Sobre meninas, cabelos, solidariedade e moussaka!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No sabadão, a convite da Lúcia (http://www.ladybugbrazil.com/), fui ao Luluzinha Camp (http://www.luluzinhacamp.com/), o encontro das moçoilas tecnológicas que escrevem blogs, embora escrivinhadora de blog, confesso que sou bem mané quando o assunto é tecnologia e segundo meu irmão, tenho problema de BIOS (Bichinho Ignorante Operando o Sistema) crônico, e de fato, percebi que estou anos luz atrás das moças pra lá de antenadas… mas ainda chego lá, já solicitei a ajuda “profissa” da Lúcia!

O encontro foi sensacional, prosa de primeira, cheio de coisas muito divertidas e blogs sobre tudo, de casamento à cozinha sem esquecer saúde, ecologia, moda… enfim… aquilo que costumo chamar de encontro nutritivo, cheio de pessoas nutritivas, uma troca porreta! Pena que só pude ficar pouco, além de estar virada do evento da noite anterior, era dia de almoço de família… assim, com dor no coração, abandonei o barco na hora do almoço…

Mas o melhor da festa foi reencontrar a Nuna Yovanos, de barrigão, esperando o Theo pra logo mais… Conheci a Nuna através de outra amiga, a Vera Golik, e a história dela é uma das mais bacanas que já ouvi, tão bacana que precisa ser compartilhada…

Há alguns anos a Nuna descobriu que estava com câncer de mama. Uma bomba, especialmente se vc é muito jovem, vaidosa, tem uma filha pequena e vai enfrentar a via crucis de um sistema de saúde frio e insensível… Nuna passou por tudo isso, de médicos e hospitais ouviu toda sorte de absurdo, que iria ficar estéril, que era uma bobagem lamentar o cabelo (mesmo porque, segundo um dos médicos: seu cabelo nem é bonito, chorar porque?).

Pois bem, em meio a este turbilhão, solidariedade e generosidade brotaram… tal qual plantinhas que insistem em crescer em rachaduras de asfalto…

Uma das coisas que deixavam a Nuna muito chateada era a história do cabelo, é grande o baque na vaidade ficar careca… ainda mais por um motivo como este… a saída seria uma peruca com fios naturais. Nestes casos, o ideal é usar o cabelo da própria pessoa, mas apenas o cabelo dela não era suficiente para fazer a peruca, era preciso mais cabelo.

Sabendo disso, uma amiga querida bate à sua porta com os cabelos recém cortados embrulhados prá presente e uma frase: Cabelo cresce!

Essa história mexe muito comigo, clichês e pieguices à parte, me conforta saber que ainda existe muita generosidade e solidariedade no mundo… e que nos momentos doídos da vida um gesto, um sorriso, uma intenção, uma palavra podem acontecer e mudar tudo… e no fim das contas, são estes momentos significativos que fazem tudo valer a pena, de verdade!

E tudo acabou muito bem, Nuna está aí (comigo na foto), cabeluda, esperando Theo, seu segundo filhote, feliz da vida e passando sua história adiante pra ajudar gente que viveu ou está vivendo coisa parecida!

E como tudo neste blog acaba em volta da mesa e com prato cheio, em homenagem à Nuna, que é filha de gregos (segundo ela, seu pai é idêntico ao pai do filme Casamento Grego, pra ele, tudo tem origem na Grécia e a única coisa que ele não faz como o pai do filme é espirrar vidrex em todo mundo… rsrsrs…), passo aqui minha receitinha de Moussaka, a mesma que ensinei na aula de Comida Mediterrânea, um clássico da culinária grega, comida portentosa, nutritiva e solidária, assim como este post!

Moussaka

Ingredientes
2 berinjelas médias cortadas em fatias finas no sentido longitudinal e deixadas de molho em água com sal por aproximadamente 1 hora.
3 batatas médias cortadas em fatias de aproximadamente 0,5 cm e cozidas levemente.
Azeite de oliva
100 g de queijo parmesão para polvilhar

Ragú
½ quilo de carne moída (eu sempre prefiro carnes com um pouco de gordura, como a maminha, a fraldinha, para pratos portentosos como a moussaka, assim, fuja do patinho que é muito seco)
2 colheres de sopa de azeite
1 lata de tomate pelado
¼ de xícara de vinho tinto seco
1 cebola pequena picadinha
¼ de cenoura picadinha
1 talo de salsão picado
2 colheres de chá de 7 pimentas árabes
Sal e pimenta do reino moída na hora

Molho Béchamel
1 l de leite integral
100 g de roux claro* (ou seja, 100 g de farinha de trigo dourada em 100g de manteiga sem sal)
1 cebola pique** (1/2 cebola, espetada com 1 folha de louro e dois cravos)
Noz moscada moída na hora
Sal e pimenta do reino moída na hora

Modo de fazer
Seque as berinjelas em papel toalha
Em uma frigideira anti-aderente, passe-as no azeite quente até dourarem levemente – reserve

Ragú
Em uma panela de fundo grosso doure a cebola, a cenoura e o salsão no azeite com uma pitada de sal,
Junte a carne até dourar.
Junte o vinho e deixe até evaporar o álcool.
Junte as sete pimentas.
Junte então os tomates pelados e deixe o molho apurar em fogo lento.
Ajuste o sal e a pimenta.

Béchamel
Aqueça uma panela, junte a manteiga, a farinha e deixe dourar levemente.
Junte o leite gelado aos poucos, mexendo para evitar a formação de grumos (dica quente: se empelotar, mexa com o fouet, que é um santo para resolver esse tipo de problema!)
Leve à fervura mexendo de vez em quando e adicione a cebola piquê, cozinhe por aproximadamente 30 minutos.
Junte a noz moscada, ajuste o sal e a pimenta.

Montagem
Unte uma assadeira com manteiga e monte nesta ordem: uma camada de berinjela, uma de batata, uma de carne, outra de berinjela, outra de batata, creme bechamel e queijo ralado por cima.
Leve ao forno para gratinar.

Trocando em miúdos:
* Roux é uma agente espessante, usado para dar corpo as preparações líquidas. Neste caso vamos dourar 100 g de farinha de trigo em 100 g de manteiga sem sal e depois incorporar no leite frio para fazer o molho bechamel.

 


** Cebola piqué – é um aromático, ou seja, um elemento que confere sabor ao prato, neste caso, vc deve cortar uma cebola ao meio e espetar nela 3 cravos da índia segurando uma folha de louro, como na foto!