Vitrolinha – Primal Scream

Estes dias o Will me perguntou qual foi o melhor show que eu já tinha ido, sem ser o Pixies. Confesso que quando me fazem perguntas assim à la Rob Gordon do filme Alta Fidelidade, fico sempre na dúvida. Pensei no show do R.E.M., do Jamiroquai, do Radiohead, mas num impulso respondi do Gang of Four, e logo devolvi a pergunta. Ele: do Primal Scream, no Tim Festival.

Pois é, foi um show incrível mesmo. Na verdade eu fui naquele Festival porque eu queria ver a PJ Harvey, mas foram os caras da Escócia que fecharam a noite em um momento êxtase.

O Lucas, meu irmão, tinha o CD XTRMNTR, e eu achava o máximo aquela capa com aquelas consoantes e as fotos de guerra. Adorava quando ele colocava o som no último e ouvia Swastika Eyes. Uma letra super política e muito, muito dançante.

E deste disco, eu gosto do Kill all Hippies, pelo groove e também do protesto da letra:

O Primal Scream, foi formado em 1982 pelo então baterista do The Jesus and Mary Chain, Bobby Gillespie, que assumiu os vocais. Fizeram parte da origem da cena indie rock no meio da década de 80, junto com o The Smiths e as bandas do selo Factory (como New Order e Happy Mondays). Mas logo foram para um estilo mais psicodélico, com elementos de garage rock, passando pelo indie-dance, até incorporarem o punk eletrônico. Uma guerrilha sonora, fúria punk com grooves de pista.

Foi com o disco Screamadelica que eles começaram a fazer sucesso, e mudaram a cara do rock britânico nos anos 90, com um caldeirão de sons que incluía dub, rock e techno. Há quem diga que por isso foram revolucionários.

Mas neste show de 2004 que a gente foi, olha, o eletrônico passou longe. Foi puro rock and roll, nem sinal das batidas programadas. E nesta formação que veio ao Brasil estava o baixista Mani, que foi (e agora é de novo) do The Stone Roses.

Lembro que tocaram Cretin Hop dos Ramones, e ninguém ficou parado. Tocaram Come Together, e foi a preparação para o delírio coletivo.

O palco indicava que eles não estavam de brincadeira com uma parede de amplificadores. E alguém “sem querer” colocou o volume no último (igual que eu faço quando discoteco). Juro que não nos importamos com a audição, pelo contrário.

A hora do bis foi incrível, com Jailbird. Para mim a pista do show, virou uma pista de dança e sai rodopiando com os braços pra cima “I’m yours, you’re mine/Gimme more of that Jailbird pie”.

Já o segundo bis foi épico: Movin´ on Up.

Depois deste dia esta virou uma das músicas indispensáveis de meus setlists. Se você tem um Marina´s collection, provavelmente está lá gravado. Adoro também dar de presente para os filh@s de amig@s e amiguinh@s do Tom CDs com musicas para mães, pais e filh@s ouvirem, e Movin´ on Up está lá. Letícia pediu um set list pra ouvir na sua viagem pra Inglaterra, tá lá também. E no show ela durou muito tempo. E tipo um mantra, My light shines on se repetiu milhares de vezes, revezando o coro da banda com a platéia. Quem estava bem longe do Joquey também deve ter ouvido.

E da PJ Harvey, eu só lembro que ela estava com um incrível vestido vermelho.