Sazonal – As cores e sabores da estação e Salada de Beterraba com Feijão Rosado

Fotos por Flavia Valsani

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Há tempos que eu e a Flavita queríamos fazer um ensaio de moda e comida com a Bia.

Enfim, marcamos o dia para fazer um primeiro estudo. Era maio e os produtos de outono/inverno começavam a chegar aos mercados e feiras… logo pensei em falar da sazonalidade dos ingredientes e sabores e casar com as cores da moda para a mesma estação.

A partir da paleta enviada pela Bia, saí em buscas das mesmas cores nos ingredientes da estação… e é claro que tudo se encaixou em um lindo mosaico… as receitas vieram naturalmente, a vontade de comer o que está na época sempre chega junto com a estação e atiça a criatividade na cozinha.

Bia, por sua vez, montou os looks inspirada nas receitas que enviei… e eu fiquei particularmente feliz quando ela chegou com peças do acervo pessoal, cheias de história, memória afetiva, muitas delas direto do armário da mãe dela, minha querida amiga Ana.

E eu não pude deixar de pensar na beleza disso, das estações que se repetem na vida da gente e deixam seu gosto misturado a lembranças… as beterrabas que você comeu naquele inverno, enrolada nas cobertas, assistindo ao seu filme favorito… o casaco ainda com o cheiro de abraço e de uma noite deliciosa…

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Amigos se juntaram à empreitada, e o que era um estudo virou festa. Flavita trouxe Zeza Maria de assistente, e o querido Andre Araújo trouxe seu olhar apurado para a produção… terminamos o dia em volta da mesa farta de outono com a companhia de outra baiana arretada, a Duda Lima. Quem disse que trabalhar não pode ser muito divertido?!

Ao final fotografamos 4 receitas, que você acompanha a partir de agora, uma por semana, todas com os produtos da estação.

Sazonal

É tudo aquilo que é próprio de uma estação, que não se repete ao longo do ano…

Apesar deste conceito estar cada vez mais esquecido, com morangos e mangas em oferta de janeiro a janeiro, não faltam razões pra gente colocar no prato o que está na época, o produto da estação. 

Três delas merecem destaque: É mais gostoso, mais saudável e mais barato!

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Mais gostoso, porque o alimento produzido nas condições climáticas perfeitas vai chegar ao ponto de consumo naturalmente, e desta maneira atingir a potência de sabor e qualidade. Já tentou comprar mandioca fora da época? Não cozinha nem na pressão. Frutas fora da época? São secas e sem gosto. Sardinha fora da época? Magrinhas…

Mais saudável, porque fora das condições climáticas perfeitas serão utilizados insumos artificiais para que o alimento produza: dá-lhe fertilizantes e agrotóxicos, que — além de prejudiciais para a sua saúde — poluem o ambiente e ameaçam espécies, como peixes e crustáceos consumidos no período de defeso, quando estão reproduzindo, ou seja, comer produto fora da estação do ponto de vista ecológico é fuénnnnn!

Mais barato, porque na época certa esses  insumos artificiais não são necessários (o que reduz custos) e a produção é naturalmente maior, afinal de contas, está na época, o alimento quer e precisa produzir frutos para sobreviver como espécie!

E acima de tudo, há razões afetivas: esquecer a sazonalidade acaba nos privando do prazer de esperar aquele período do ano para saborear o alimento favorito. As uvas roxinhas que marcam as festas do final de ano, geladinhas na fruteira do réveillon, perfeitas para o calor de dezembro, na friaca de junho perdem o sentido…

Assim como os caquis, que têm a cor e marcam o começo do outono, perdem todo o seu appeal no verão. Pensa em alguma coisa mais inverno que pinhões… esses pelo menos não tem como, a gente só encontra na estação, e esperar por eles é quase melhor que a prosa em volta do fogão a lenha em Gonçalves, enquanto assam na chapa…

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Como diria minha avó: deixa de teima e larga mão de consumir produtos fora de época. Não é bom pra você, não é bom pro alimento, não é bom pro planeta!

E pra começar a brincadeira, e te inspirar a comer na época o que é da época, uma salada deliciosa com uma das minhas queridinhas na estação, a beterraba, aqui em pas de deux com outro queridinho, o feijão rosado, que além de gostoso é lindo!

receita

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Beterraba assada e temperada com melaço de romã é clássico aqui em casa, no inverno então, vira figurinha fácil na mesa e acompanha uma série de preparos.

Quando vi que o vinho intenso da beterraba estava entre as cores da paleta que a Bia me enviou, logo pensei nessa salada acompanhada de feijão rosado. E  apesar do vestido que ela estava usando remeter aos mesmos tons, foram as cores e formas do brinco (lindo!!!) que de fato inspiraram o preparo. 

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Ingredientes – 4 porções

Beterraba

  • 4 beterrabas pequenas descascadas e partidas em 4
  • 2 colheres (sopa) de melaço de romã
  • 1 colher (café) de pimenta Baniwa ou outra pimenta em pó
  • azeite de oliva extravirgem
  • flor de sal
  • brotos variados – usei de beterraba e baby rúcula
  • papel alumínio

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Feijões

  • 3oo g de feijão rosado fresco já retirado da vagem (cerca de 4 xícaras de chá)
  • 3 colheres de ciboulette laminada finamente
  • azeite de oliva – eu usei um espanhol que amo e que ficou perfeito nesse preparo, já que tinha pungência na medida para as beterrabas, Oro Bailen, presente da querida Iris da Rua do Alecrim
  • flor de sal

 Modo de fazer

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Beterrabas

Disponha os quartos de beterraba em um refratário, regue com um fio de azeite (pouco) e polvilhe com flor de sal.

Cubra com papel alumínio e leve ao forno preaquecido por cerca de 25 minutos, ou até estarem macias ao toque do garfo. Retire o alumínio e deixe que dourem e caramelizem por fora por mais 15 minutos.

Retire-as da assadeira, regue com o melaço de romã, polvilhe com a pimenta Baniwa e, se necessário, ajuste o sal.

Feijões

Cozinhe os feijões em água com uma pitada de sal até ficarem ao dente. Escorra o líquido e reserve.

Tempere os feijões com azeite e a ciboulette. Ajuste o sal.

Montagem

Em uma tigela ou travessa disponha as beterrabas, ao lado os feijões e finalize com os brotos.

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(e sabe o que me deixou mais feliz? foi ver toda a turma da produção atacar a salada… não sobrou broto pra contar história. adoraram!)

Bom apetite!

Gostou? Então passa aqui semana que vem que será a vez dos mariscos… hummmm…

Harmoniza com…

para beber

por
marcelo pedro

Uma salada invernal tem que ser substanciosa. Então, porque não optar por um bom vinho tinto? Sim, salada pode ser harmonizada com vinho tinto. O importante é saber escolher um vinho que tenha certa acidez, tenha fruta, mas que não seja exageradamente tânico ou excessivamente complexo, com notas de madeira, que ofusquem a delicadeza desta salada de beterrabas. Fuja então de Malbecs argentinos, Cabernets Sauvignon chilenos, ou mesmo vinhos portugueses da Bairrada, ideais para acompanhar carnes e assados.

Minha opção hoje seria um Pinot Noir, tão mal falado no filme Sideways, entre umas e outras, mas que é um vinho muito delicado e sutil. Não é à toa que é a principal varietal dos famosos, e caros, tintos franceses da Borgonha. É uma uva delicada, de casca fina, que precisa de noites frias e dias quentes para atingir sua maturação ideal. Fora da França, se deu bem em regiões costeiras, que sofrem influência do ar marítimo frio, em especial do oceano pacífico. Por isso, as regiões mais famosas a produzirem este varietal sejam no Oregon, Estado de Washington, Chile e Nova Zelândia. Ainda não encontrei um Pinot noir chileno que me impressionasse, mas os neozelandeses são sensacionais!

Se vc acha que salada com vinho tinto fica meio pesado, outra opção seria um bom rosé argentino ou chileno. Ainda outra grande opção seria um espumante rosé, como o da Filipa Pato, que tanto gosto e já recomendei por estas paragens.

Enfim, aproveite o frio, curta a cor da estação e tome um bom vinho!


para ouvir

por
marina novaes

A música tem o seu quê de sazonal, mas sem a mesma periodicidade que as estações do ano nos proporcionam. Quem não tem aquelas épocas ouvindo um disco ou uma música, para, e depois de um período, volta ouvir de novo, com o mesmo afinco, celebrando memórias afetivas? Comigo é assim com João Donato, Clube da Esquina, Jorge Ben, Strokes, Beatles, The Commitments, entre vários outr@s.

E tem as sazonalidades dos ritmos. Estou nessa fase dos anos 80, que o Pharell, Daft Punk, Beyonce e Justin Timberlake tem trazido. O final da era disco e o começo do eletrônico dos anos 80 é onde 2014 se encontra agora. E o duo canadense Chromeo, são tele-transportadores daquela década, desde 2004.

Em maio fomos a Londres e compramos  o recém lançado quarto disco, “White Women”, (sim, ainda compro CD!!) que não sai do CDJ. A nossa casa logo vira uma pista de dança – diretamente de 1985 – e não tem como não adorar.

Para aproveitar essa Salada de Beterraba com Feijão Rosado, coloque bem alto Jealous (I Ain’t With It) do Chromeo e veja se não é bom uma coisa nova com o gosto de conhecido!