Cozinha da Matilde

Sopa Pedaçuda

Postado em 8 de setembro de 2009 por Letícia Massula

Para aproveitar a chuva e despedir do inverno (que já está nos últimos suspiros), uma receita das antigas, uma das sopas da minha infância, receita da mãe Landa, vizinha da minha avó que adotei como mãe postiça, aliás a família inteira é minha segunda família!

Adorava quando ela fazia esta sopa, que ia de tudo um pouco (batata, mandioquinha, couve, tomate, jiló, cebola, maxixe, abóbora, batata doce, banana da terra, inhame, milho verde…), o que estivesse marcando na geladeira ia parar panela com muito tempero e um pouco de carne (que podia ser frango ou de vaca). O importante é que a sopa fique pedaçuda e você vai escolhendo o que quer comer (depois, se sobrar, fica bem bacana passar pelo processador e então congelar o creme).

O divertido da sopa ficava por conta da banana da terra em pedaços, dá um toque muito especial, principalmente para quem (como eu) gosta de pimenta na sopa, o doce da banana com o ardido da pimenta hummmm… Outra coisa que costumo colocar sempre é milho verde, que corto em rodelas e sempre deixo pro final para comer com as mãos, segurando o sabugo!

A mãe Landa costumava colocar feijão e macarrão, eu já prefiro sem, mas enfim, segue a receita base e o que vai prá panela depende do apetite do freguês!

Sopa pedaçuda (para 6 pessoas)

300 g de carne de sua preferência (frango ou vaca)
1,5 l de caldo de frango ou de carne
2 cebolas pequenas em cubos
4 dentes de alho picadinhos
2 colheres de azeite
2 batatas inglesas cortadas em cubos grandes
1 batata doce cortada em cubos grandes
2 bananas da terra cortadas em rodelas
1 cenoura em rodelas largas
2 mandioquinhas salsa em cubos grandes
1/4 de abóbora cabochá em cubos grandes
1 xuxu em cubos grandes
2 tomates em cubos grandes
1 espiga de milho cortada em rodelas largas
1 folha de louro
3 folhas de couve fatiada
1 porção generosa de cheiro verde picadinho
2 pimentas bode
macarrão ou feijão opcionais

Refogue a cebola e o alho no azeite, junte a carne e doure bem. Junte então o louro, os legumes (comece pelos que demoram mais para cozinhar e vá para os de cozimento mais rápido) e o caldo de frango ou de carne.

Quando todos os legumes estivem cozidos, finalize com o cheiro verde e a pimenta!

As fotos são da ultima sopada que fiz para os amigos!


Soirmlé

Postado em 28 de julho de 2008 por Letícia Massula

A região onde passei a infância em Minas (Triangulo Mineiro) teve uma forte imigração de libaneses e árabes, e pratos como o kibe crú, o tabule, o arroz com macarrão cabelo de anjo, o malfuf passaram a fazer parte de nossa alimentação cotidiana. Para ter uma idéia de como esta influência é forte, na minha cidade era comum que os açougues vendessem kibe crú.

Sempre pensei sobre o porque desta forte imigração bem no centro do Brasil, tenho aqui na minha cabeça algumas explicações, talvez a coisa tenha começado com os mascates que passavam vendendo seus produtos pelo interior, em especial nesta região de Minas e Goiás que até pouco tempo era bastante isolada (para se ter uma idéia, minha mãe, quando pequena, levava dois dias inteiros para fazer a viagem entre a cidade dela – na divisa de Minas com Goiás – até Ribeirão Preto onde morava uma tia). Outra coisa que me passa pela cabeça são os costumes locais. Em ambos os casos, culturas que prezam pela fartura e pela hospitalidade e também um clima agradável e um solo muito fértil.

O fato é, por conta da cultura local e pelo fato de que minha avó tinha uma amiga muito próxima, a Dona Jamila, que lhe ensinou os vários pratos e os segredos dessa culinária que é tão saborosa e saudável, eu cresci comendo e fazendo comida árabe e libanesa. Incontáveis os dias em que eu passava ajudando minha avó a secar e moer o trigo, enrolando os malfuf, descascando grão de bico, dourando o macarrão para fazer a aletria… enfim…

Já morando na Paulicéia, fui conhecer um restaurante Armênio cheio de história de tradição, o Casa Garabed (http://www.casagarabed.com.br/), que fica em Santana, em uma ruazinha escondida e serve a melhor esfiha que já comi na vida, e também o bastrmá (uma espécie de pastrame, feito de lagarto e que usa especiarias sensacionais, um sabor único!). Além da boa comida, vale a pena espiar um pouco o maravilhoso forno à lenha que tem mais de 50 anos, onde é assada na hora quase toda a comida.

Lá descobri o Soirlmé, uma salada fria berinjelas assadas com temperos. Trata-se, na minha opinião, da versão armênia do babaganuj, mas ao contrário deste último, não utiliza o tahine (pasta de gergelin) e por outro lado, utiliza ingredientes que o baba não tem, como por exemplo o tomate sem pele e sem semente cortado em cubinhos (concasé). Delicioso, muito fresco, ideal para os dias quentes, ainda mais se acompanhado pelo delicioso pão que eles assam na hora e chega quentinho na mesa…

As semelhanças entre a cozinha armênia e a cozinha libanesa não param aí, vários pratos são comuns, entre eles: o charutinho de folha de uva (wuara aneb ou sarmá) ou a versão com repolho (malfuf), o cafta e as esfihas. A diferença é bem sútil, na minha opinião a cozinha armênia é mais detalhista e delicada que a libanesa, mas quando se fala em sabor as duas empatam!

Pois bem, gostei tanto do Soirlmé que passei a fazer em casa e agora repasso aqui a minha versão:

2 berinjelas assadas no bico do fogão para retirar a pele.
2 tomates débora sem pele e sem semente cortados em cubos mínimos.
1/2 cebola roxa cortada em cubos mínimos
1/2 dente de alho picadinho
salsinha picada
azeite extravirgem

Depois de tirar a pele das berinjela, bata a polpa com uma faca até ter uma espécie de pasta de berinjela. Adicione os outros ingredientes e misture delicadamente. Ajuste o sal e regue generosamente com azeite. Sirva com pão.


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