds fãs de Humboldt e Darwin, como eu. Também há o Jardim Botânico, Conservatório de Flores e Jardim de Chá Japonês, mas não tivemos tempo de visitá-los. E perto da Academia de Ciência há o Jardim de Flores de Shakespeare, ideal para um piquenique bucólico sob carvalhos e salgueiros, além de roseiras e passarinhos.

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Outro lugar muito bacana que fomos: a Rainbow Grocery, que já recomendamos aqui, uma cooperativa gigante só de produtos orgânicos, cada coisa de enlouquecer! Se for, não deixe de comprar mirtilo passa, cranberry e inca berry (physales) passa… nós nunca tínhamos visto e são maravilhosas. A receita do bolo Cosmopolitan com a cranberry está publicada aqui no blog.

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Para finalizar esse enorme post, queremos falar que o gostoso em SanFran (os locais não gostam de chamar a cidade de Frisco, nem SanFran) é sair por aí andando. A cidade é cheia de jardins secretos, casas lindas, ladeiras quase infinitas, e todos os caminhos levam ao céu, uma vez que as ladeiras são tão altas que a gente só vê o céu no fim… isso confere muita poesia à cidade e mais ainda com o fato de que durante todo o dia as nuvens vêm e vão, tomando conta da paisagem, lindo!

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Harmoniza com…

para ouvir

por
marina novaes

Para mim, a trilha sonora de uma viagem tem o poder de eternizar os momentos especiais, que ficam associados a memória afetiva.

E para seguir o roteiro do Ma, preparado com o maior capricho e primor, escolhi músicas de bandas locais, que todo mundo conhece, além de duas óbvias, que abrem e fecham a lista.

Então, fone de ouvido a postos e “be sure to wear flowers in your hair”

San Francisco – Scott McKenzie

Long Train Running – The Doobie Brothers

Whatever Happened to My Rock ‘n Roll – Black Rebel Motorcycle Club

Volunteers – Jefferson Airplane

Epic – Faith no More 

Proud Mary – Creedence Clearwater Revival

Shakedown Street – Grateful Dead

Don’t Stop Believing – Journey

Everyday People – Sly & the Family Stone

Joker – Steve Miller Band 

High Coin – The Charlatans 

Semi-Charmed Life – Third Eye Blind

Good Riddance (Time Of Your Life) – Green Day

Mayer Hawthorne – I Left My Heart in San Francisco