Uma vida sem violência é um direito das mulheres

Durante 5 anos (2003 a 2007) tive a alegria de integrar a equipe de coordenação da edição brasileira da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres, que é realizada desde 1991 em aproximadamente 135 países e busca estabelecer um elo simbólico entre violência contra as mulheres e direitos humanos, enfatizando o fortalecimento da autoestima da mulher e seu empoderamento como condições para sair das situações de violência.

Muita água passou por baixo da ponte desde então e apesar de não fazer mais parte do movimento e da militância, continuo feminista e esses 16 Dias são um marco na luta histórica das mulheres por direitos iguais e por uma vida livre de violência. Não dava para deixar passar batido, em especial depois que dona Lúcia Freitas e as Blogueiras Feministas convocaram uma blogagem coletiva.

E como hoje é dia de Recomendações da Casa aqui na Cozinha, resolvi recomendar algumas iniciativas na área que acho importante divulgar:

Vovós em Fúria – Raging Grannies

Quando crescer vou querer ser uma vovó em fúria!

Imagem do site: http://www.vcn.bc.ca/ragigran/

Fiquei sabendo das vovós em uma matéria da Revista Caros Amigos se não me engano de 99.  Trata-se de um grupo de senhoras idosas, “todas com mais de 70 anos, espalhadas em diversas cidades do Canadá, que fazem questão de exibir-se com vestidos estrambólicos, ridículos chapéus cheios de flores e frutas, xales de crochê rosas e azuis, sapatos vermelhos e roxos, colares enormes de péssimo gosto e bolsa de fazer inveja em qualquer festa brega.

A descrição espanta. Mas o que mais impressiona é o que estas velhas senhoras barulhentas estão a fazer: as vovós em fúria são o mais anarquista movimento pró-paz, democracia e direitos humanos. Fazem paródias de velhas canções com letras muito bem humoradas que falam de assuntos como desarmamento nuclear, sexo seguro, o embargo à Cuba, destruição da natureza, exploração de trabalho infantil e escravo, entre outros problemas vigentes.

Participam de manifestações e fazem protestos inusitados. Em uma destas atrasaram o deslocamento de uma tropa de choque do exército. Os militares haviam deixado um tanque de guerra estacionado na rua durante a noite; dia seguinte, quando foram retirar o veículo encontraram um grupo de animadas senhoras que, enquanto cantavam sátiras ao exército, tricotavam uma rede ao redor do tanque.

Numa outra manifestação foram elas que salvaram os jovens estudantes quando se postaram à frente deles, impedindo que a polícia soltasse os seus cachorros e atirassem gás de pimenta na manifestação.

O que motiva uma senhora de mais de 70 anos a sair de casa quando poderia ficar em casa cuidando de sua velhice? Lassy Abboth, 69 anos, participante de um dos grupos é que responde: O mundo que estamos deixando para nossos netos não é bom de viver e percebemos que cabe a nós zelar pelo direito que eles têm de sonhar e chegar à idade adulta como seres humanos felizes. Não há mais tempo a perder, por que aqueles que estão destruindo o nosso planeta são eficientes e poderosos. Muito velhas? Não, não somos velhas, somos sábias. Além do mais, não temos filhos ou empregos para cuidar, e teríamos tempo de ir pra cadeia.”

Procure pelos vídeos do grupo, há uma série deles no Youtube, um melhor que o outro!

Projeto Sede de quê

Iniciativa da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, o projeto Sede de Quê usa arte e cultura no enfrentamento da violência contra as mulheres e entre muitas manifestações artísticas, o projeto promoveu no ano passado um concurso entre publicitários e designers para a criação de uma logomarca nacional pelo fim da violência contra as  mulheres.

Para acompanhar as ações do grupo e ficar a par do que esta rolando sobre o tema, basta acessar o blog Sede de Quê!

Blogueiras Feministas

Acompanho o grupo à distância e com muito prazer, não dava para ser diferente com um grupo que assim se define: Somos Mulheres e Homens. Somos de várias partes do país, com diferentes experiências de vida. Somos feministas.

E o grupo tem feito muito barulho por aí e produzido muito material de qualidade sobre o assunto.

Universidade Livre Feminista

A Universidade Livre Feminista é um espaço de formação das mulheres feministas, de estudos e ação pela construção de uma sociedade justa, sem exploração e sem pessoas exploradas cuja a intenção é facilitar ao máximo a participação de militantes sociais neste processo.

É também um espaço de liberdade e de luta onde as organizações feministas têm a oportunidade de elaborar e difundir seus programas de formação e todas as feministas poderão aprofundar seus conhecimentos e construir novos saberes.

 

Ah, ouvi alguém aí perguntar:

Por que 16 dias?

Não é por acaso que os movimentos feminista, de mulheres e de direitos humanos escolheram como marco da Campanha o período compreendido entre os dias 25 de novembro e 10 de dezembro. Quatro datas significativas na luta pela erradicação da violência contra as mulheres e garantia dos direitos humanos estão inseridas nestes 16 dias:

A Campanha começa no 25 de novembro (Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres) e se encerra em 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos).

A campanha brasileira começa mais cedo e inclui, também, o dia 20 de novembro (Dia Nacional da Consciência Negra).

Outras duas datas integram a Campanha mundial: o dia 1.º de dezembro (Dia Mundial de Combate à Aids) e o dia 06 de dezembro (data do Massacre de Mulheres de Montreal, que fundamenta a Campanha Mundial do Laço Branco: “Homens pelo fim da Violência contra a Mulher”).