Roteiros da Cozinheira 2 – Mercado Municipal da Cantareira

Na próxima sexta feira, dia 25, não é apenas a cidade de São Paulo, a querida Sampa, que faz aniversário.

O Mercado Municipal da Cantareira também aniversaria e completa 80 anos! Um simpático e antenado vovô que faz a alegria de tod@s nós que amamos comer bem e nos divertimos passeando por seus corredores com inúmeros boxes e muita diversidade!

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Projeto do arquiteto Ramos Azevedo, o prédio foi inaugurado em 25 de janeiro de 1933 (as obras duraram 8 anos) e seus lindos vitrais foram executados pelo artista russo Conrado Sorgenicht Filho (que também fez os da Catedral da Sé). Ocupa um espaço de 12.600 metros quadrados e está localizado às margens do rio Tamanduateí. Seus mais de 1.500 funcionários, que trabalham nos 290 boxes, movimentam cerca de 350 toneladas de alimentos por dia. Já pensou? É comida que não acaba mais!

É quase minha segunda casa. Antes de ser cozinheira full time era para lá que levava meus amigos queridos de passagem pela cidade e era lá que eu fazia compras quando tinha algum acontecimento especial, como um jantar ou almoço bacana para os amigos. Depois que virei cozinheira o Mercadão acabou se transformando em um universo particular (onde me meto cotidianamente). Lá sou quase outra pessoa, e é com os amigos que fiz ali que compartilho a maior parte das alegrias e angústias da vida na cozinha.

Daí que não podia passar batido, tinha que fazer um post especial para comemorar seus 80 anos e para compartilhar aqui meu roteiro de compras e fornecedores favoritos, não é mesmo?

Como chegar?

A melhor pedida é de metrô. Você pode descer na estação São Bento e desembarcar em plena Ladeira Porto Geral ou na estação Dom Pedro. Tanto uma como outra estão muito próximas ao Mercado da Cantareira, dá para chegar à pé.

O que há para ver

O Mercadão é lindo, difícil definir o que há de melhor para se ver, mas vale a pena dar um pulo no mezanino para uma visão estratégica do mercado todo e ainda para ver os vitrais quase de perto!

Eu que sempre estou sapeando o trabalho alheio fico maluca com a diversidade de ofícios bem executados pelos profissionais do mercadão: o peixeiro limpando, filetando e acondicionando os pescados, o açougueiro esculpindo as peças de carne, a limpeza do bacalhau, os cortes de embutidos… muito para se ver. Perambule pelos corredores e descubra o que há em cada um dos boxes, muitos segredos estão escondidos, como aquele queijo super especial ou a melhor linguiça curada.

Melhor dica

Fidelidade ao fornecedor! Essa é a grande dica. Se vc quer ter sempre os melhores produtos, as melhores dicas e ainda levar  para casa o “filet mignon” escondido para os melhores clientes, estabeleça uma sólida relação com seus fornecedores.

Depois de escolhido o fornecedor, seja fiel. O mercado da Cantareira é um ótimo lugar para se testar esta teoria. Tem muita gente vendendo a mesma coisa, a gente pode comprar cada vez em um lugar, mas quando fideliza o tratamento é outro. E de que outra maneira a gente faz amigos?

 Melhores Compras

Para saber onde está cada um dos boxs no Mercado da Cantareira consulte esta tabela aqui com todos os fornecedores.

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Ostras – Uma das maneiras mais agradáveis de começar as compras no Mercadão é no balcão de ostras da Ki-Peixe. A gente já começa o dia com energia e glamour, mandando ver ostras de Santa Catarina ou da Cananéia, é bem verdade que sempre falta um espumante, mas nem tudo é perfeito!

Rei do Camarão – o filho da dona, Hugo (figuraça), me convenceu a fidelizar com o seguinte argumento: Olha só, enquanto eles vendem de tudo, eu só vendo camarão, muito camarão, está sempre fresco! E é o Hugo que sempre me encontra outros produtos quando estou com uma lista complicada. E uma boa dica: eles limpam o camarão da maneira que vc pedir: bikini (só com o rabinho), paulista (com casca mas sem vísceras) ou sem casca total.

Açougue Porco Feliz – Na minha opinião é o melhor açougue do Mercadão, para comprar porco não existe igual. Mas ele vai muito alem do porco, tem carnes raras, exóticas, e uma equipe excelente de açougueiros. Na verdade ele vende muito atacado e fornece carne para vários restaurantes em São Paulo.

Foi no Porco Feliz que fiz estágio de corte de carnes (e um dia ainda conto aqui essa história) e é onde fiz os melhores amigos no Mercadão. Para mim é sempre uma festa chegar no balcão e ficar sabendo em primeira mão as novidades.

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Casa Quintas da Feijoada – Não só é uma das boas casas de pertences para feijoada, que fornece para muitos restaurantes paulistanos, mas que para mim ficou especial pela oportunidade de um dedo de prosa com os donos, Sr. Américo e Sr. Antonio, dois senhores portugueses que além de dicas e ajuda nas compras, sempre me chamavam de “senhorita” e assim ganharam a cliente fiel. (Infelizmente, no meio do ano passado o Sr. Américo se foi, para atender a freguesia do céu!)

Petali – É um empório espanhol, tem duas peculiaridades que valem a pena: é um dos lugares onde se vende bacalhau gadus morhua e também é um dos poucos que vende frios fatiados, e por esta razão sempre compro ali a minha pancetta, para fazer com ameixa…

Pascale – é aqui que encontro miúdos e vísceras, alem de outros itens exóticos. Pra fazer uma terrine de campagne que leva fígado suíno é aí que compramos. É aí também que encontro bucho, dobradinha, baço… e pênis bovino! Isso mesmo, no oriente eles comem muita carne de pênis, pois acreditam que é afrodisíaca… quer experimentar?

Temperos: Eu indico dois boxes. Um é o Federico (corredor principal em frente ao Porco Feliz), que vale uma visita. A loja é uma verdadeira caverna dos temperos, que ficam todos pendurados. Aproveite para respirar fundo e sentir o cheiro! Mas aqui os pacotes são maiores, então pode ser muita coisa, já que especiarias o ideal é comprar em porções pequenas pois perdem o aroma se guardadas por muito tempo. A outra fica ao lado, é a Casa São Paulo, e ali vendem-se porções pequenas e é onde compro baunilha na fava.

Queijos Roni – gosto muito desta queijaria que produz Mussarela, Ricota Fresca, Ricota Romana, Ricota Defumada com e sem pimenta, Provolone, Caccio Cavalo, Butirro (com Manteiga Dentro) além de manteiga, Queijo Frescal e Chancliche.

Di Marco – é o empório onde compro muita coisa, em geral as frutas secas que não encontro na ZC eu compro aqui. Tem também um queijo Saint Augur francês de comer de joelhos, bom preço para os queijos Prima Dona e aqui também se encontra bacalhau gadus morhua.

Avícolas – a da Adélia, que fica do lado esquerdo da Ki Peixe, é muito bacana e tem alguns itens bem raros como língua de pato e testículo de galo, já que atende grande parte da comunidade chinesa. A outra fica em frente ao Balcão de ostras e o diferencial é que encontro ali pescoço de galinha e de peru, que adoro e que são desprezados pela maioria, daí a dificuldade em encontrar.

Jamoneria Santa Tereza – Produtos espanhóis, jamones Ibérico Patanegra, Serrano – sempre compro dele embutidos artesanais da marca Pirineus aqui de São Paulo mesmo, feito à moda espanhola e que é sensacional. Mas o principal não está à venda: o privilégio de conhecer o seu Francisco, um espanhol tranquilo, de voz mansa que sempre tem coisas maravilhosas para gente experimentar.

Charutaria Bruno – é a tabacaria do Mercado, fofa, muito tradicional e fica em frente ao bar do Mané onde rola o famoso sanduba de mortadela!

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Lingüiça curada – existem várias pelo mercado, uma melhor que a outra, pode ser com erva doce ou com pimenta, para servir de tira-gosto ou fazer com macarrão. Eu gosto muito da que é vendida no Laticínios Paulistano e que fica ao lado da avícola da Adélia e sempre tem para degustação! também compro sempre na Casa de Salgados Rocha que fica na rua principal e que tem uma linguicinha aperitivo apimentada de comer rezando!

Para comer

Além das ostras da ki-peixe, o pastel de bacalhau do Hocca e o sanduba de mortadela do Mané são obrigatórios, pode ser clichê, mas tem que experimentar.

Mas o que eu gosto mesmo de comer quando almoço no mercadão é a porção de fígado com jiló do Bar Brasileirinho que fica no Mezanino, uma homenagem do mercado daqui ao Mercado de BH (essa é  porção carro chefe do restaurante Casa Cheia de lá).

Também vale conferir a variedade de acepipes do Bar do Elídio que tem filial no Mercadão e  as esfihas e kibes do Rafful, uma das mais tradicionais casas libanesas da região da 25 de março.