Vitrolinha – Em dupla é bem melhor!

Eu nunca achei chato ir ao cinema sozinha. Nunca tive problema em ficar sábado a noite sozinha. E acho o máximo viajar sozinha.  

lets e marinitsAntes de casar, eu ganhei umas milhas dos meus pais, que valiam para qualquer lugar da América do Sul que eu quisesse, e eu escolhi São Luiz – MA, para passar 20 dias. Hoje, eu não sei se eu escolheria lá para passear, mas naquela época fazia sentido. Coincidiu com o período em que eu e o Will íamos morar juntos. Ele não se conformava que eu queria ir sozinha, mas não me encheu. Naquela época meu celular não fazia chamada interurbana, e dos 21 dias que fiquei lá, liguei pra ele tipo umas 5 vezes. Ele ficou um pouco chateado, mas entendeu. Achei incrível que ele estava me respeitando deste jeito, ele entendia que eu precisa desta despedida de solteira.

Mas não fiquei sozinha lá não. No primeiro dia, no Albergue, conheci a Andreza uma piauense que morava na Espanha e estava fazendo uma viagem sozinha pelo Norte/Nordeste. Não nos desgrudamos, e foi o máximo! Ela topou fazer várias viagens malucas comigo pelo Maranhão, como Carolina e Chapada das Mesas, em Alcântara íamos ficar um dia, ficamos 3… Aí pensei: “viajar sozinha é bom, mas que bom que arrumei uma companheira”.

Quando faltavam 9 dias antes de completar 30 anos, a ONG que eu trabalhava foi convidada para participar de um encontro em Paris, e sobrou pra mim. Não deu para nos organizarmos para o Will ir juntos, mas pensei: “tudo bem também, adoro viajar sozinha”. O encontro era de comemoração de 60 anos da Declaração Universal de Direitos Humanos, e o tema era Direitos Humanos das Mulheres (lembrando que somos maioria mas ainda minoria). Durou um dia e meio, e fiquei mais  uns cinco. Eu andava, andava, andava, de repente o Louvre. Andava, andava, andava, e ali do lado o Pompidou.

Mas não fiquei sozinha lá. Só comprovei um clichezaço: você nunca está sozinha em Paris, porque a cidade te faz companhia.

Dois dias antes de eu ir para Praga, a trabalho, descobri que estava grávida. Aff, foi uma viagem muito emocionante. Fui sozinha, e pensei: “que bom adoro viajar sozinha”. Fiquei dois dias a mais, passeando por aquelas inspiradoras ruas, atravessando a ponte Charles vinte e duas veszes, passeando na cidade velha, no castelo, sempre com a mão barriga, sorrindo, às vezes chorando de emoção.

Exatos quinze dias depois fui para Bangkok, na Tailândia, falar sobre o meu trabalho num congresso incrível na Aliança Global contra o Tráfico de Mulheres. Quando marquei a viagem, pedi para chegar dois dias antes para eu me “adaptar ao fuso horário”. As pessoas que eu conhecia e que estariam lá iam estar numa reunião que eu não ia participar. “Ah, mas é legal viajar sozinha”. Fui em vários templos, andei de cima pra baixo na Khao San Road, passeei de tuk-tuk, comi muito pad thai.

Mas nem em Praga e nem em Bangkok eu estava sozinha. Tava com um bebê na minha barriga, e fui tudo tão de uma hora pra outra que estes momentos foram muitos bons pra que a ficha fosse caindo.

Trocando em miúdos, é muito gostoso ficar sozinha. Mas ter no mínimo uma duplinha para dividir os momentos, deixa tudo muito mais gostoso. Na música não poderia ser diferente.

A Rita Lee e o Gilberto Gil quando saíram da cadeia, em 1977, fizeram uma série de shows juntos (com a Tutti Frutti e a Refavela). Deram o nome de “Refestança“,  que virou disco ao vivo. Incluíram Ovelha Negra, Domingo no Parque e É Proibido Fumar de Roberto e Erasmo. Escute a faixa titulo:

Gilberto Gil e Caetano Veloso se conheceram nos anos 60 e fizeram uma revolução musical que começou (junto com outr@s artistas) com o Tropicalismo, adentrou as décadas seguintes, apesar de não ser tão revolucionário mais. Em 1993 eles gravaram um disco depois de 25 anos do Tropicália: ou Panis et Circensis,  chamado Tropicália 2, que tem a linda Desde que Samba é Samba.

Caetano Veloso, em 1979 participou do álbum Salve Simpatia, do Jorge Ben, com o gostoso samba rock Ive Brussel. Diz a lenda que o Jorge Ben se apaixonou por uma fã belga, e fez a canção para ela. Se eu fosse a própria Ive, ia me achar, ainda mais com o os dois cantando juntos. (este video é uma pérola!)

Ainda no samba rock, Jorge Ben gravou com Erasmo Carlos O Comilão, em 1980, no disco Erasmo Carlos Convida. Os dois são amigos desde a adolescência (quando o Jorge Ben era conhecido com Babulina) e chegaram a dividir um apê aqui em São Paulo.

Erasmo Carlos e Roberto Carlos formam uma das duplas mais importantes e de sucesso da música popular brasileira. Fizeram juntos mais de 500 músicas, uma mais romântica do que a outra. Imagina no final do ano tocar Amigo e não for um dueto entre eles? Sente só neste especial de 50 anos do Rei, com direito a “surpresinha”e chororo:

Roberto Carlos é o rei das parcerias, e no especial de 1983 cantou Meu Bem Querer com Djavan. A parceria entre os dois é desde 1980, quando o Rei pediu para ele fazer uma inédita para ele gravar e ele fez A Ilha.

Djavan ganhou do Chico Buarque a música A Rosa, para gravar em seu disco Alumbramento. Eu adoro, adoro, esta parceria, que narra o dia dia da Rosa (e o meu projeto de vida!). Pura malícia!

O Chico Buarque em 1975 fez um show com a Maria Bethania, no Canecão no Rio e que resultou no disco Chico Buarque e Maria Bethânia ao vivo. Isso é uma dupla de responsa. Não deve ter ninguém que foi nesse show e não deve ter se emocionado. Escuta Olê, Ola:

Maria Bethania e Gal Costa, que juntas com Caetano Veloso e Gilberto Gil formavam o quarteto Doces Bárbaros, ganharam prêmio em 1978 pela interpretação da poética Sonho Meu de D. Ivone Lara  e Delcio Carvalho. É linda demais!

Gal Costa gravou uma versão delicia, de Estrada do Sol com Elis Regina. Ficou o jeito delas! E que duplinha! Se eu fosse cantora ia e vivesse na época auge destas duas eu ia querer trocar de profissão! Inclusive a Elis Regina disse numa entrevista na Veja: “Neste país, só há duas que cantam: Gal e eu”.

Elis Regina recebeu uma super homenagem da Rita Lee (ela de novo, Marcelo :-)), que nem vou contar, escuta ela mesmo falando sobre Doce de Pimenta:

A vida é bem mais legal quando é compartilhada… Por isso que eu falo para a Let: “Eu sou a Rita Lee e você é a Elis Regina”. <3 <3