Cozinha da Matilde

Garfo & Foco – Cortes 1 – Cebola brunoise

Postado em 12 de agosto de 2011 por Letícia Massula

Nós resolvemos adiar o ultimo post da sessão de sopas e publicar antes dele este aqui, com a técnica de cortar cebola brunoise.

Eu adorei fazer essa sessão, fizemos vários cores de cebola, e foi muito bacana o resultado. Em especial, o movimento do corte que a Gabi captou tão bem.

A produção é bem simples, mesmo porque, como o objetivo era explicar uma técnica passo-a-passo, o foco deveria ser ali, sem outras distrações para o olhar.

Corte Cebola Brunoise

Brunoise é um tipo básico de corte, que pode ser usado não só para cebola, mas para qualquer outro legume, tubérculo, fruta. O nome é bem metidinho, eu sei, mas com certeza você sabe o que é um brunoise: são cubinhos mínimos, o menor que você conseguir cortar.

Grande parte das pessoas têm muita dificuldade com cortes e acham que apenas os profissionais da área conseguem cortar um legume perfeitamente. É verdade que a prática cotidiana em uma cozinha profissional aprimora e refina o nosso corte, mas mesmo quem cozinha no dia-a-dia pode fazer bons cortes  e ter um pré-preparo perfeito, o que vai fazer toda a diferença no produto final.

Vamos então para a técnica, dicas e truques para uma cebola brunoise:

1- Minha primeira dica é: não tente cortar tão rápido quanto você já viu um cozinheiro profissional fazer. Enquanto você corta 4, 5, quem sabe 8 cebolas por semana, um cozinheiro profissional corta quilos de cebola ao dia. É claro que ele vai cortar mais rápido que você! Ele pratica muito mais e também precisa fazer isso rápido, porque ele não tem só a cebola para cortar… você não vive da cozinha, pelo menos por enquanto, não é mesmo?!

Então, relax. Faça o serviço com atenção e no seu tempo, aproveite para esvaziar a cabeça: foque no que está fazendo. Salve seus dedos!

2- A segunda é uma regra geral para o manuseio de facas: sempre segure o alimento com mão de garrinha, ela garante que a ponta do seu dedo não fique na reta da faca. No começo você vai achar um pouco estranho, mas com o tempo fica automático e, eu garanto, novamente seu dedos vão te agradecer pelos bons tratos. :)

3- Um bom corte começa com a boa escolha do produto que você vai cortar. Se você precisa de cubinhos perfeitos de cenoura, escolha as cenouras mais retinhas da banca.

Para cortes precisos de cebola eu sempre prefiro as cebolas menores. Em geral, as que são pouca coisa maior que um limão. Isso garante muita precisão ao corte. Cortar uma cebola gigante em micro-cubos é uma tarefa bem árdua!

4- Ainda com casca e sem remover as pontas (em especial a de baixo, a raiz da cebola, que parece uma barbinha), corte-a ao meio, no sentido do comprimento.

5- Corte a pontinha de cima e então descasque a cebola.

6- Com a metada apoiada na tábua, fatie a cebola em lâminas, no sentido do comprimento, o mais finamente que você puder - com o cuidado de não cortar até o fim, mantendo as lâminas de cebola presas à ponta da “barbinha”. Ao final desta etapa você terá um lindo leque de cebola.

Sacou o macete? Presas à ponta, fica muito mais fácil segurar as lâminas de cebola. Elas não vão se espalhar quando você começar a fazer o corte no outro sentido.

6- Apoie sua cebola em “leque” na tábua – viu como dá firmeza? Comece a fatiá-la no sentido da largura, o mais finamente que você puder. Continue até o fim, quando você vai ficar apenas com a “barbinha” da cebola em sua mão. 

7- Você quase chegou ao produto final! Mas para ficar melhor vamos dar uma afinada: concentre a cebola cortada no meio da tábua, apóie a ponta de sua faca e segure-a com a dois dedos. Faça um movimento de alvanca da faca com a outra mão, segurando sempre a ponta com os dedos.

Passe com a lâmina da faca por toda a cebola fazendo esse mesmo movimento. Mas atenção: esse segundo corte é apenas para corrigir eventuais cubinhos que “escaparam” do primeiro corte. Se você continua nele ad eternum vai fazer suco de cebola!

C’est fini!

Ah, ouvi alguém aí perguntar: Como cortar cebola e não chorar?

O que faz você chorar é o sumo da cebola, que irrita os olhos. Se você olhar bem de pertinho, vai ver que a cebola é composta de micro-gomos cheios de sumo.

Pois bem, se você esmagar esses gominhos vai voar sumo prá tudo quanto é lado, impregnando o ar e te fazendo chorar cântaros.

O segredeeenho da Matilde é usar sempre uma faca super afiada. Assim, em lugar de esmagar os gominhos, você vai cortá-los perfeitamente ao meio, sem espirar sumo = sem chorar. Mas se quiser aproveitar a cebola para fazer uma catarse e chorar as pitangas, vai fundo!

E para quem quer saber mais sobre a técnica de fotografia desta sessão, já sabe, acesse DiaPositivo que a Gabi Butcher conta tudo!


Cozinhar é preciso – Fundo escuro de carne

Postado em 16 de junho de 2011 por Letícia Massula

Semana passada resolvi fazer os famosos bolinhos caipira do Vale do Paraíba e como eu nunca uso caldo industrializado, fiz um fundo escuro de carne para usar na massa e também para ter um bom estoque no freezer, já que sopas e caldos são o ponto alto da estação!

A maior parte das pessoas acham que fazer o próprio caldo é atrevimento demais na cozinha, muito trabalhoso, demora horas… e acabam se rendendo aos caldos industrializados que na minha opinião não têm um gosto bom, interferem demais no sabor da comida e violam a regra numero 1 de um fundo: são saturados de sal, enquanto os fundos não contém nenhum sal.

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Recomendações da Casa – Em casa de ferreiro…

Postado em 15 de abril de 2010 por Letícia Massula

Este post deveria ter brotado dos meus dedinhos estropiados pelas facas há muiiiito tempo, mas ele só saiu agora para confirmar mais uma vez que os ditos populares são, de fato, cheios de sabedoria.

Estou falando do livro 400g (Companhia Editora Nacional), escrito pelos meus queridos mestres Betty Kövesi, Carlos Siffert, Carole Crema e Gabriela Martinoli, lançado em setembro de 2007,  e que só na semana passada comprei. Logo este livro, que abarca todo o conteúdo (e muito mais) do curso Objetivo Chef da Escola de Cozinha Wilma Kövesi, que fiz em 2006. Não me perguntem porque só agora eu o comprei, não tenho outra resposta além de leseira e espeto de pau!

O fato é, independente do meu genuíno afeto pelos mestres/autores, o livro é incrível em todos os aspectos: projeto gráfico impecável, ilustrações belíssimas excelente didática e, como tudo que o quarteto coloca as mãos, recheado com toda a informação técnica que nós, amantes da boa mesa precisamos saber.

E a coisa não fica só aí. Fique você sabendo, car@ leitor@, que é o primeiro livro de técnica de cozinha do Brasil. Isso mesmo! Até então, quem queria ir além das receitas e buscava aprimorar sua aptidão técnica na cozinha tinha que se socorrer de livros importados, que também são muito bons, mas desprovidos da bossa e dos sabores que caracterizam a nossa comida natal. E fala sério, um “bocadim” de orgulho brazuca não faz mal a ninguém, não é?

E mesmo para aqueles que curtem mesmo é uma boa receita, testada, sem pegadinhas, o livro é um achado. São mais de 300 deliciosas receitas e eu dou aqui o testemunho: durante o curso tive o prazer de aprender e executar quase todas elas, e nenhuma deu errado. Palavra de cozinheira!

Se você não está acreditando na minha isenção para falar de um produto elaborado por pessoas que me são tão queridas, faça a prova dos nove: corra até a livraria mais próxima e folheie o 400g. Se não ficar encantad@ por ele, devolva para a prateleira e morreu o assunto. Eu, desde quinta passada quando o comprei, não consigo parar de ler. Já estou chegando aos últimos capítulos e olha que ele é um catatau de 568 páginas!

E já que resolvi escancarar aqui meu respeito e admiração pelo trabalho dos quatro, aproveito para também indicar o Curso Objetivo Chef e todos os outros cursos da Escola Wilma Kövesi. Fique sempre de olho no que rola por lá (na última terça rolou aula da Neide Rigo), a dica é quente e não é atoa que está aqui, na Canastrinha da Matilde!

Só posso terminar agradecendo à Betty, Carlos, Carole e Gabi pela generosidade em compartilhar com tod@s nós seu conhecimento e amor à comida!

Em tempo, como bem me ensinou La Reina Denize Barros: Este post, INFELIZMENTE, não é patrocinado! :)


2006-2012 Cozinha da Matilde

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