Bolo invertido de figo e mel

Se tem um “trem” que eu acho lindo é um bolo invertido! Desde criança ficava encantada ao ver aqueles bolos lindos com rodelas de abacaxi caramelado, entre dourado e cobre, coroando a massa fofinha do bolo… ô lindeza! Fora que eu sempre achava uma das mágicas da cozinha as receitas que levavam caramelo no fundo da forma pra então entrar a massa, vibrava vendo minha mãe fazer o caramelo do pudim; e os bolos invertidos, então!? que ainda levavam frutas… eram puro deleite pra mim!

Mas vejam só vocês, apesar de todo encantamento, nunca fui de fazer muito bolo invertido, fora algumas tarte tatin que fiz pro Marcelo (a sobremesa favorita do pequeno bagre!) e alguns de banana na adolescência, na maior parte das vezes naveguei foi em invertidos alheios. :)

Daí que, de uma tacada só, na mesma semana, fiz um de banana — com o cacho que havia acabado de colher no quintal — e outro de figo, por conta de algumas caixas de figo que sobraram de um evento. O de figo eu fotografei, o de banana fica pro próximo cacho que eu colher, prometo fazer e fotografar, e até lá penso em inovações no danado!

receita

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Eu usei a massa de bolo da Nely, minha amiga de São José, a mesma do Bolo Cosmopolitan que é um sucesso aqui do brógui, apenas troquei as frutas secas da massa por nozes.

O diferente nesse bolo invertido é que, no fundo da assadeira, em lugar do característico caramelo de açúcar usei um mel de florada silvestre, que trouxe de Pirenópolis. Depois que virei o bolo no prato, o mel molhou toda a massa e deixou o danado parecido àqueles bolos de frutas de natal. Ficou delicioso!

Com as sobras de massa ainda fiz dois bolinhos pequenos recheados com figo, mas estes sem mel. Ficaram perfeitos com café!

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Ingredientes

(rende 1 bolo pequeno + 2 bolinhos)

  • ¾ xícara (chá) de manteiga
  • 1 xícara de açúcar
  • 2 ovos
  • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 1 copo de iogurte natural
  • 1 colher (sobremesa) de fermento em pó
  • 1 colher (chá) de bicabornato de sódio
  • 1 xícara (chá) de nozes picadas grosseiramente
  • 5 colheres (sopa) de mel
  • figos frescos em lâminas, quanto baste para cobrir o fundo da assadeira

Modo de fazer

Massa

Preaqueça o forno na potência alta (180° a 200°C).

Bata o açúcar com a manteiga até dobrar de volume. Acrescente os ovos e continue batendo até estarem bem misturados.

Acrescente o iogurte natural e em seguida a farinha de trigo. Bata bem até a massa ficar aerada e com bolhas de ar. Acrescente o fermento e o bicarbonato, e então apenas mexa com uma espátula, até estarem bem misturados à massa.

Acrescente no final um pouco mais da metade das nozes picadas. Reserve o restante. Misture bem com a massa.

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Forre o fundo de uma assadeira com as fatias de figo e regue com o mel.

Cubra com a massa e finalize polvilhando com o restante das nozes.

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Leve ao forno preaquecido (20 minutos de antecedência pelo menos) na potência alta (180 a 200 graus) por 15 minutos ou até o bolo crescer. Abaixe o fogo (150 graus). Deixe por mais 20 minutos para que asse.

Para saber se está assado: enfie um palito e veja se sai limpo.

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Deixe esfriar antes de desenformar. Aí é só recolher os elogios! Hummm…

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Para os bolinhos, unte as forminhas, forre com uma colherada de massa, disponhas as lâminas de figo e cubra com o restante da massa. Forno alto 10 min e + 15 min baixo pra assar.

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Bom apetite!

Harmoniza com…

para beber

por
marcelo pedro

Bolo invertido com figo e mel nos remete ao oriente médio, à comida de deuses. E para acompanhar esse bolo divino, optei por uma bebida ancestral, mais antiga que o vinho, o hidromel ou vinho de mel. Sua produção marca a passagem da humanidade de coletores para produtores, antecedendo a agricultura, segundo Claude Lévi-Strauss. Foi consumida por diversas civilizações antigas, como gregos, romanos, vikings e celtas. É considerada a bebida ancestral de todas as bebidas fermentadas da Europa, África e Ásia.

Com o advento da uva e da vinicultura na região do Mediterrâneo, o hidromel ou vinho de mel permaneceu muito apreciado nas regiões mais frias do norte da Europa, principalmente entre os vikings, os saxões e os celtas. Na irlanda, após o casamento, os nubentes deveriam beber hidromel durante todo o ciclo lunar que se seguia, ou seja, 4 semanas, de onde surgiu a expressão Lua de Mel. Hoje, o hidromel ainda é muito consumido nos países eslavos do leste Europeu, como Rússia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Croácia, Polônia, Estados Bálticos e Bielorrússia.

Modernamente, o mel é diluído a partir de seus habituais 80% de açúcares (glicose e frutose, predominantemente) para 20%, e são adicionados a levedura (Saccharomyces cerevisiae), em geral as mesmas cepas utilizadas para vinificação de vinhos brancos, além de alguns minerais e vitaminas que não existem no mel e são necessários para que a fermentação ocorra adequadamente, como fosfato de amônio, vitaminas B1, B12, B3 e biotina, e outros sais minerais. Mas as receitas mais tradicionais utilizam leveduras selvagens, e adição de frutas – especialmente framboesa, amora, morango, maçã e então chama-se melomel, ou de especiarias como canela, noz moscada, cravo, ou mesmo de ervas como lavanda, camomila, lúpulo. São mais de 40 variedades de bebidas fermentadas a partir do mel. É importante diferenciar o hidromel ou vinho de mel, de vinhos brancos aos quais se adiciona mel para adoçá-los ou flavorizá-los, pois a fermentação foi do mosto de uva e não do mel.

Coincidentemente estivemos em viagem pela região serrana do Espirito Santo, em Pedra Azul, município de Domingos Martins há cerca de 2 semanas e conhecemos o Apiário Florin, da Neuza Vicente dos Santos e do Arno Wieringa, casal brasileiro/holandês, que produz mel de diversas floradas, propólis, geléia real, apitoxina além de mel de abelhas nativas, como a Uruçu e Jataí. E também produz vinho de mel, nas versões seca e doce, com teor alcoólico de 12%, vão muito bem geladinhos com este bolo delicioso!


para ouvir

por
marina novaes

Invertido. De cabeça para baixo. Upside down. Diana Ross!

Ou melhor, Diana Ross produzida pelo Nile Rodgers, que eu gosto muito e que já falei aquiaqui e aqui.

A música é de 1980, e foi a primeira música que o guitarrista do Chic fez para alguém famoso.

E a Diana, que começou a vida de sucesso com o The Supremes, emendou carreira solo, inspirou um monte de gente como o Michael Jackson, Beyonce, Mary J. Blige entre outras pessoas, é um clássico.  

Clássico, como o bolo invertido! E chique, como a Diana Ross, os figos e o hidromel!