Vitrolinha – Acenda o Farol!

Uma característica, herdada provavelmente da minha mãe, é acordar de bom humor. E depois que virei mãe isso aumentou ainda mais, e quem conhece o Tom sabe do que eu estou falando.

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Mas tem dia que não rola, como qualquer ser humano. E estes dias, eu já tinha dormido chateada, porque preparei um banquete para o Daniel que furou aos 45 do segundo tempo.

Acordei, e descobri que a mulher do freela que eu faço não mandou os documentos para eu levar para uma burocrática instituição pública, e eu já tinha mobilizado a casa toda para a quebra da rotina, que não precisou ser feita.

Antes de sair, revirei a casa inteirinha para encontrar a pomada para um tratamento que comecei no dia anterior, e o Tom pegou, junto com um rímel importado, e colocou no buraco negro das coisas perdidas, aquele para onde vão os isqueiros, canetas bic, elástico de cabelo.

Depois de deixá-lo na escola, me deparo com um trânsito dos infernos na Av. Sumaré. “Putz”,pensei, “e ainda vou ter que ficar parada pra ir para a &*%$# do meu trabalho. Ainda bem que estou de aviso prévio”. E  comecei a prestar a atenção no rádio, que estava sintonizado na USP FM, e o locutor, que não é o mesmo para este horário da manhã, dizia que tinha 108km de trânsito, média acima do normal, porque um carro bateu na marginal, as pessoas morreram, blablablabla e disse “se você esta no trânsito tenha muita paciência, relaxe e curta uma boa musica”.

Antes de desligar o rádio e xingar a digníssima mãe do cara, começou a tocar Lambada de Serpente, do Djavan, e eu ainda de cara fechada resolvi aumentar um pouquinho o volume, porque esta música é BOA DEMAIS.

Logo e seguida veio Firmamento, do Cidade Negra, e eu achei interessante e me manteve num ritmo anos 90, Mogi, Objetivo, Clube de Campo, e aquela outra boate e frente ao shopping que eu não tenho certeza do nome (Babillon?), mas que só tocava reggae.

Resolvi sair daquele mar de carros, e virei antes de pegar a ponte do West Plaza. Tava tudo numa nice, até chegar no Memorial da America Latina. Travou tudo de novo, mas depois do comercial, começou um pianinho e logo veio a Rita Lee cantando Só de Você, e eu comecei a dançar no carro “Cola, seu rosto no meu rosto/Enrola, seu corpo no meu corpo/Agora, está na hora de dançar…”e lembrei do ultimo show da Rita Lee que fui e ela cantou esta música com a gracinha da Hebe Camargo, que tinha acabado de comprar instrumentos para a Rita Lee, depois que ela foi assaltada voltando de uma turnê. (lembra Let?!!)

O/a programador/a dar rádio USP estava muito a meu favor e logo começou Conto de Areia, da Clara Nunes. “Quem foi que mandou/O seu amor/Se fazer de canoeiro”. Combinava super com o trânsito em frente ao Memorial, devido ao rompimento de algum duto. E eu estava batendo palmas e gritando “Foi beira mar, foi beira mar que chamou”

O locutor foi dar o boletim de notícias e começou a falar do Papa argentino, e se enrolou todo com o que estava lendo, porque estava confuso e mal escrito, e logo soltou um tapa com luva de película dizendo: “as informações são de responsabilidade da redação USP de jornalismo”. Gargalhei. E começou outro som nostalgia com Cinema Mudo do Paralamas do Sucesso.

Aí eu já estava na Marginal, livrinha no sentido Ayrton Senna. E pá, começa tocar Tim Maia com Acenda o Farol! Coloquei o volume do quase o máximo, e nem ouvi as buzinas enquanto eu fazia umas barbeiragens por estar dançando muito (obs: achei um vídeo muito, de 1978).

Quase entrando na ponte Vila Guilherme, começa o Zeca Baleiro a cantar Alma não tem cor, que é bem melhor com o Karnak, e por isso vou colocar o vídeo deles

Quando estacionei o carro a Gal Costa estava dizendo em Juventude Transviada “uma mulher não pode vacilar”.

E feliz com o dia nublado, saí saltitante, em direção ao meu futuro ex-trabalho.