Salmão defumado com coalhada seca, pepino e hortelã

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E no meio do ano entregamos as chaves do cafofo praiano, depois de três anos e seis meses de pura alegria beira-mar. Não foi para sempre, temos certeza que um dia voltamos. Mas por enquanto, resolvemos dar um tempo e aproveitar os finais de semana para viajar para outros lados, visitar amigos distantes e aproveitar o cafofo da família na montanha. Ou seja, da Serra do Mar direto pra Mantiqueira. Novas receitas virão de outros fogões pequenos, alguns à lenha e o que mais a gente encontrar por ai em nossas andanças.

E a receita de hoje, em que pese não ter sido feita na praia, entra na categoria praianas. Primeiro porque é muito simples e fica boa em qualquer fogão pequeno. Depois, porque ela partiu do Salmão Defumado Haikala, produzido pelo Rick Berlinck que nos alugava o cafofo praiano, a partir de uma receita tradicional trazida por sua mãe, na década de 70, quando veio para o Brasil da Finlândia oriental. Inicialmente apenas para consumo da família e desde o ano passado em produzida em pequena escala para venda.

Ele me trouxe para experimentar e eu fiquei fã. Testei de várias maneiras diferentes e duas delas ficaram tão boas, que decidi fotografar para publicar aqui. Primeiramente essa versão com postas largas e um molho, quase sopinha, leve e refrescante de coalhada seca. A outra receita é uma salada super bacana com manga, pimenta e folhas verdes que logo mais você pode conferir por aqui. Tanto uma como a outra na medida certa pro verão!

Vamos pra receita?

receita

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Minha inspiração para esse salmão foi o tzatizik, pasta grega de pepino e colhada seca que é um hit em casa e que já publiquei aqui no blog.

Com essa idéia na cabeça, fiz um molho de coalhada, quase uma sopinha leve (para comer à colheradas) e para dar o croc croc e a acidez que deixam os sabores redondos, fiz uma misturinha de micro cubos de pepino com hortelã laminada finamente, temperei só com azeite e flor de sal. Servi tudo junto com uma posta de salmão apenas aquecida.

Ficou delicioso, elegante e muiiiiiito fácil de fazer, uma belezinha para se “exibir” pros amigos em jantares!

Ingredientes – 2 porções

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  • 2 postas de salmão haikala
  • 4 colheres (sopa) bem cheias de coalhada seca
  • 2 dentes de alho brunoise
  • 1/2 xícara (chá) de água
  • 1 xícara (chá) de pepino brunoise (cortado em micro cubinhos)
  • 3 colheres (sopa) de folhas de hortelã laminas finamente (quase um cabelinho de anjo)
  • mix de folhas baby
  • azeite de oliva extra virgem
  • sal ou flor de sal e pimenta do reino moída na hora

Modo de fazer

Saladinha de pepino

Misture os cubinhos de pepino com o hortelã, regue com azeite, polvilhe com flor de sal e pimenta moída na hora.

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Molho de coalhada seca

Sue o alho em um fio de azeite, acrescente a colhada seca e em seguida a água. Misture bem, deixe aquecer, ajuste o sal e retire do fogo.

Esse molho pode ser servido quente ou frio, dependendo do clima e do gosto do freguês.

Salmão e montagem

Aqueça um fio de azeite em uma frigideira antiaderente pré aquecida, disponha a posta de salmão, abaixe o fogo e deixe aquecer por cerca de 3 minutos.

Disponha o molho no fundo de um prato, sobre ele o salmão e então finalize com os cubinhos de pepino com hortelã e as folhas baby. Sirva com pão pita.

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Disponha o molho no fundo de um prato, sobre ele o salmão e então finalize com os cubinhos de pepino com hortelã e as folhas baby. Sirva com pão pita.

Bom apetite!

Ah, e este NÃO É UM PUBLIEDITORIAL e sim uma recomendação, resultado da empolgação desta cozinheira que voz escreve com o produto incrível que o amigo está produzindo! Sempre fico agradecida e cheia de idéias com produtos assim e é claro que adoro compartilhar o resultado aqui! Valeu, Rick!

E espere a salada com manga e o salmão! De revirar os olhinhos. :)

para beber

por
marcelo pedro

Confesso que não sou muito fã de salmão defumado, nem salmão cozido. Prefiro em forma de sushi e sashimi. Mas experimentei este preparado pela Léti, já meio friozinho, ao fim da sessão de fotos. E não é que ficou ótimo!? A técnica de defumação da mãe do Rick deixa um gosto super suave, gostei muito.

E vou harmonizar a bebida pelo princípio da semelhança. Ou seja, para o salmão defumado, uma cerveja defumada! As mais típicas das cervejas defumadas são as do tipo Rauchbier, em alemão, cerveja de fumaça, originárias da cidade de Bamberg. Na verdade, defumado é o malte a partir do qual se produz a cerveja. Diz a lenda que um incêncio em uma cervejaria da cidade alemã de Bamberg contaminou parte do malte. Como o cervejeiro não podia arcar com todo o prejuízo, resolveu fazer cerveja a partir daquele malte defumado, que caiu no gosto da freguesia. Então, passou a produzi-la defumando o malte sob fumaça de carvão ou lenha propositalmente.

Na verdade, em lugares frios e úmidos, defumar o malte é uma forma de secá-lo e impedir que estrague. Hoje, outras regiões da Alemanha produzem cerveja defumada sem usar fumaça, em fornos. São as cervejas defumadas “reichfrei”, ou livres de fumaça. Mas em Bamberg, ainda existem 2 cervejarias que defumam o malte da modo tradicional: Brauerei Spezial e Schlenkerla. Como todo o processo de produção artesanal de cervejas, as Rauchbier estão em moda principalmente nos Estados Unidos. Mas no Brasil temos 2 cervejarias que produzem suas Rauchbier em escala industrial, a Eisenbahn Rauchbier e a Bamberg Rauchbier.

Então vamos ao fumacê! Prost! ou em Finlandês: Kippis!


para ouvir

por
marina novaes

Finlândia é onde eu gostaria de estar nestes dias de calor!

Mas quando se fala deste país nórdico, além de lembrar do salmão e da Essi, uma finlandesa que conheci numa reunião em Praga e que estava felicíssima pelo calor de 22ºC, lembro de 2002, quando morava na Navarro, república especial que dividia com a Julia, Olívia e a Maria.

A Julia tinha um dream job, trabalhava no receptivo da Mostra Internacional de Cinema, e entre suas tarefas estava buscar diretores no aeroporto, levá-los para jantar, para ouvir um samba no Ó do Borogodó e participar das festinhas.

Nesta mostra (26ª), a abertura foi feita por uma banda finlandesa: os Leningrad Cowboys. Na verdade a banda foi inventada pelo diretor Aki Kaurismäki, e o nome é uma piada do declínio da União Soviética. Rendeu alguns filmes, todos na programação daquela mostra.

Eles incorporavam antigos ícones do exercito vermelho, com visual punk, topetes gigantes e botas de longos bicos finos. No repertório tinham covers de várias bandas, como por exemplo “Sweet Home Alabama” (Lynyrd Skynyrd), “There Must Be An Angel” (Eurythmics) e “These Boots”, da Nancy Sinatra, com clipe do próprio Kaurismäki, que harmonizo com esta receita.

A Julia teve que se virar, porque os caras eram excêntricos e loucos, mas no fim ela fez tudo de forma muito elegante e certeira, como a receita delícia de Salmão defumado com coalhada seca, pepino e hortelã.