Cozinha da Matilde

Garfo & Foco: Pequi or not Pequi

Postado em 24 de novembro de 2011 por Letícia Massula

“Das tuas lágrimas nascerá uma planta que se transformará numa árvore copada. Ela dará flores cheirosas que os veados, as capivaras e os lobos virão comer nas noites de luar. Depois, nascerão frutos. Dentro da casca verde, os frutos serão dourados como os cabelos de Uadi. Mas a semente será cheia de espinhos, como os espinhos da dor de teu coração de mãe. Seu aroma será tão tentador e inesquecível que aquele que provar do fruto e gostar, amá-lo-á para jamais o esquecer. Como também amará a terra que o produziu. Todos os anos, encherei, generosamente, sua copa de frutos, que os galhos se curvarão com a fartura. Ele se espalhará pelos campos, irá para a mesa dos pobres e dos ricos Quem estiver longe e não puder comê-lo sentirá uma saudade doida de seu aroma. Nenhum sabor o substituirá. Ele há de dourar todos os alimentos com que se misturar e, na mesa em que estiver, seu odor predominará sobre todos. Ele há de dourar também os licores, para a alegria da alma”. A Lenda do Pequi de Marieta Teles Machado

Pergunte a um goiano: – Você gosta da sua mãe? – Gosto! – Dos seus filhos? – gosto! – E de pequi? – Vixe!!!

É mais ou menos esta relação de amor que sinto por essa frutinha do cerrado. Tudo no pequi me encanta, a começar pela árvore forte, uma sobrevivente de cascas grossas e os troncos retorcidos que luta contra altas temperaturas, seca e queimadas. Sobrevivência é com ele mesmo. Vive e deixa viver. Generoso, combate a fome, tem alto teor nutritivo, é rico em óleos, vitamina A e proteínas, ajuda no tratamento de asmas e bronquites e tem sido estudado por suas propriedades antioxidantes e por proteger o organismo de pacientes com câncer dos efeitos nocivos da quimioterapia.

O fruto é lindo, verde e amarelo como que para atestar seu legítimo sangue brazuca. Para utilizá-lo é preciso retirar a casca de fora, verde (muito parecida com o abacate) para chegar ao caroço amarelo ouro, revestido de polpa. Depois de cozido o pequi deve ser roído, soltando a polpa delicadamente com os dentes com cuidado para não morder, pois no meio ele é cheio de pequenos espinhos vermelhos que por sua vez protegem a castanha, que fica guardadinha no meio do fruto e que a gente tira com um palito depois de cortá-lo ao meio.

Mas é mesmo na panela que o pequi brilha! Vedete da culinária goiano/mineira empresta seu sabor e perfume intensos para muitos preparos. Os pratos mais famosos são o arroz e a galinhada com pequi, mas também fica bom com carne, puro e há quem coma cozido apenas em água e passando o fruto pelo açúcar… Eu gosto de qualquer jeito, fico eufórica quando sinto o perfume espalhado pela casa, mas com frango caipira e tomates como meu pai fazia em Tocantins é o meu preferido (e que logo vai virar post aqui).

A coleta é uma festa. Os frutos caem durante a noite (não podem ser apanhados, precisam amadurecer e cair) e pela manhã a criançada sai em busca dos maiores em uma competição divertida. Eu era tão fanática que já comia alguns crus e nem esperava chegar em casa (mas não faça isso que não é gostoso, apenas o paladar de criança de roça agüenta… rsrsrs) e enquanto colhe você aproveita para sentir o cheiro de mato e sol do cerrado.

E quem não tem cerrado no fundo do quintal para se dar ao luxo de um passeio de manhã cedo em busca dos frutos maduros, pode dar um pulinho no mini CEASA, ao lado da Zona Cerealista e comprar uma saca in natura. Estamos em plena época. Aí é só levar para a casa, tirar da casca e congelar: pequi o ano inteiro em Sampa!

Essa sessão foi feita apos uma incursão minha e de Gabi pelo mini Ceasa quando preparávamos o Role Garfo & Foco. E para saber o que a Gabi achou desta sessão e do pequi, acesse Dia+Positivo.


Garfo & Foco – Morangos e Mirtilos – Bruschetta doce

Postado em 26 de agosto de 2011 por Letícia Massula

Eles ficam tão lindos e tão saborosos juntos que era inevitável inventar alguma moda que envolvesse morangos e mirtilos.

Eu sempre uso em uma torta com massa amanteigada, recheada de mousse de chocolate amargo e sobre ela os morangos, os mirtilhos e ainda uma calda dos dois… mas desta vez resolvi inovar e fazer uma bruschetta doce com essas delícias de inverno.

A sessão de fotos fala por si, ficamos encantadas com as cores das frutas e partimos daí, da beleza e do frescor destas pequenas delícias. O azul quase purpura dos mirtilos contrastando com o vermelho intenso dos morangos.

Fizemos todas as fotos com luz natural, montamos a produção diretamente sobre a mesa, queríamos aproveitar a madeira rústica para contrastar com a delicadeza dos morangos e mirtilos.

Bruschetta Doce de Morangos e Mirtilos com coalhada seca e mel

 

Adoro bruschettas doces. Minha avó sempre fazia para mim quando eu era pequena, e eu tenho algumas no repertório (figo com creme azedo e redução de porto, maça com açucar e canela, pera com açucar de laranja…).

Essa aqui a idéia foi brincar com um clássico do café da manhã: taça de iogurte, com frutas, cereais e mel… está tudo ali, mas em uma forma diferente.

Em lugar dos cereais usei pão multigrão da Julice Boulangère, coalhada seca em lugar do iogurte e os morangos, mirtilos + mel para regar tudo! Adorei o resultado, que pode ser servido tanto em um café da amanhã especial como de sobremesa em uma refeição!

Ingredientes (4 porções)

  • 4 fatias de pão multigrãos ou pão de nozes
  • 4 colheres (sobremesa) de coalhada seca
  • 2 xícaras (chá) de morangos partidos em 4
  • 1 xícara de mirtilos (blueberry)
  • 8 colheres de mel

Modo de fazer

Doure levemente as fatias de pão em uma frigideira antiaderente.

Sobre o pão disponha os morangos e os mirtilos harmoniosamente.

No topo das frutas adicione uma colherada de coalhada seca. Regue com mel!

Bom apetite!

E para saber o que a Gabi tem a dizer sobre a parte fotográfica desta sessão, acesse DiaPositivo.


Garfo & Foco – Cortes 1 – Cebola brunoise

Postado em 12 de agosto de 2011 por Letícia Massula

Nós resolvemos adiar o ultimo post da sessão de sopas e publicar antes dele este aqui, com a técnica de cortar cebola brunoise.

Eu adorei fazer essa sessão, fizemos vários cores de cebola, e foi muito bacana o resultado. Em especial, o movimento do corte que a Gabi captou tão bem.

A produção é bem simples, mesmo porque, como o objetivo era explicar uma técnica passo-a-passo, o foco deveria ser ali, sem outras distrações para o olhar.

Corte Cebola Brunoise

Brunoise é um tipo básico de corte, que pode ser usado não só para cebola, mas para qualquer outro legume, tubérculo, fruta. O nome é bem metidinho, eu sei, mas com certeza você sabe o que é um brunoise: são cubinhos mínimos, o menor que você conseguir cortar.

Grande parte das pessoas têm muita dificuldade com cortes e acham que apenas os profissionais da área conseguem cortar um legume perfeitamente. É verdade que a prática cotidiana em uma cozinha profissional aprimora e refina o nosso corte, mas mesmo quem cozinha no dia-a-dia pode fazer bons cortes  e ter um pré-preparo perfeito, o que vai fazer toda a diferença no produto final.

Vamos então para a técnica, dicas e truques para uma cebola brunoise:

1- Minha primeira dica é: não tente cortar tão rápido quanto você já viu um cozinheiro profissional fazer. Enquanto você corta 4, 5, quem sabe 8 cebolas por semana, um cozinheiro profissional corta quilos de cebola ao dia. É claro que ele vai cortar mais rápido que você! Ele pratica muito mais e também precisa fazer isso rápido, porque ele não tem só a cebola para cortar… você não vive da cozinha, pelo menos por enquanto, não é mesmo?!

Então, relax. Faça o serviço com atenção e no seu tempo, aproveite para esvaziar a cabeça: foque no que está fazendo. Salve seus dedos!

2- A segunda é uma regra geral para o manuseio de facas: sempre segure o alimento com mão de garrinha, ela garante que a ponta do seu dedo não fique na reta da faca. No começo você vai achar um pouco estranho, mas com o tempo fica automático e, eu garanto, novamente seu dedos vão te agradecer pelos bons tratos. :)

3- Um bom corte começa com a boa escolha do produto que você vai cortar. Se você precisa de cubinhos perfeitos de cenoura, escolha as cenouras mais retinhas da banca.

Para cortes precisos de cebola eu sempre prefiro as cebolas menores. Em geral, as que são pouca coisa maior que um limão. Isso garante muita precisão ao corte. Cortar uma cebola gigante em micro-cubos é uma tarefa bem árdua!

4- Ainda com casca e sem remover as pontas (em especial a de baixo, a raiz da cebola, que parece uma barbinha), corte-a ao meio, no sentido do comprimento.

5- Corte a pontinha de cima e então descasque a cebola.

6- Com a metada apoiada na tábua, fatie a cebola em lâminas, no sentido do comprimento, o mais finamente que você puder - com o cuidado de não cortar até o fim, mantendo as lâminas de cebola presas à ponta da “barbinha”. Ao final desta etapa você terá um lindo leque de cebola.

Sacou o macete? Presas à ponta, fica muito mais fácil segurar as lâminas de cebola. Elas não vão se espalhar quando você começar a fazer o corte no outro sentido.

6- Apoie sua cebola em “leque” na tábua – viu como dá firmeza? Comece a fatiá-la no sentido da largura, o mais finamente que você puder. Continue até o fim, quando você vai ficar apenas com a “barbinha” da cebola em sua mão. 

7- Você quase chegou ao produto final! Mas para ficar melhor vamos dar uma afinada: concentre a cebola cortada no meio da tábua, apóie a ponta de sua faca e segure-a com a dois dedos. Faça um movimento de alvanca da faca com a outra mão, segurando sempre a ponta com os dedos.

Passe com a lâmina da faca por toda a cebola fazendo esse mesmo movimento. Mas atenção: esse segundo corte é apenas para corrigir eventuais cubinhos que “escaparam” do primeiro corte. Se você continua nele ad eternum vai fazer suco de cebola!

C’est fini!

Ah, ouvi alguém aí perguntar: Como cortar cebola e não chorar?

O que faz você chorar é o sumo da cebola, que irrita os olhos. Se você olhar bem de pertinho, vai ver que a cebola é composta de micro-gomos cheios de sumo.

Pois bem, se você esmagar esses gominhos vai voar sumo prá tudo quanto é lado, impregnando o ar e te fazendo chorar cântaros.

O segredeeenho da Matilde é usar sempre uma faca super afiada. Assim, em lugar de esmagar os gominhos, você vai cortá-los perfeitamente ao meio, sem espirar sumo = sem chorar. Mas se quiser aproveitar a cebola para fazer uma catarse e chorar as pitangas, vai fundo!

E para quem quer saber mais sobre a técnica de fotografia desta sessão, já sabe, acesse DiaPositivo que a Gabi Butcher conta tudo!


Garfo & Foco – Sopas 2

Postado em 29 de julho de 2011 por Letícia Massula

Conforme prometido, esse é o segundo post da sessão de fotos que fizemos com o tema sopas.

A partir da mesma base – sopa de cenoura - desenvolvi 3 receitas. A primeira que postamos na ultima semana (Sopa de Cenoura com Laranja e Creme Azedo) e hoje mais duas, esta primeira que tem uma pegada asiática e a segunda que é uma versão fria para ser servida como entrada, acompanhada de um saladinha de agrião.

Nestas duas sopas mudei totalmente a produção, saí do clima de cozinha romântica com tecidos e madeira aparente, para uma produção com pegada étnica. A primeira sopa montei uma produção oriental e a segunda que ficou muito legal servida em duas colheres russas de madeira laqueada.

Embora tenha montado uma produção absolutamente diferente da primeira sopa postada, continuei usando cores quentes para manter o clima, mesmo no caso da sopa fria.

Vamos então as duas receitas:

Sopa de cenoura com gengibre, spice nori e emendoas picantes

O bacana desta versão é essa amendoa picante (it’s hot, hot!), casadinha com filetes de uma alga nori apimentada deliciosa que ganhei do meu queirod amigo Nelson Yeh.

Ingredientes – rende 4 porções

  • 1k de cenouras cortadas em cubos grandes (de preferência orgânicas e ainda com as folhagens – não é frescura, elas são, de fato, muito mais saborosas);
  • 2 colheres (sopa) de manteiga sem sal;
  • 1 colher (sobremesa ) de gengibre ralado;
  • 1 colher (sopa) de capim limão fatiado finamente;
  • 2 dentes de alho brunoise (cubos mínimos);
  • 3 colheres (sopa) da parte branca da cebolinha verde finamente fatiada;
  • 100 g de amendoas;
  • 1 colher (chá) de azeite;
  • 1 colher (sobremesa) pimenta calabresa;
  • cebolinha francesa para enfeitar;
  • julienne de alga nori apimentada para enfeitar (a venda nos empórios do bairro da Liberdade);
  • Aproximadamente 1l de água fervida por 30 minutos com talos de salsinha, meia cebola; 1 dente de alho amassado, 1 pedaço de gengibre, 3 grãos de pimenta preta (essa é uma versão express de um caldo de vegetais);

Modo de fazer

Amendoas

Salteie as amendoas no azeite por 2 minutos, junte a pimenta calabresa e salteie por mais 1 minuto. Divida em 4 partes iguais. Reserve.

Sopa

Doure a parte branca da cebolinha na manteiga com uma pitada de sal; Junte o gengibre e o capim limão. Junte o alho até que sue.

Acrescente a cenoura, salteie rapidamente (até que mude a cor). Acrescente então o líquido e deixe cozinhar por aproximadamente 20 minutos ou até que as cenouras estejam cozidas.

Passe tudo pelo processador, mixer ou bata no liquidificador. Ajuste o sal.

Em uma cumbuca disponha a sopa e sobre ela as amendoas, a alga nori e a cebolinha francesa.

Sopa fria de cenoura com saladinha de brotos de agrião

 

Na verdade essa sopa é quase uma saladinha líquida. É a base de cenoura só que desta vez é temperada depois com flor de sal, azeite e pimenta.

É uma receita muito simples de fazer e fica muito charmosa para servir em qualquer jantar.

Ingredientes- rende 15 mini porções

  • 1k de cenouras cortadas em cubos grandes (de preferência orgânicas e ainda com as folhagens – não é frescura, elas são, de fato, muito mais saborosas);
  • 2 colheres (sopa) de azeite de oliva;
  • 2 dentes de alho brunoise (cubos mínimos);
  • 3 colheres (sopa) de cebola brunoise (cubos mínimos);
  • Aproximadamente 1l de água fervida por 30 minutos com talos de salsinha, meia cebola; 1 dente de alho amassado, 3 grãos de pimenta preta (essa é uma versão express de um caldo de vegetais);
  • 1 maço de brotos de agrião;
  • Azeite extra virgem, flor de sal e pimenta do reino moída na hora a gosto.

Modo de fazer

Sue a cebola no azeite com uma pitada de sal. Junte o alho até que sue também.

Acrescente a cenoura, salteie rapidamente (até que mude a cor). Acrescente então o líquido e deixe cozinhar por aproximadamente 20 minutos ou até que as cenouras estejam cozidas.

Passe tudo pelo processador, mixer ou bata no liquidificador. Volte para a panela e deixe reduzir até o ponto de purê (um pouco mais consistentes que as outras duas sopas). Ajuste o sal. Espere esfriar.

Use duas colheres ou duas pequenas cumbuquinhas para servir cada porção como na foto.

Em uma delas coloque uma porção da sopinha e então polvilhe com a flor de sal, a pimenta preta e regue com azeite extra virgem. Na outra monte a saladinha de agrião temperada com azeite e flor de sal.

E vc já sabe, a parte fotográfica da sessão vc confere lá no DiaPositivo, onde Gabi Butcher conta todos os seus segredos.


2006-2012 Cozinha da Matilde

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