Saladinha para o inverno – Carpaccio de beterraba com fromage blanc

Estavam lindas na feira, novinhas e ainda no cabo, super amostradas na banca de orgânicos. Na hora comecei a salivar por uma saladinha com balsâmico. Na minha opinião beterraba e balsâmico nasceram um pro outro, ficam perfeitos em dupla e foi por conta desta combinação que comecei a apreciar beterraba.

Fora miolo que tenho um certo bodinho (mas esta é uma longa história…), minha única restrição alimentar era beterraba. Não gostava e ficava indignada com isso. Pensava comigo mesma: como posso não apreciar um alimento tão lindo, com uma cor tão vibrante? Ficava ainda mais chateada quando minha mãe repetia essa frase, como um mantra: Mas parece milho verde, Let, e você ADORA milho verde!

O certo é que não conformei com minha falta de paladar para beterraba, e um onívoro não desiste fácil! Passei uma vida (desde criança) colocando no prato, experimentando e desgostando… água mole em pedra dura… até que um dia, experimentei raladinha crua, com cebola roxa, azeite e balsâmico e redescobri a beterraba!

Hoje em dia é um alimento que gosto de qualquer jeito, crua, cozida, assada, na sopa (ai que vontade que me deu de uma borscht!). Uso e abuso em menus e eventos que faço. Virou uma queridinha e como já não era sem tempo, virou post também.

Carpaccio de beterraba com fromage blanc, cebolinha francesa da horta e brotinhos de agrião.


Essa salada é bem bacana para o inverno já que tem “sustança” por conta do queijo e do açúcar da beterraba. E fica linda para servir de entrada em um jantarzinho charmoso.

Ingredientes (para 4 pessoas)

  • 2 beterrabas fatiadas cruas em lâminas ultra finas – eu usei uma mandoline (fatiador de alimentos) para dar uniformidade às lâminas.
  • + ou – 200 g de queijo fromage Blanc (eu comprei o da Serra das Antas, que achei muito bom).
  • 2 colheres (sopa) de cebolinha francesa fatiada finamente.
  • 4 pequenas porções de brotos de agrião para guarnição (você pode usar outros brotos, ou mesmo outras folhas).
  • 2 colheres de balsâmico.
  • 6 colheres de azeite extra virgem.
  • Pimenta do reino e flor de sal à gosto.

Modo de fazer

Prepare uma emulsão com o azeite e o balsâmico – para isso você deve usar um pequeno fouet ou um garfo e ir despejando o azeite em fio sobre o balsâmico em uma tigelinha, misturando com vigor até que eles se transformem em um molho brilhante e encorpado. Reserve.

Em um prato disponha uma lâmina de beterraba, sobre ela uma colher de chá de fromage Blanc, salpique com a cebolinha, pimenta do reino moída na hora e flor de sal.

Sobre o queijo disponha outra fatia de beterraba, sobre ela mais uma colher de queijo e assim sucessivamente.

Acrescente os brotos de agrião e regue com a emulsão.

Essa salada pode ser montada em uma travessa única ou em pratos individuais, como eu fiz aqui. Faz o maior sucesso!

Harmoniza com… por Marina Novaes (na Pick’up ) e Marcelo Pedro (no Copo)

Minha dica é um vinho branco seco, mineral, com notas florais. Saladas, mesmo as saladas refeições, quando não têm carne, não casam bem com vinhos muito encorpados, robustos, como a maioria dos tintos, pois o vinho irá ofuscar totalmente o sabor da salada. Neste caso, a beterraba, a ciboulette e o balsâmico têm sabores marcantes, mas delicados. E o fromage blanc é bastante neutro. Portanto, indicaria os Sauvignon Blanc chilenos que têm um estilo semelhantes aos franceses, mas muito mais acessíveis ao nosso bolso.

Outras opções, um pouco mais caras são os Rieslings alemães secos (cuidado, não são os meio doces, nem os Rieslings de colheita tardia, de sobremesa). Se quiser surpreender mais ainda, sugiro um Grüner Veltliner, uma uva branca originária da Áustria, que é surpreendente, menos ácido que os Rieslings e menos floral que os Sauvignon Blanc. Nunca tomei um austríaco de verdade, mas tomei um californiano excelente. Apenas para ilustrar algumas dicas e faixa de preço:

Chilenos: Carmen Classic Sauvignon Blanc (R$ 30 a 35,00) ou o Amayna Sauvignon Blanc (R$ 60 a 70,00)
Alemanha: Dr. Bürklin-Wolf Estate Riesling QbA  – R$ 70 a 80,00
Áustria: Grüner Veltliner L. Berg-Vogelsang  – R$ 80 a 90,00

 

Jump in the line
Artista: Harry Belafonte

Sempre gostei mais da cor da beterraba do que da própria, mas toda vez que penso na dita, me vem na cabeça seu significado em inglês, beet, e imediatamente faço a associação ao filme Beetlejuice (Os Fantasmas se Divertem). Cansei de ver este filme de humor trash, dirigido por Tim Burton e estrelado por Michael Keaton, Geena Davis, Alec Baldwin, Winona Rider entre outros.

E já que a receita é uma salada de inverno, a música que harmoniza é um Calypso de Trinidad & Tobago, chamado “Jump in the Line”, composta por Lord Kitchener e gravado por Harry Belafonte, em 1961. Gostosinha e feita pra dançar, enquanto se corta finamente a beterraba.

Ainda sobre o filme, a cena do jantar em que toca o Day – O (Banana Boat Song), é antologica.