Garfo & Foco – Chá

Esse preparo aqui é a prova viva de que uma andorinha só não faz verão… é fruto de várias referências e metade dela foi feita à quarto mãos.

A história é a seguinte: já contei aqui que há algum tempo ando pensando em comida feita com chá. Isso desde o primeiro Ochazuque que fiz aqui. Dei uma busca por livrarias próximas, são gooogle e não encontrei quase nada sobre o assunto. Achei apenas livros de receitas para se comer em um chá, a refeição.

Falei com a Ana Franco da Cozinha de Idéias – com quem eu adoro trocar figurinhas culinárias – ficamos de marcar um dia para pensar sobre comida feita com chás e que fossem além das batidas crostas para carnes e peixes. O fato é que falamos, falamos e nunca conseguimos nos encontrar para dar cabo à idéia.

Eu que já andava com o ochazuque na cabeça, comecei a pensar que chá poderia ser um bom substituto para um brodo, e daí descambei para massas… e como massa é com a Adriana Aranha – a masterblaster no assunto – chamei para fazermos umas massas juntas. Fizemos várias e entre elas, duas para serem servidas no brodo de chá.

As duas versões que fizemos são doces, mas ainda vou fazer algumas versões salgadas para ver como fica. Quem sabe no preparo dessas consigo juntar a Ana e a Adriana, aí vai virar festa!

O resultado foram dois capelettis para serem servidos em brodo de chá: em uma das massas usamos um pouco de cacau 100% da calebaut e na outra adicionamos pimenta preta moída na hora.

A massa de cacau nós recheamos com doce de amendoas e servimos com Earl Grey. Como já disse aqui antes, adoro a combinação laranja+amendoas+chocolate, daí a escolha do earl grey, um blend de chá preto com bergamotas, originário da China, mas que ganhou fama por conta de um tal Conde Grey (quem quiser saber mais sobre o assunto a wikipédia conta tudinho).

Já para a massa branca, com pimenta preta, nós fizemos um recheio de tâmaras com vinho do porto, que casou perfeitamente com a pimenta preta. Para essa massa com uma “pegada” mais indiana, usei para o brodo um Darjeeling tea, produzido nas montanhas no Oeste da região de Assam, na Índia, e considerado o champagne dos chás.

Quando a Gabi foi fotografar o resultado final – as massas no chá – foi que percebi que o doce de amendoa que recheia a massa de cacau, por mais fechadinho que esteja, acaba escapando e “suja” o brodo, o que não é legal seja do ponto de vista estético, seja pelo brodo em si, que precisa ser translúcido. Mas o gosto ficou muito bom!

Por esta razão fotografamos apenas a massa branca com pimenta do reino, recheada com tâmaras e vinho do porto. Que na minha opinião ficou perfeita e muito elegante para ser servida como sobremesa em um jantar de inverno.

Para a produção pensei em louças que mostrassem a cor do chá e remetessem ao oriente, para ficar bem marcada a bricadeira do preparo que leva a massa – prato do dia-a-dia na Itália – de volta a sua origem oriental.

E como vcs podem ver, este post não tem receita, mas sim um começo de caminho, uma idéia a ser desenvolvida. Se quiser fazer na sua casa, basta cozinhar o capeletti e depois serví-lo imerso no brodo/chá.

Se fizer, passe por aqui para contar como ficou!

E você já sabe, né? Quer saber sobre as técnicas fotográficas da sessão, acesse DiaPositivo e veja lá o que Gabi Butcher tem prá contar!