Praianas – Talharim com ragú de frango à moda caipira

O fato é que eu andava produzindo poucos posts na praia por conta da complicada logística de fotografar a comida. A cozinha pequena ficava um caos com a parafernalha de fotografia e a lotação acabava me isolando sem a companhia, o papo e os bebericos incluídos no ritual de preparar comida no cafofo praiano. E isso, é claro, acabou me desanimando. Por outro lado, sempre que sai uma comidinha simples e gostosa do fogão pequeno fico triste de não ter levado a câmera e de não compartilhar aqui… Eu precisava de uma solução que fosse nem tanto ao céu, nem tanto ao mar, como diria minha avó!

Aí que sabadão resolvemos fazer a famosa dupla flango+macalão e eu comecei a fotografar o passo a passo pelo instagram só prá atormentar os amigos, pura maldade! Quando postei a ultima foto e repassei todas elas, achei muito bacana o resultado e para compensar a galera resolvi compartilhar aqui a receita com as imagens. E daqui prá frente, pelo menos por um tempo, como teste, vou fotografar os posts praianos pelo instagram.

E faz mais sentido mesmo, são as cronicas do fogão pequeno, as receitas + caseirinhas e prá acompanhar, as imagens + caseirinhas também. O desafio agora é conseguir melhorar a qualidade das imagens e aprender cada vez mais a usar o instagram.

Vocês vão acompanhando por aqui a evolução nos posts praianos, a partir desta de hoje: talharim com ragú de frango à moda caipira e salada de verdes com pecãs para acompanhar!

Que nenhuma mama italiana me condene por esse arremedo praiano de ragú. Em minha defesa devo argumentar que apesar do extravio da receita original foi feito com paciência, amor e os ingredientes disponíveis. Ficou honesto (e delicioso)! Comidinha de alma, de mãe, de avó. Para dias sem compromisso. Dias de pernas pro ar ouvindo o barulhinho do mar.

A caipirice se deve ao tempero, em lugar do clássico mirepoix, além de cebola e alho, usei salsinha (talos e folhas), cebolinha verde e a amada e aromática pimenta bodinha. Substituí o vinho que confere profundidade aos ragús clássicos por suco de laranja, perfeito para tirar a acidez do tomate, dar um toque especial de sabor e deixar o molho muito mais leve e adequado para o clima da praia.

No mais, o segredo da receita é paciência. Para dourar lentamente a carne do frango e depois para esperar que ela cozinhe vagarosamente no tomate, até não aguentar mais, se soltar dos ossinhos e então derreter na boca. Mas paciência para esperar o tempo do molho é o que não falta quando você está na praia e o mar está ali ao lado, convidativo.

Ingredientes (2 pessoas)

Ragu caipira –  600 gramas de cozinhas da asa sem pele e escaldadas em água quente (usei frango orgânico); 1 cebola média brunoise + 1/2 cebola roxa partida em dois quartos; 2 pimentas bodinha partidas ao meio; 2 colheres de salsinha laminada +2 colheres de talos de salsinha laminados; 2 dentes de alho brunoise + 1 dente de alho amassado com casca; 2 colheres de talos de cebolinha; 1 tomate em cubos; suco de 1 laranja; 1 lata de tomate pelado; 2 colheres de azeite de oliva; sal a gosto.

Salada de verdes com pecãs – 2 porções de verdes variados, 1/2 xícara de pecãs partidas ao meio; 2 colheres de emulsão de limão (1 colher de suco de limão para 3 de azeite extra virgem); flor de sal a gosto.

Modo de Fazer

  1. Sue a cebola, os talos de salsinha e as bodinhas no azeite. Junte o frango. Comece o processo de dourar.
  2. Conforme a carne for grudando na panela e formando uma crosta marrom, acrescente 1/2 copo de água e com ele limpe a crosta da panela, roubando a cor para o caldo. Deixe que o líquido reduza, a carne caia novamente na gordura, forme nova crosta marrom e novamente “pingue” água. Repita esse processo até que a carne do frango fique cor de bronze. Acrescente a cebola roxa, o alho (brunoise + dente amassado) e os talos de cebolinha verde.
  3. Acrescente o suco de laranja e com ele limpe pela ultima vez o fundo da panela.
  4. Junte o tomate em cubos e o tomate pelado e 1/2 lata de água. Assim que ferver abaixe o fogo, tampe a panela e deixe que o molho cozinhe lentamente, apenas com o cuidado de passar a colher pelo fundo de tempos em tempos (se você tiver uma chapinha de metal para colocar sob a panela, perfeito!), até que a carne comece a soltar do osso e você obtenha um molho consistente.
  5. Ferva água com sal grosso (sem fio de azeite) e nela cozinhe a massa (comprei uma seca italiana excelente, da marca Granarolo) apenas pelo tempo indicado na embalagem, use um timer para não errar!
  6. Enquanto a massa chega ao ponto certo, ajuste o sal e finalize o ragu com a salsinha fatiada.
  7. Disponha a massa em uma travessa, regue com uma concha da água do cozimento (isso mantém a massa hidratada e melhor para absorver o molho), e sobre ela o ragú. Sirva com queijo ralado e uma rede ao lado!

Já a salada é bem simples, basta dispor as pecãs sobre os verdes, polvilhar com flor de sal e regar com a emulsão.

Bom apetite!

 Harmoniza com… Por Marcelo Pedro (No copo) e Marina Novaes (Na Pick’up)

Neste fim de semana o rango foi surpreendente. Flango ou macalão, prefiro os dois. O ragú feito com as coxinhas da asa ficou sensacional. O suco de laranja, apesar de não sobressair, trouxe um frescor e sutileza ao molho.

Erroneamente, abri uma cerveja alemã de trigo escura, uma Erdinger weissbier dunkel, e não me dei bem. O sabor tostado nao casou com o ragu. Nem sempre a gente acerta, então faço o mea culpa, e indico um vinho tinto delicado, que não brigue com o prato, mas que tenha sutileza para harmonizar com o talharim e o ragú caipira da Leti.

Como já falei por aqui, quando o assunto é vinho para acompanhar a refeição fico com os tintos do velho mundo, como um bom Chianti Clássico, da Toscana. Outra boa escolha seria um vinho português do Douro, como o Assobio, tinto sem exageros tânicos nem amadeirado em excesso.

É isso aí, saúde!

 

Eu ainda fico boba com a dimensão das redes sociais e a mudança nas formas de relacionar que elas proporcionam. Papinho de historiadora à parte, o lance é que eu pirei quando a Let postou essa receita no Instagram. Achei uma super sacada, poética e apetitosa.

E para harmonizar o Talharim com ragú de frango à moda caipira, eu tive que aliar toda essa história: música-praia-rede social. E voilà: Anelis Assumpção.

Esse dubwise “Not Falling”, é uma delícia e representa as suas influências que passeiam bastante pelos gêneros jamaicanos como reggae, ska e ragga. Aiaiai, “o coração leve como uma pluma se eleve, eu não estou caindo”.

Lançado em forma de compacto em vinil, Not Falling veio junto com o Benedito, um pouco mais novo que o Tom, e irmão da doce e querida Rubi.

Pois é, e foi por conta deles que nos conhecemos. Um dia, no  restaurante Ora Pois, enquanto o Curumim, marido dela, conversava com o Will, o Tom bebezinho fazia alguma gracinha no carrinho, e ela vira pra ele e exclama: “esse é o Tom! Vi numa foto do Sato”. Ela, super grávida, disse que estava esperando o Bendito. Depois, em casa, eu me arrependi de não ter dito que adoro a música do pai dela Nego Dito, e que sempre que toco, na versão com o Branca de Neve a pista vai a loucura.

Ao saber que o bebê tinha nascido, comecei a segui-la no Instagram, e ela me seguiu de volta, e a gente vive neste carinho de curtir as fotos, mandar coraçõeszinhoe e mais emoticons, que às vezes sai do virtual e vira uma água de coco na feira de orgânicos do Parque da Água Branca.

Não tem jeito: novas formas de se relacionar, de encontrar amig@s, e de fazer receitas. Mas só tem graça quando o timer toca e tiramos o macarrão da água fervendo.