A Cultura dos Pubs Londrinos & The Bald Faced Stag – por Maria Marotto

Durante os dias em que estive em Londres em agosto, fiquei hospedada na casa da minha amiga Maria Marotto, e foi com ela que eu e minha prima Aletéia desvendamos boa parte da cultura e códigos dos ingleses, em especial, dos londrinos. E não podíamos ter tido uma professora melhor. Maria sabe como poucos interagir e enxergar outras pessoas. E como gosta disso!

Maria e Martin (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

E foi pelas mãos dela que conheci minha sala de visitas em Londres: o pub The Bald Faced Stag, onde ela trabalha. Um legítimo caso de amor ao primeiro pint! Me encontrei no lugar e bati cartão no concorrido balcão todo fim de tarde, como uma legítima inglesa. Fiz amigos, ganhei rodadas de cerveja, sapeei a cozinha, bebi com a equipe e até para jogatina de pôquer fui convidada!

De quebra ainda tive o prazer de experimentar os clássicos da comida inglesa executados à perfeição! Foi no Stag que tomei meu primeiro PIMM’s, preparado especialmente pelo querido Martin, conferi o que era afinal o sunday roast, experimentei sticky toffee pudding, fish & chips e um molho de horseraddish que eu sempre comia às colheradas!

Maria Marotto (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

E Maria, em sua divertida e alucinada coreografia à frente do bar, ia me apresentando fregueses, amigos, colegas de balcão (de um lado e do outro), enquanto desfiava um novelo de mil “causos” sobre a rotina, a história, conversas e segredos que só um bar (em qualquer lugar do mundo) guarda.

Fim de noite no balcão do Stag (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

Lá pelas tantas, bêbadas evidentemente, conversamos que ela bem que podia escrever um post para o blog, sobre a cultura dos pubs ingleses que ela conhece e aprecia tanto… Dona Marotto, que também gosta de escrever, adorou nossa conversa, que acabou se materializando no texto que segue, e de quebra, ainda conseguiu da turma da cozinha as principais receitas do Stag, (Charles, Robert e Tim – Thank you so much, dear, the recipes are amazing!) dentre elas, a do sticky toffee pudding, que fiz, fotografei e comi com os olhos marejados de saudade!

A cultura dos pubs londrinos e The Bald Faced Stag por Maria Marotto

…nossas humildes caminhadas até The Bald Faced Stag, em Finchley, onde bom ânimo e taxas moderadas convidam ao viajante, passávamos por belas aldeias e gloriosas paisagens. O saboroso jantar com costeletas de porco era a recompensa à nossa espera. “Socrates”, dizia ele: “Amo javali selvagem e trufas. Não seria a carne de porco minha vaidade gastonomica?” E essa libido gastronômica temperava nossa humilde caminhada, sob a luz da lua e das estrelas, de volta a nossos lares “  (Memorias de George Daniel em “Loves Labour Not Lost”, descrevendo caminhadas dele e Charles Lamb, em 1820)

 

Balcão - The Bald Faced Stag (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

O Pub é a extensão pública da sala de estar inglesa. Inclusive a sigla, Pub, vem da palavra “public”. É o espaço social de convivência onde muitas regras de comportamento podem ser quebradas sem maior comprometimento, conforme afirma a antropóloga Kate Fox em seu livro Watching the English.

Embora todos dividam essa característica comum, cada qual se difere pela localização e estilo de seus frequentadores. Cada Pub tem seus “regulars”, que são os frequentadores diários, que se conhecem entre si e têm a liberdade de engajar numa conversa espontânea, assim como usar o lugar para reuniões de trabalho, ou ensimesmar-se, acompanhado de um trago. São locais que se ajustam as mudanças ao longo do tempo e vão se reinventando, sem perder o teor primeiro da descontração e encontro social.

Aletéia no Stag (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

Ao longo dos anos, em que pese a manutenção do mesmo espírito de encontro e sala pública, os Pubs sofreram grandes mudanças em sua estrutura original. Duas delas são bem marcantes na atualidade:

A primeira, econômica, reflete a apropriação corporativa dos pequenos negócios por holdings. Nesse contexto, vários Pubs são comprados por grandes organizações com o compromisso de manter sua identidade única, porém, dentro dos padrões administrativos da corporação a qual pertencem. Em palavras simples: a compra da alma dos pequenos negócios! Por outro lado, esse fator também faz dos Pubs o mais rentável dos negócios atualmente para quem tem como bancar essa custosa empreitada.

Saída de pratos na cozinha do Stag (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

A outra mudança está na qualidade da comida e bebida servida nesses estabelecimentos. Se no passado os Pubs se prestavam a uma culinária simples e tradicional, nos dias de hoje aprimoraram sua cozinha como forma de ir ao encontro da nova onda gourmet. Expandiram seus “Dinner Room”, assim como estabeleceram relação próxima e intrínseca com cervejarias e vinícolas. De fato, hoje em dia muitas cervejarias são proprietárias de redes de pubs.

Um pouco da história

Cervejas no Stag (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

O costume de ir a Casas de Cervejas vem de longa data, no entanto, foi o assentamento de estradas conectando vilas e cidades (mérito romano) que aumentou a peregrinação e, logo, a quantidade de estabelecimentos desse tipo.

As viagens por essas estradas eram longas, desconfortáveis, inseguras (com muitos roubos ao longo do percurso) e demandavam troca de cavalos a cada 15 km. Nos pontos de troca iniciou-se, por volta do séc. XVII, uma competição para a instalação de hospedarias nas quais os viajantes pudessem contar com boa comida e bebida, além de divertimento. Por este fato muitos pubs encontram-se alocados no mesmo lugar desde sua fundação, centenas de anos atrás.

As refeições eram preparadas as vistas dos fregueses, usando lareiras montadas na sala de recepção como fogão. Infelizmente por conta da modernização dos espaços internos, poucas dessas lareiras permaneceram até os dias atuais.

The Bald Faced Stag

The Bald Faced Stag

O Pub O Veado Encarado/ O Veado de Cara Branca é um desses locais ainda funcionando a pleno vapor. Construído por volta de 1714, seu primeiro nome foi “The Jolly Blacksmiths”, lembrando a antiga profissão de seus donos e construtores, os ferreiros John Newey e Thomas Grub. Por construí-lo entre limites de demarcacao, eles tiveram de pagar uma extravagante multa de £5 (o salario mensal era de£1!) ao Bispo, proprietário daquelas terras, para que pudessem permanecer no local, contanto que não vendessem bebidas alcoólicas: decisão ignorada pelos ferreiros, claro!

Em 1770 o bar mudou seu nome para The Bald Faced Stag, provavelmente por se destacar melhor à noite.

Terraço com a antiga árvore dos enforcados (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

Situado em uma encruzilhada em Finchley Commum, que no passado ligava Londres ao resto do Reino Unido e era uma região tida em alto conceito entre os viajantes, devido à qualidade dos serviços e a segurança que oferecia.

Os tempos eram outros, as viagens sempre perigosas. No afã de manter e afirmar essa imagem de seguro, uma forca foi erguida a poucos metros do bar (próxima à frondosa arvore que, ainda hoje enfeita o terraço) com a intenção de intimidar ladrões no exercício de seu ofício e como sinal de boas-vindas a uma pousada quente e hospitaleira, na qual os viajantes sabiam ser possível parar e relaxar em segurança.

Trio pura alegria no Stag (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

A região de East Finchley se fez famosa durante os séculos XVII ao XIX por abrigar o maior “Market Hog” (mercado suino) da Inglaterra. Ali porcos e derivados eram vendidos para a maior parte dos açougues de Londres, trazidos de todas as partes da Inglaterra e País de Gales e ali eram engordados à base de grãos, remanescentes da produção do “Gin London”. E esse era um grande atrativo para os viajantes de passagem, que esperam provar os produtos suínos pelos quais a região era famosa.

A partir de 1830 as estradas de ferro passaram a realizar as diligências e, com isso, muitas das velhas pousadas se viram obrigados a fechar.

Fish & Chips (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

Em 1839 John More, o dono da terra onde se situava o Stag constava numa lista de falidos e o estabelecimento correu o risco de fechar suas portas. No entanto, na mesma época três paróquias de Londres mudaram seus cemitérios para East Finchley: St Marylebone, Islington, e St Pancras e o Pub foi salvo pelo costume das festas fúnebres no Reino Unido, ocasião em que boa comida e bebida regam as memórias do falecido junto a seu circulo próximo, e o estabelecimento passou a acolher essas celebrações em seu recinto.

Cozinha Stag (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

Em 1880 o pub foi reformado para seu estado presente e foi então que ganhou a magnífica estátua de um veado de cara branca, ao topo do edifício.

O suporte histórico foi por conta do historiador Hugh Petrie, nascido e crescido na região e especializado nas pesquisas locais.

As receitas do The Bald Faced Stag por Charles Westbrooh, Robert Roman e Tim Bidmead

A cozinha do Stag (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

As receitas que seguem, são preparadas e servidas todos os domingos, seguindo a tradição do arrosto domingueiro no Reino Unido. Os atuais responsáveis por sua execução no Stag são: Charles Westbrooh, Robert Roman e Tim Bidmead, que gentilmente nos forneceu as receitas à moda da casa, sem cerimonia.

Arrosto (sunday roast)

Cozinha Stag 2 (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

Batatas -  Cozinhe por 5 minutos em água abundante 4 batatas cortadas em quatro. Escorra bem, coloque em uma forma untada. Tempere e deixe assar em um forno pré aquecido (220 C), por 1 hora.

Refogado de repolho roxo - 

1 repolho roxo em fatias finas; 
1 limão galego cortado ao meio; 
150g de açúcar mascavo; 
300ml de vinho tinto; 300ml de água.

 Coloque todos os ingredientes em uma panela e cozinhe por 1 hora e meia

.

Purê de Sweede (couve-nabo – mas pode ser substituido por mandioca-salsa ou cenoura)

 - 1 sweede médio descascado e cortado em cubos 1 centímetro; 
50g de manteiga
; Sal a gosto. Ferva o sweede em água até que ele comece a se romper. Em seguida, escorra o e amasse ao ponto de pure, adicione a manteiga e tempere a gosto.

Molho Horseraddish – 100g de 

Horseraddish fresco (rábano selvagem ou raiz forte);
 Suco de  1 limão; 
300ml de crème fraiche
; Sal a gosto.

 Despele o horseradish e rale bem fino. Passe pelo processador juntamente com os outros ingredientes e misture  bem.

Cozinha Stag - Fish & Chips (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

Cenouras assadas - Cenouras
 cortadas em palitos pré cozidos, regadas com mel e assadas por 20 minutos.

Primavera greens (especie de couve crespa) - cozinhe a couve em agua e tempere à gosto.

Pudim Yorshire- 
 100g de farinha de trigo;  100ml de leite; 
2 ovos; 
óleo para untar as formas; sal a gosto. 

Bata os ovos, farinha e leite em uma tigela até obter uma mistura uniforme. Deixe repousar  por 4-6 horas. Deve ser feito na noite anterior ao uso.

 Pré aqueça o forno a 200oC. Unte com óleo a bandeja propria para pudim Yorkshire e a leve vazia ao forno ao forno por 15-20 minutos, até esquentar bem (ponto de fumaca). Retire a forma do forno e  distribua a mistura do pudim, uniformemente, nos moldes. Volte ao forno e cozinhe por 20-30 minutos.

Carne assada

 – 600g de filé; 
sal e pimenta a gosto; óleo para untar a bandeja
. 
Apare toda a gordura e amarre a carne com barbante, de modo a lhe dar forma arredondada.
Tempere com sal e pimenta. 
Aqueça a bandeja sobre a boca de fogo e sele a carne por 30 segundos em cada lado. Em  seguida leve ao forno a 220C por 25-30 minutos, para obter a carne mal passada.

Gravy 
- 600ml fundo escuro de carne; 
200ml fundo de aves; 
Junte os fundos e leve ao fogo baixo até que reduza o volume à metade.

Pimms, a bebida do verão

Aletéia e Pimms (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

Em uma jarra de 1l e 1/2 adicione 4 doses de Pimms; 1/3 de pepino com casca, cortado fino; ½ limao em rodelas; 5 morangos em cubinhos; ½  laranja, com casca, cortada em meia rodela; folhas de hortelã à gosto; muito gelo.

Complete o conteúdo da jarra com soda limonada.

 Sticky toffee pudding

Confesso que à primeira vista não acreditei que o tal do sticky toffee fosse bom… Maria insistiu para que eu experimentasse, confio cegamente no paladar dela e resolvi arriscar… não tenho palavras para descrever o prazer que senti logo na primeira bocada, inacreditável como algo tão doce pudesse ser tão bom. Na hora pensei: lascou-se, amei esse “trem” e não vou achar em Sampa para matar a abstinência! Mas quem tem amigos tem o mundo e Dona Maria providenciou a receita que fiz e ficou, modéstia às favas, perfeito… me levou direto pro balcão do Stag, com a Maria de um lado e Martin do outro!

Sticky Toffee Pudding (Letícia Massula para Cozinha da Matilde)

Massa- 170 g de Tâmaras secas; 
250ml de água; 
60g manteiga em temperatura ambiente; 170g de farinha de trigo; 90g de açucar mascavo; 75g de açucar refinado; 2 ovos; 10g de fermento em pó.

Ferva as tâmaras na água por 5 minutos, escorra em uma peneira e guarde o líquido e as tâmaras separadas. Quando estiverem frias, passe as tâmaras pelo processador adicionando o líquido do cozimento aos poucos até obter uma pasta lisa.

Massa Sticky Toffee Pudding

Bata a manteiga com os açucares na batedeira até obter uma pasta uniforme. Junte os ovos e continue batendo. Acrescente a farinha, batendo sempre até obter uma massa homogênea, e então adicione a pasta de tâmara. Por fim, junte o fermento em pó e bata a massa em baixa velocidade.

Leve ao forno médio em uma forma untada por uma hora ou até o palito sair limpo da massa.

Caramelo- 70 g manteiga sem sal; 70g açucar mascavo; 500ml de creme de leite fresco.

Derreta o açúcar até o ponto de caramelo, junte a manteiga. Retire a panela do fogo e então junte o creme de leite fresco mexendo sempre, até obter uma calda lisa e brilhante.

Sirva o bolo embebido na calda com uma bola de sorvete de baunilha, de preferência feito em casa, como o da foto!

Harmoniza com… por Marina Novaes (na Pick’up ) e Marcelo Pedro (no Copo)

Ano passado nas férias conheci o sticky toffee pudding no pub onde minha amiga Maria Marotto tabalha em Londres. A Letícia, que já o havia experimentado, me falou que era ótimo. Confesso que estava um pouco cético; como francófilo que sou, não acreditava existir boa comida em pubs ingleses, nem receitas tipicamente inglesas deliciosas.

Fui surpreendido pelo pudding, que acredito ser uma das melhores sobremesas que já comi na vida, sem sombra de dúvida. Doce, untuosa, acolhedora, e rica, são algumas das descrições deste bolo maravilhoso, molhadinho com uma calda sensacional de açúcar mascavo. Minha sugestão para acompanhá-lo, sem ser ofuscado pela sua doçura e intensidade de sabores, é uma cerveja escura Porter inglesa, como a Fuller´s London Porter, bastante encorpada, com teor alcólico de 5,4% e aroma e sabor de chocolate e café, ou a nossa Demoiselle Colorado de Ribeirão Preto, que também leva grãos de café da região da Alta Mogiana, e vai muito bem com sobremesas a base de chocolate, por exemplo.

Outra opção mais alcoólica seria uma Barley wine, literalmente “vinho de cevada”, que são cervejas com a maior quantidade de malte de cevada e adição de outros açúcares caramelados, para dar cor e amargor, e por isso muito alcoólicas, algumas com mais de 15% de álcool! Só tomei uma vez uma Barley wine estadunidense, da Samuel Adams, e realmente lembrava muito um vinho licoroso, tipo Porto, mas com amargor típico de cerveja. Tanto as Porters quanto as Barley wine têm potência para encarar a super doçura e riqueza do toffee pudding, e ainda amargor para se harmonizarem pelo contraste. Cheers!

Eu gosto de rock and roll. Mas principalmente de rock britânico. Tudo começou na infância, com os Beatles. Daí foi um pulo para os Rolling Stones, David Bowie, The Smiths, New Order, Primal Scream, Gang of Four, Radiohead, Belle and Sebastian, Hot Chip… e a lista é grande!

Acho que por isso toda a atmosfera que envolve o Reino Unido me dá uma sensação de conforto, sabe, sem explicação. O tempo nublado, o sotaque, a cerveja, o Clive Owen, os punks (de verdade e os de boutique)… É como se eu tivesse em casa. E pensar que o pub é a sala de estar, como a Maria falou, fico pensando que  o meu Ipod todo podia harmonizar com a cultura dos pubs londrinos. Por que é isso: sentar e ficar a vontade, comer, beber, ouvindo música, como aqui em casa.

Mas imaginando uma noite no The Bald Faced Stag, no caminho eu ouviria London Calling  do álbum de mesmo nome (1979) do The Clash. Com uma letra super política, é  essencialmente Londres te chamando!

Enquanto eu estivesse no Pub, saboreando o Sticky Toffee Pudding, ia tocar Brown Sugar  do Rolling Stones, do álbum Sticky Fingers (1971). Talvez eu até dançasse, porque é dificil ficar parada com este rock groovado.

Já na hora de ir embora, depois de beber todas, eu ia ouvir If you Want me,  de Glen Hansard and Markéta Irglová, da trilha do filme Once (2007 ). Tirando que eu sou fã do cara só porque ele trabalhou no filme The Commitments (1991), que eu queria fazer parte, lá nos anos 90, a música é lindona, triste e melancólica, mas que combinaria com a caminhada noturna de volta para casa.

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Recomendações da Casa

Ontem me perdi na cozinha preparando um Sticky toffee pudding e quando me dei conta tinha passado o horário de postar as Recomendações da Casa… Mas mesmo atrasadas elas chegaram delícia:

Na cabeceira

Segredos de Chefs – As melhores técnicas dos mestres da gastronomia atual

Francine Maroukian, Publifolha

Bem bolado esse danadinho! Dividido por temas como: técnicas, carnes e aves, equipamentos, traz preciosas dicas e macetes em cada uma delas de chefs conhecidos – a grande maioria estadunidenses, alguns brasileiros como Flávia Quaresma, Laurent Suaudeau, que ao que tudo indica foram acrescentados para a edição brasileira.

Tem dica sobre tudo: desde a da autora de como lavar e cortar salsinha, o truque para amadurecer frutas rapidamente e moldar sorvete, e outras inusitadas como a técnica de domar liquidificador.

As vezes procuro alguma dica específica e então vou pelo índice, mas o que gosto mesmo é de abrir uma página aleatoriamente e descobrir que dica sorteei! E o bacana é que você acaba incorporando várias das dicas na sua cozinha.

Vale o clique:

A Arca do Gosto – Slow Food

Uma iniciativa do Slow Food, a Arca do Gosto é um catálogo mundial que desde 1996, identifica, localiza, descreve e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais reais.

Sabe o arroz vermelho que vira e mexe eu uso em receitas por aí? Ele e o babaçu, as ostras da cananéia são alguns desses ingredientes, que estão ameaçados de extinção simplesmente porque as pessoas pararam de comê-los. E se ninguém mais come, ninguém quer produzir e o produto para de existir. Triste fim de uma delícia, não é mesmo?

No site está uma lista dos produtos brasileiros que estão na Arca do Gosto e ainda os critérios utilizados para que um produto seja incluído. Basta um clique e depois é só pensar uma receita bacana com um produto muito especial!

 Outras cozinhas

Sushi Hamatyo

Rua Pedroso de Moraes, 393- Pinheiros

Uma portinha pequena e escondida da Pedroso esconde um dos melhores sushis de São Paulo. Quem me indicou foi o Martin Pelisson a quem sempre agradeço, em especial porque é um dos poucos lugares onde encontro meu peixe favorito para sushi: o carapau ou aji, sempre muito fresco e gordo como deve ser.

De propriedade do sushiman Ryoichi Yoshida, que foi proprietário do também excelente Sushi Guen, o Hamatyo é bastante tradicional e só serve sushis e sashimis de peixes que variam de acordo com a oferta do dia.

Não serve nenhum prato quente a não ser o missoshiro especial, com vôngoles, que é servido ao fim da refeição. Também não serve combinados, você pode pedir uma porção de sushi ou de sashimi separados ou se sentar no balcão e pedir parzinhos um a um, não sem antes consultar o que o sushiman indica para aquele dia.

Uma pérola para quem, como eu, é aficionado em comida japonesa tradicional!

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Frango caipira com pequi e tomate – o prato preferido da cozinheira!

Desde 2005, quando voltamos de Brasília e eu não encontrei mais frango caipira de verdade à venda, que eu não comia/fazia essa versão aqui com pequi e tomate, meu prato favorito desde a primeira vez que comi, em Tocantins, trinta anos atrás.

Foi do meu pai a idéia de acrescentar ao frango com pequi alguns tomates pequenos e muito vermelhos que encontrou à venda no mercado municipal de nossa cidade, Pedro Afonso. Esse dia ficou cristalizado na memória, ainda hoje quase posso ver as bacias de tomatinhos na banca com formatos diferentes e que deviam ser plantados por ali mesmo, junto com melancias nas hortas da beira do rio.

O resultado ficou tão bom que acabou incorporado aos pratos da casa. Até hoje me lembro de como achei perfeita a acidez leve do tomate, na medida certa para quebrar a oleosidade do pequi e “abrir” o sabor do prato, que ganha leveza e se eleva na boca até a gente enterrar os dentes na polpa carnuda do pequi e voltar ao chão.

Achei meu pai genial! E foi ali, acredito eu, que me dei conta pela primeira vez de que podíamos alterar e até criar receitas.

Muitos anos depois, quando fomos morar em Brasília e me deparei com a ampla oferta de frango caipira e pequi a venda nas feiras locais, resgatei a receita que repeti inúmeras vezes nos almoços de fim de semana e confirmei, de uma vez por todas, o favoritismo do prato em meio a tantos outros sabores queridos.

E a verdade é que talvez não seja apenas o sabor o que me agrada tanto neste prato, mas o fato dele traduzir o que eu sou e a saudade que sinto de um lugar que só existe aqui dentro: confortável, acolhedor, com sol quente e cheiro de cerrado.

 Frango caipira com pequi e tomate

Ingredientes

Os pequis eu sempre consigo encontrar aqui em Sampa no fim do ano (quando é época deles) e como são sazonais, aproveito para comprar uma saca de 25k e então congelo as porções na medida para cada refeição.

O frango caipira é o mais complicado… a gente até acha uns pseudo caipiras a venda no supermercado, mas cá entre nós… estão muito mais prá “country” que caipira, basta olhar a consistência da carne, a pele, para perceber que não tem nada a ver com um frango caipira de verdade. Por falar nisso, na sexta vai ter post aqui sobre o assunto e as diferenças entre um e outro, se você tem interesse pelo tema não perca.

  • 1 frango caipira
  • 1 cebola brunoise (cubos mínimos)
  • 1 colheres (sopa) de óleo de canola
  • 4 dentes de alho brunoise (cubos mínimos)
  • + ou – 15 caroços de pequi pré cozidos em água por aprox. 20 minutos (reserve a água do cozimento).
  • 8 tomates bem maduros partidos em 4
  • 5 pimentas bode
  • Salsinha picadinha (separe os talos picadinhos também)
  • Sal a gosto.

 Modo de fazer

Sue a cebola no óleo com uma colher (sobremesa) de sal. Acrescente duas pimentas bode partidas ao meio e os talos da salsinha. Junte o alho.

Junte os pedaços de frango até que dourem. Quando começarem a grudar na panela, acrescente dois copos de água e com o auxílio de uma colher limpe o fundo da panela, roubando toda a cor que se acumulou ali para a carne do frango. Deixe reduzir o líquido e quando a carne estiver grudando novamente acrescente mais 2 copos de água e assim sucessivamente. Repita este processo 6 vezes.


A esta altura do campeonato o frango já pegou uma cor incrível e de quebra todo o sabor dos aromáticos.

Hora de tomates e pequis irem prá panela.

Refogue bem e então acrescente a água do cozimento do pequi até um pouco mais da metade da panela (se for necessário complete com água pura). Junte as pimentas restantes, tampe a panela e deixe cozinhar por aproximadamente 30 minutos.

O resultado deve ser um caldo grosso, marrom avermelhado… se for necessário destampe a panela e deixe reduzir o caldo mais um pouco. Ajuste o sal.

Polvilhe com a salsinha picada, sirva com angú, saladinha de alface e arroz branco… e se for do seu agrado também vai bem acompanhado por um refogadinho de guariroba ou quiabo com jiló!

Bom apetite e não se esqueça de deixar os caroços do pequi secarem para depois retirar a deliciosa castanha que fica guardadinha lá dentro, protegida por um exércitos de espinhos afiados!

Harmoniza com… por Marina Novaes (na Pick’up ) e Marcelo Pedro (no Copo)

The Fifth Dimension – Age of Aquarius/Let the sunshine in
Disco: The Age of Aquarius

Escrevi este texto e tava guardando do lado esquerdo do peito, dentro do coração, debaixo de 7 chaves. E se o Frango Caipira com Pequi e Tomate é o prato da cozinheira, tomara que a harmonização tenha ficado a altura:

Conheço uma moça que chora quando ri. Não só quando dá uma risadona, mas quando exprime um sentimento puro. Uma vez presenciei os olhos dela cheios de lágrimas depois de um baita elogio do marido. Acho que por ser uma pessoa intensa, parece que em tudo o que ela se mete, escolhe, ou trilha, tem que ser inteira, honesta. Às vezes ela se decepciona com pessoas ou situações, mas é porque ela leva ao pé da letra o “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. (E quando isso acontece… vixe, a pessoa é deletada sem chance de recuperar na lixeira).

Eu mesma, vez ou outra, sinto isso também. Eu me emociono tão fácil, às vezes também fico tão feliz que choro. E quando isso acontece, eu fico querendo que o tempo congele, de tão gostoso que é. Imagina se isso acontece sempre com você? Eu já tinha falado isso pra ela, mas estes dias ela me contou que uma amiga de infância, que não via há décadas, disse que quando lembrava dela, pensava na “menina que chorava quando ria”. Confirmada a intensidade, inteireza e honestidade de ser. E adiciono também alegria e leveza, predicados que tenho prezado muito.

E esta moça também é dada a se emocionar com música. Um pouco badauera, diga-se de passagem, adoooora uma letra-cabeça, mas como tudo na sua vida, tem bom gosto. Já passamos muito tempo ouvindo música, sabemos quase todas as letras da Rita Lee de cor, entendemos todo o disco “Ogum, Xangô”, do Jorge Ben e Gilberto Gil, e até fizemos uma festa porque queríamos dançar “Over and Over” do Hot Chip (mas não nos encontramos na pista, vamos ter que fazer outra festa!).

Mas a musica que mais lembro dela, (nem é tão boa assim, ela deve saber disso) é “Aquarius/Let the Sunshine In”, que é uma junção de duas canções do musical Hair (1967). E o mais gostoso é ouvir e dançar. Mas tem que ser uma dança assim sem ritmo, com as mãos pra cima na hora que fala “This is the dawning of the age of Aquarius/Age of Aquarius/ Aquarius……….Aquariuuuuuuuuuuuus”. A música fala da crença astrológica de que o mundo, ao entrar na Era de Aquário, irá experimentar uma época de amor, paz, democracia e humanidade. Aiaiaiai, acho que quando esta Era chegar, a moça vai viver chorando, rindo e dançando!

Sou um dos poucos que gosta do cheiro, da cor e do sabor que o pequi dá aos pratos, mas não sou muito fã de roer a polpa do caroço. Acho sem graça, uma vez que a cor, aroma e sabor são liberados no cozimento. Para quem nunca comeu pequi, seu sabor e aroma são intensos, algo entre pungente e floral/frutado, marcantes mesmo. Difícil a tarefa de harmonizar com uma bebida. Portanto, minha dica para esta iguaria goiano-mineira é optarmos pela tradição. Uma dose de cachacinha para abrir o apetite, de preferência de alambique mineiro artesanal, mas de qualidade (as da cidade de Salinas e Januária, do norte de MG são excelentes). E nada mais brasileiro do que acompanhar este prato com uma cervejinha lager gelada (as nossas pilsen mais comerciais, são lager, mas muito aguadas, fraquinhas). Indico uma cerveja lager premium, ou seja, que não usa outros cereais não maltados como milho e arroz, que tomei outro dia e achei muito boa: Bauhaus premium lager beer, fabricada em Frutal-MG. É leve, refrescante, mas com sabor de malte bem marcado, amargor mediano, bom corpo, que não vai brigar com o sabor e aroma do frango com pequi, e desce muito redonda. Saúde!   

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Recomendações da Casa

As primeiras recomendações de 2012:

Na cabeceira:

Estômago – Brasil, 2010 – Dir. Marcos Jorge

Já devo ter assistido umas 5 vezes, também pudera, além de ter o centro de Sampa como pano de fundo e várias cenas feitas no Mercado Municipal da Cantareira, traz juntinho dois assuntos que me são muito familiares: comida e prisão (para quem não sabe, em minha vida pregressa fui advogada e já visitei muita prisão).

A história se passa em dois momentos distintos, o presente, com o protagonista preso e aprendendo a decodificar a vida na prisão e o passado, onde a gente descobre como foi que um sujeito boa praça e bom cozinheiro como Raimundo Nonato, o Alecrim, personagem do João Miguel, foi parar no xilindró.

É muito bacana acompanhar o processo de refinamento da comida dele, que chega em Sampa faminto, vindo do nordeste e acaba trabalhando em um restaurante bacana onde tem como tutor um apaixonado por comida que lhe ensina todos os segredos.

Mas a parte que eu gostei mesmo foi a da prisão. O filme é um Carandiru visto da cozinha e essa foi uma grande sacada na minha opinião. Evoluímos e criamos tanto como espécie que acabamos nos esquecendo que tudo começou com a luta por comida para sobreviver. A comida foi a nossa primeira moeda e consequentemente poder na mão de quem a detinha. E porque eu estou falando tudo isso? Porque em momentos de adversidade e escassez como a prisão, a comida volta a significar poder e a ser moeda forte. Quem a detém (cozinheiros e fornecedores de produtos) tem status e poder.

Raimundo Nonato, nosso personagem, descobre isso rapidinho e eu não vou falar mais nada porque a surpresa é um dos pontos altos do filme. Se você ainda não assistiu, não perca, é um filé mignon! :)

Vale o clique:

Festival Internationalde la Photographie Culinaire – FIPC

Foto: Sérgio Coimbra para Festival International de la Photographie Culinaire

A dica foi da minha amiga querida Luciane Bacellar, o site do FIPC – Festival International de la Photographie Culinaire que aconteceu em Paris entre 28 de outubro e 13 de novembro do ano passado (2011), cujo tema foi Comida de Rua.

Passei horas olhando as fotos concorrentes e laureadas e fiquei com o orgulho brazuca nas alturas com a premiação de Sérgio Coimbra, na categoria Turismo Gastronômico com a imagem acima, que achei linda.

Outras Cozinhas:

Restaurante Chi Fu – Pça Carlos Gomes, 200 Centro/Liberdade

Sem sombra de dúvidas é um dos, senão, o melhor custo benefício para comer frutos do mar em Sampa e de quebra uma grande oportunidade de experimentar comida chinesa (cantonesa) de verdade, muito além dos manjados frango xadrex e macarrão chop suey.

Para mim o cardápio do Chi Fu tem o mesmo apelo de uma vitrine de doçaria para os fanáticos por doce… um dos meus sonhos de consumo é algum dia baixar o cardápio inteirinho para experimentar um a um todos os 200 pratos. Passaria uma tarde me refestelando e girando loucamente o centro da mesa típico de restaurantes chineses rumo à próxima garfada… camarões no vapor, agrião chinês, berinjela, ostras…

Vá com o espírito preparado, não é só a comida que é chinesa, todas as garçonetes também são chinesas e só falam chinês e até tentam, mas não estão entre as pessoas mais simpáticas da face da terra. Neste contexto, escolher o que comer também pode ser complicado, mas você vai tirar de letra se entrar no espírito e perguntar insistentemente, ou simplesmente apontar o que estão comendo nas outras mesas e pedir igual.

As porções são muito grandes e por essa razão é uma excelente pedida ir ao Chi Fu em um bom numero de pessoas, assim você pode experimentar vários pratos sem desperdício e o lado bom é que as mesas são grandes e acomodam muito bem a família inteira. E a conta, pode ficar tranquilo, sempre sai muito em conta!

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Prá começar

Todo ano é a mesma coisa… um corre-corre danado por aqui no fim do ano, cozinha a todo vapor, a cozinheira enlouquecida (como sempre) com tanta demanda e o blog magrinho, às mínguas, com quase nenhuma postagem. Quando finalmente entreguei o ultimo trabalho só deu tempo de desejar Feliz 2012 e sair para um delicioso recesso com a família e amig@s querid@s.

Mas não podia deixar de compartilhar aqui, logo no primeiro post do ano, uma parte do trabalho do fim do ano que saiu aqui e acolá na mídia com muitas receitas:

Comidas de Sorte para Revista Gula - texto da Larissa Januário, produção da Tatu Damberg e fotos do Diego Rousseaux.

Elaborei 3 receitas com ingredientes que dão sorte nas festas de fim de ano: Salada de lentilhas com crisps de pancetta, Ceviche de linguado com romã e Pernil de cordeiro com mini legumes.

Ceviche de linguado com Romã Revista Gula (Diego Rousseaux)

Finger ceia para Basílico

A Larissa Januário propôs: uma ceia finger food com todas as proteínas tradicionais das festas de fim de ano.

Eu e a Ana Franco adoramos e topamos a empreitada e a Gabi Butcher fotografou. Nem preciso dizer que foi uma delícia de fazer né?

Finger Ceia Basílico (foto Gabi Butcher)

Fizemos um Shot de blood mary com ostra, Gazpacho amarelo com cubinhos de tender, Terrine de perú e castanha do Pará com molho de carambola e semente de cumaru, Pernil na trouxinha de massa filo com molho de tamarindo, Bacalhau confitado com tapenade e azeite de tomilho e Carré de cordeiro com molho de cerejas e especiarias servido com couscous com pistache.

Matéria para TV SESI – Rede Record

O Programa Cozinha Brasil da TV SESI fez o desafio: fazer uma ceia com R$ 50,00 usando produtos da época e aproveitamento máximo dos alimentos. Nem preciso dizer que adorei fazer, né?

Receitas com sobras da Ceia para UOL 

Ainda na linha da sustentabilidade na cozinha, foi a vez do UOL Receitas me pedir para criar pratos com as sobras da ceia. Foram 3 preparos com passo-a-passo fotografado pelo Tadeu Brunelli:

Arroz thai com sobras de perú

Arroz Thai com perú (Tadeu Brunelli)

Bolinhos de arroz com lentilha

Bolinho de Arroz com lentilha (Tadeu Brunelli)

Sanduíche de tender com abacaxi grelhado e agrião baby

Sanduíche de tender com abacaxi (Tadeu Brunelli)

E semana que vem a gente volta com força total e muitos posts, histórias, receitas e alegria em volta da mesa sempre farta!

Um super 2012 para tod@s nós!

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Receitinha de feliz ano novo:

De preferência em volta de uma mesa sempre farta e casa em festa!

Bom recesso e até ano que vem!!!

Letícia

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Meus 7 links

Hoje é segunda, dia de Recomendações da Casa, mas a Lúcia Freitas me convocou para um desafio muito bacana. Cada um de nós convocad@s deveria escolher entre os posts já publicados em nossos blogs, 7 especiais: O mais Bonito, o mais Popular, o que gerou mais discussão/controvérsia, o que ajudou/ajuda mais gente, o post que o sucesso te surpreendeu, o post que não recebeu a atenção que deveria, o post que você tem mais orgulho.

Topei o desafio, é claro! Seguem os meus sete links:

1- O mais bonito - Garfo&Foco – Fica, vai ter bolo!

Tomei o bonito ao pé da letra e aí tinha que ser um post do Garfo&Foco, com fotos da Gabi, é claro.

Este aqui sobre bolos é muito especial e querido, porque além de ser esteticamente lindo é fruto de nossa primeira sessão juntas!

 

 

 

2- O mais popular - Cozinha nova, mesa farta, casa em festa!

Depois de mais de um ano sem postar, voltar com blog novo foi uma festa, fiquei muito feliz com o carinho que recebi!

3- O que gerou mais discussão - De todas as maneiras…

Quando premiamos em nossa promoção do dia dos namorados, o Gerson e o Fernando, um casal gay, fiquei triste com algumas mensagens que recebemos depois do resultado. Para mim é incompreensível que algo tão natural como a orientação sexual, continue, na segunda década do Séc. XXI, incomodando tanta gente e causando tantao dor e violência.

 

4- O que mais ajudou gente - Longa Vida a Las Mariposas!

Esse foi escrito mais uma vez a pedido da Lú Freitas, que propôs outra blogagem coletiva, desta vez pelo Luluzinha, para falar sobre violência contra as mulheres. Como eu trabalhei durante 5 anos na coordenação da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, escrevi este post aqui falando sobre a história dos 16 Dias, que depois foi super replicado por outras blogueiras que também falaram sobre o assunto!

5- O que o sucesso me surpreendeu – Nas alturas

Foi por conta deste post onde falo de restrição alimentar que fui convidada para participar da matéria do Jornal da Globo sobre a Babel Gastronômica que é São Paulo. A idéia de que você pode viajar pelo mundo de metrô sem sair de São Paulo agradou e me garantiu a viagem com a equipe do jornal pela comida de Sampa!

6- O que não recebeu a devida atenção - Yes, nós temos pimentas!

Adoro este post que fala de fome e vontade de comer e explica como a comida funciona no cérebro da gente… é muito querido, mas pouca gente leu.

 

 

 

 

7- O que eu tenho mais orgulho - Sobre meninas, cabelos, solidariedade e moussaka!

Esse aqui é beeem velhinho, da época que eu nem sabia linkar… mas traz uma história linda de solidariedade que eu tive a alegria de conhecer e de uma pessoa, a Nuna, que virou amiga querida por conta da história. Vou ter sempre muito orgulho dele e de quebra ainda conto minha receita de moussaka.

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Recomendações da casa

Fim de ano de cozinheira é um corre-corre danado, horas na cozinha e pouco tempo para postar… mas as Recomendações da Casa na segundona tardam, mas não falham:

Na Cabeceira

República gastronômica da China

Jen Lin-Liu – Jorge Zahar Editor

“Suang, tian, ku, la. Azedo, doce, amargo, picante. Em minha vida experimentei todos eles.” Diretora Wang

Esse é um livro especial. Um livro de comida que tem como pano de fundo a história, cultura e política chinesa e como fio condutor a amizade entre duas cozinheiras.

É a história da Jen Lin-Liu, jornalista sino-americana que após concluir a universidade, parte para China em busca de suas raízes e descobre que a comida é o menor (e melhor) caminho para chegar à alma de um povo.

Quando pintam as primeiras dificuldades de adaptação e de aceitação, ela, que estava ali por conta do desejo de se identificar alguma coisa chinesa, intuiu: “Se eu não posso me relacionar com as pessoas, pelo menos vou me relacionar com a comida”, e a partir daí mergulha em um novo universo.

Em Beijing, Jen se matricula em uma escola profissionalizante de cozinha e parte para uma série de estágios, desde uma barraca pequena de massas até restaurantes estrelados chineses. Destaque para a descrição precisa dos tipos de massa chinesas, extremamente sofisticados e inusitados como o macarrão em fios que é aberto com as mãos (e que você pode ver ser feito ao vivo aqui em Sampa, no bairro da Liberdade, restaurante Hong He).

Mas o melhor da história, na minha opinião, é a delicada relação entre a jovem Jean e a Diretora Wang, de quem ela toma aulas particulares. A construção do vínculo entre as duas cozinha lentamente como deve ser em uma boa comida de alma. Me levou às lágrimas.

Vale o clique

Coluna Eclética da Tarsila Mercer

A gente não quer só comida, já disse aqui. Lá é onde me alimento de delicadeza.

 

 

 

Outras Cozinhas

Restaurante Sudestada, Buenos Aires

Não acredito que só hoje, 20 Recomendações depois, me lembrei de falar aqui do Restaurante Sudestada, de Buenos Aires, uma das (senão a melhor) comida do sudeste asiático que já comi.

Sou maluca por comida asiática, não é por acaso que fiquei tão emocionada com o livro da Jen Lin-Liu, e tive a sorte de ficar em um hotel exatamente ao lado dele, em Palermo.

A comida é perfeita, feita de forma impecável. Uma cozinha super eficiente que você assiste pela vitrine, do salão. Verdadeiro balé dos cozinheiros manuseando woks e uma pequena parilla (aliás, sai um peixe grelhado inteiro com ervas aromáticas que é melhor nem lembrar).

 A decoração é clean e cool, muita gente bonita e um agitinho delícia à noite.

Eu gostei tanto da comida que fui três vezes em uma mesma viagem. Queria comer todo o menu: salteados, grelhados, curries, saladas e ainda os chás, sucos e sobremesas. Me impressionou as texturas e a combinação de sabores em vários níveis.

Tudo, absolutamente tudo que comi e bebi no Sudestada me arrancou suspiros de prazer. Perdoem, car@s leitor@s, a eloquência, mas como dizem lá em Minas, o restaurante é bão mesmo!

Se fosse em São Paulo iria ao menos 2 vezes por semana, porque o melhor da festa é isso, apesar de super cool, o Sudestada é muito barato. Tem fórmulas para o almoço com comida+sobremesa+bebida+café por uma pechincha, em março de 2010, essa fórmula saía por R$ 28,00. Mas você também pode pedir à la carte e pagar um pouco mais (pouco mesmo). Eu garanto: se o seu barato é comida asiática, você vai me agradecer a dica!

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Recomendações da Casa

Segunda feira, dia de Recomendações da Casa:

Na cabeceira:

O sal é um dom – Receitas de Mãe Canô

Mabel Velloso – Ed. Nova Fronteira

É o tipo de livro que me emociona. Remete aos cadernos de receitas que toda família tem, escritos, em geral, por uma tia caprichosa com letra de professora. Me deliciava quando um assim caía em minhas mãos, ia logo escrafunchando em busca de boas receitas que copiava e transferia para o meu próprio caderninho.

O que mais me encanta são os modos de fazer: mais que orientações, são anotações mentais da cozinheira. Conversas dela consigo mesma para não errar no preparo. Fecho os olhos e consigo escutá-la “cantando” o modo de preparo e com ele os conselhos e segredos que garantem um prato perfeito, como nesta receita de Caruru: “Jogar os quiabos cortados numa panela com água fervente. Deixar os quiabos cozinharem até os caroços ficarem cor-de-rosa. Colocar os temperos e deixar cozinhar bem até fazer ‘cara de velho’.

Estão compiladas no livro um grande número de receitas tradicionais da Bahia e preciosidades como os pirulitos moldados em cones de papel (que eu fazia na infância) e as moquecas de cajú e de ovo pouco conhecidas por aqui.

E traz ainda todo o ritual, o cenário, as manias, os gostos e os personagens envolvidos nas refeições da família em Santo Amaro da Purificação e acaba levando a gente para o quintal dos Vellosos, sob o jambeiro para uma refeição interminável…

Vale o clique

Revista Altiplano

Descobri essa revista virtual quando estava escrevendo o post sobre o Pequi com a Gabi. Uma revista inteira sobre o Cerrado, com um pouquinho de tudo que adoro! Tem artigo sobre biodiversidade, sobre a cidade de Goiás, a arte do Moacir lá Chapada dos Veadeiros,  os encantos do Rio Araguaia, só para começo de conversa.

Além de uma sessão inteira sobre pequi e outra de culinária com artigos sobre a comida da festa do Divino, o empadão goiano e o Mané Xi, mistura do mané pelado com abacaxi!

Quer saber um pouco mais sobre o cerrado? Vá lá!

Outras cozinhas

Foto do mochileiros.com

Rancho do Waldomiro

E foi só falar em cerrado e na Chapada dos Veadeiros que minha boca encheu de água com vontade da matula do Seu Waldomiro. Um tutu enriquecido com 4 tipos diferentes de carne, entre elas a carne de lata, que nem vou me alongar, deixo o próprio Seu Waldomiro contar aqui como faz.

Ficou com vontade? Fica logo ali, no meio da estradinha entre Alto Paraíso e São Jorge, em Goiás, basta perguntar: Onde fica o rancho do Seu Waldomiro?

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Flor de abobrinha com nata, ciboulette e beurre noisette

Esse post aqui é especial. Homenagem à querida Tia Ola que resolveu animar a banda lá de cima e deixar a gente aqui embaixo cheio de saudade. Era a leitora mais fiel da Cozinha da Matilde, sempre me mandava mensagens lindas, cheias de apetite e também delicadezas como os lindos forrinhos de renda turca verdes e azuis que ilustram esta postagem.

Mais uma vez uma receitinha de ocasião com o ingrediente disponível na geladeira… e o bom de ser uma geladeira de cozinheira é que vira e mexe sobram produtos muito especiais que rendem boas receitas, como esta aqui.

Marcelo ensaiou um jantar que não saiu e uma porção de flores de abobrinha sobraram na geladeira, eu havia fotografado algum prato com nata e sobrou meio potinho. Ciboulette tem plantada no quintal e manteiga nunca falta em casa de cozinheira. E o sal negro, ah, o sal negro foi a frescurinha que fechou a receita com chave de ouro – e muito cá entre nós, fica muito boa sem ele também, com o bom e velho sal de mesa comum.

Somada aos ingredientes que tinha à mão, a minha cisma de não empanar a flor de abobrinha. Nada contra, mesmo porque é um clássico: flores de abobrinha recheadas e empanadas. Mas nunca me convenceu, sempre me compadeci da textura delicada da flor sendo sacrificada pela agressividade de uma fritura por imersão.

E foi pensando nisso que me veio a cabeça a beurre noisette. Sim, essa manteiga levemente queimada, de um tom dourado quase marrom  e com gostinho de avelã (daí o seu nome) seria perfeita para um toque delicado de gordura sem agredir a textura das flores.

Gostei muito do resultado. Ao serem regadas com a manteiga quente as flores ainda mantêm sua textura e crocância e ficam delicadamente untadas com a mistura da noisette e a nata. O sabor adocicado da dupla explode na boca misturado com a leve picância das flores e o aroma da ciboulette.

Ficou com vontade? O melhor é que é muito fácil de fazer, pá pum. Difícil mesmo só achar as flores de abobrinha, que você pode plantar em casa (logo terei uma colheita) ou encomendar de produtores orgânicos ou procurar na Casa Santa Luzia aqui em São Paulo onde costuma ter.

Flor de abobrinha com nata, ciboulette e beurre noisette

Ingredientes

  •  10 flores de abobrinha
  • 10 colheres (café) de nata
  • 2 colheres (sopa) de manteiga sem sal
  • 2 colheres (sopa) de ciboulette fatiada
  • Sal negro do Hawaii

Modo de fazer

Beurre noisette

Leve a manteiga ao fogo baixo, deixe derreter e continue mexendo delicadamente até que as partes brancas e solidas do leite escureçam e fiquem em um tom de dourado/castanho. Experimente: tem gostinho de avelãs.

Flores de abobrinha – montagem passo-a-passo

Disponha as flores em uma travessa.

Sobre cada uma delas coloque uma colher de nata.

Salpique com o sal negro.

Agora junte a ciboulette.

E por fim, regue com a beurre noisette quente.

Sirva imediatamente!

Ah, não desperdice o restinho de molho que fica no fundo da travessa, é especial… use um pedaço de pão para limpar e se lambuzar com a mistura da manteiga com a nata!

Harmoniza com… por Marina Novaes (na Pick’up ) e Marcelo Pedro (no Copo)

Móveis Coloniais de Acaju – O Tempo

Disco:  C_mpl_te (2009)

Este post é realmente especial. Flor de abobrinha é a minha comida e da minha mãe. Na verdade a gente dá uma de metida e chama pelo nome espanhol flor de calabaza, porque só fui conhecer esta delícia quando fui visitar meus pais quando moraram no México. Minha mãe, muito mais sortuda do que eu, na sua infância comia fiore di zucca fritta que a Nonna fazia. Alias, a flor frita é divina também! Em Roma, transformamos a entrada em prato principal, e a cada mordida exclamávamos: hmmm!, ai!, uau!, que delicia!…  Estes dias no varejão lá de Mogi, descobrimos que a flor macho que é boa, a segundo a produtora, a fêmea não tem muito sabor.

Bom, mas voltando ao que nos une, “Flor de abobrinha com nata, ciboulette e beurre noisette”  harmoniza com “O tempo” do Móveis Coloniais de Acaju. Uma banda incrível de Brasília, sempre que os vejo, seja ao vivo ao na TV, tenho a impressão que são meus amigos de infância, e a primeira vez que vi foi no Porão do rock, em 2000. São 9 caras que não param um minuto no palco e tocam e dançam, numa coreografia não ensaiada, rock, indie rock, ska, e música brasileira.

A música fala da vontade de eternizar todos os momentos bons que vivemos. E tem sido assim com minha mãe há pelo menos 32 anos. E por isso foi a trilha desta nossa última viagem, em que o Tom, meu filho, nos acompanhou, de dentro da minha barriga, só confirmando que “O meu futuro é esperar pelo presente de fazer/O tempo engatinhar”

A fiori di zucca ou flor abóbora desta receita da Letícia é muito mais leve e delicada que a tradicional receita da flor recheada de queijo e empanada, portanto precisamos escolher uma bebida que não sobrepuje a delicadeza e sutileza de sabores do prato. Hoje vou fazer duas sugestões, uma mais clássica e outra mais surpreendente. A opção clássica seria um vinho branco seco, sem passagem por madeira, originário da região italiana do Piemonte, produzido com uvas Arneis, como o Langue DOC Arneis da vinícola Bera, um vinho delicado mas saboroso e aromático, que combina muito bem com os sabores complexos e delicados da flor de abóbora e da manteiga noisette.

Agora, uma outra possibilidade seria uma cerveja produzida com abóbora, uma Pumpkin Ale, tradicionalmente produzidas nos EUA no outono, coincidindo com o Halloween, como a  Dogfish Head Punkin Ale, ou a brasileira Sauber Beer Pumpkin Ale produzida em Mogi Mirim pela nanocervejaria Sauber Beer. As Pumpkin Ales são menos amargas, mas tem sabor maltado, aroma de abóbora e especiarias como cravo e canela.

É isso aí, clássico ou inovador, saúde e bom apetite.

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