Vitrolinha – Daft punk is playing in my house

O LCD Soundsystem foi certeiro ao abrir o seu álbum de lançamento com a música que dá titulo a este post.

Não só porque é um hit dance punk dos bons. Mas também porque há um mês, o disco Randon Access Memories não sai do som da sala, do carro e do ipod, da cabeça… Coitado do Vinicius, meu cunhado que veio nos visitar e agora deve querer passar longe do CD. Já com o Guilherme, que trabalha comigo, o nosso bom dia é: we’re up all night to get lucky.

daft-punk-random-access-memories-650-430Já não consigo mais acompanhar com o mesmo afinco tudo o que sai de novidade por aí. Então, demoro para sacar quando uma música nova boa é lançada.

E estes dias fomos na Galeria do Rock comprar fone de ouvido e o Will comprou o CD (sim, compramos CDs!) novo do Daft Punk, porque ele é muito fã e não parava de falar como era boa a Get Lucky. Mas nem ouvimos de imediato. Um dia, eu cheguei em casa do trabalho e o Tom e o Will tinham ido cortar o cabelo. Quando chegaram, o Will disse para o Tom: “Vamos cantar a melhor música do ano para a mamãe”. E começaram a cantar Get Lucky. Os dois!

E dias depois é que eu me liguei, o Will quando é efusivo com uma música, é porque deve ser coisa boa. Eis que no último final de julho fomos ao aeroporto buscar o Vinicius, e eu levei o CD para tocar. Tava um dia lindo de inverno, céu bem azul e um calor gostoso do sol batendo na pele. Coloquei para tocar. Faixa 1, 2, 3, 4, ….., 13. Fiquei atônita, a cada uma que passava. Paralisada. Não conseguia acreditar. Que discaço. A misteriosa dupla francesa, formada por Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo conseguiram fazer músicas que mesmo que não se queira, se dança. Saquei isso quando, mesmo sem prestar atenção na música estava dançando sem querer (ver faixa 6 Lose Yourself to Dance).

Há fontes que dizem que os caras são robôs alienígenas. Desde a primeira vez que o Lucas me mostrou um clipe deles, em 1997, o Around the World, era difícil crer naquilo, não tinha visto nada parecido. Uma sacada nostálgico-futurista dançante. Aliás, com uma coreografia que repeti muitas vezes no fim dos anos 90.

Não devem ser daqui mesmo. Perdi o show deles no Tim Festival, e quem foi disse que foi coisa extraterrena, música eletrônica de altíssima qualidade, sincronizada com efeitos visuais de tirar o fôlego. Nesta temporada, eles começaram tocando Robot Rock, que com certeza deve ter deixado todos no transe.

O Random Access Memories é o quarto álbum deles. Um tributo à música para dançar, daquelas feitas no final da década de 70, início dos anos 80. Ou seja, instrumentos mesmo, mas com música eletrônica. Neste último disco eles limitaram os eletrônicos à uma bateria eletrônica, um sintetizador, e claro, um vocoder.

E chamaram uma galera, como o Nile Rodgers (Aaahh Freak out!!), o Julian Casablancas, Chilly Gonzáles, Giorgio Moroder, Paul Williams, and Pharrell Williams. Resultado: top paradas de sucesso em mais de 20 países.

O nome, que alude à memória RAM, segundo a explicação deles à revista Rollling Stones, é uma forma de traçar um paralelo entre o cérebro e o HD, e também a forma aleatória de como guardamos a memória. E olha só que genial: eles sentiram que a tecnologia atual permite que possamos gravar infinitos materiais, então isso tem que ser aproveitado para que mais coisa boa, fosse produzida.

O disco começa com Give Life Back to Music, que faz às vezes de música para abrir os trabalhos. E dá o tom ao disco, com uma guitarra rock dançante, que persegue as 13 faixas do disco. E a voz do duo, com o vocoder dá a característica da humanização do robô (hehehe, to quase acreditando!), com expressividade e emoção. E a faixa é super astral, tem até uma parte em quem você se sente numa festa.

A segunda, The Game of Love, com a voz em vocoder, é uma brincadeira muito boa com uma música de amor perdido, em que arrepia mesmo cantada por uma voz “não humana”

A terceira, Giorgio by Moroder, é uma loucura, que começa com um monologo do Giorgio Moreder, que fala da sua vida e sua carreira. Não é tão óbvio assim saber quem é este italiano. Mas na hora que o Will me falou que ele era o cara que produziu a Donna Summer, inclusive o I Feel Love, que eu já falei do meu carinho aqui. Interessei. Depois de sua fala, ele se apresenta, e começa a música para valer. O Vitor, meu querido ex estagiário traduziu o momento da apresentação. E faz todo o sentido:

My name is Giovanni Giorgio,

(•_•)

But everybody calls me,

( •_•)>⌐■-■

Giorgio.

(⌐■_■)

A quarta música, Within, tem um piano tocado pelo Chilly Gonzáles, e uma letra “viagem” falando sobre o não entendimento deste mundo.

A seguinte é Instant Crush, que tem uma assinatura do Julian Casablancas, e/ou dos Strokes (e a atual favorita do Gui).

A sexta faixa, e atual minha preferida é Lose Yourself to Dance. Aaaaaa, é uma delicia. Outra parceria com o Nile Rodgers. E com o Pharrell Williams.  Começa com aquela guitarrinha disco, e o refrão é muito pista de dança. Um super funk, e a cereja no bolo quando vem o Come on Come on Come on Come on Come on Come on Come onmmmmmm.

Estes dias fui a pé ao trabalho e fiquei parada na ilha que separa as pistas na Av. Ipiranga com a Av. São João. E a Lose Yourself to Dance  começou a tocar do Ipod, e quando eu me vi alguma coisa acontecia no meu coração. Esqueci onde eu estava, fechei os olhos e quase joguei as mãos para cima!

Touch, é a que vem depois, e é um ímpar. Tem tantas e referências e elementos, que a deixa complexa no sentido de experiências. Talvez seja uma boa forma de retratar o que eles quiseram dizer com o nome do disco.

Tchan tchan tchan, Get Luck é a próxima. O hit do ano. O Tomzinho canta do jeitinho dele, é a coisa mais orgulho da mamãe!

A história da música é da sorte que se tem em encontrar alguém e rolar uma química no primeiro olhar. DELICIA. Prefiro não falar muito, porque ouvi-la é uma experiência necessária para todos os seres humanos.

Pharell Willians e Nile Rodgers com o Daft Punk fizeram o Michael Jackson sorrir lá no céu.

A nona faixa é Beyond, que começa com uma orquestra de cordas, no melhor estilo ficção cientifica, que depois parte imediatamente para a pista.

A próxima é Motherboard, instrumental, mas com o poder de viajar sem sair do lugar. Segundo o link do vídeo, esta é uma música dos anos 4000. Não duvido, porque a segunda parte é uma loucura, à la Revolution 9 no White Álbum dos Beatles.

A 11,  Fragments of Time, é do Todd Edwards, que ao escutar imagino como o Hall & Oates seriam se produzissem “Kiss on My List” hoje em dia, ou seja sucesso garantido nas pistas de quem tem 60 a 20 anos.

A próxima é Doin’ It Right, e resume o espírito. Olha só a letra:

Doin’ it right

Everybody will be dancing

And we’re feeling it right

Everybody will be dancing

And be doin’ it right

Everybody will be dancing

When we’re feeling all right

Everybody will be dancing tonight

A última, é Contact, que é a mais eletrônica de todas as faixas, e mantém a loucura, por ter trechos d e uma gravação de um capitão da nave Apollo 17 (capitão Eugene Cernan), contando sobre um objeto brilhante que ele viu da janela do seu foguete.

E quando eu termino de ouvir o disco, eu acho que consigo.