Vitrolinha – Criolo Doido

Ela chegou em casa, parou o carro no estacionamento e pensou: “que preguiça de ir ao supermercado, vou resolver tudo na padaria mesmo. Aproveito para estrear esta eco bag, que de ficar tão bem dobradinha na bolsa, acabo sempre esquecendo”.

Enquanto caminhava para o quarteirão de cima, ela ficou fazendo a lista mentalmente:

“Para o café da manhã: 2 pãezinhos, manteiga tem não precisa. ah! e meio quilo de café. É mais caro, mas é mais gostoso quando eles moem o grão na hora”.

“Para o jantar: aquela torta de palmito com aquele creminho de queijo. Tem salada na geladeira. Vou pegar também uma tortinha de morango, assim mais tarde deito na rede ouço mais uma vez o CD do Criolo, e como a sobremesa”.

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Ela demorou para ouvir este disco. Na verdade, tudo o que fica hype de uma hora para outra ela sente preguiça. Mas Kleber Cavalcante Gomes, conhecido também pelos nomes artísticos Criolo ou Criolo Doido, não é uma coisa do momento. Batalha desde 1989. Criou a Rinha dos MC´s. Trabalhou como educador. Fez alguns filmes. E de 2008 pra cá ganhou vários prêmios como músico.

E foi num destes prêmios, da revista Bravo! que ela o conheceu. Ele foi até a mal posicionada cabine da DJ só para dar um oi e desejar bom trabalho. Um cavalheiro de mãos macias. E genial. Onde já se viu um rapper fazer um disco que mistura afrobeat, tango e samba? Não é a toa que Caetano Veloso canta com ele em premiação, Seu Jorge grava música e Chico Buarque o homenageia.

O disco pode ser baixado inteirinho no seu site. Coloque a primeira música “Bogotá” para ver se consegue ficar parado.

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Já na fila do caixa da padaria, “é débito, moça!”, checou a lista: “para o jantar, ok; para o café da manhã ok. Hmmm, e para a saudade, hein?. “Moça, vou levar também um trident de canela”.